quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Filosofia de Politzer


I. — Como devemos começar o estudo da filosofia?

Na nossa introdução, dissemos, várias vezes, que a filosofia do materialismo dialéctico era a base do
marxismo.
O fim a que nos propomos é o estudo dessa filosofia; mas, para chegar a ele, é preciso avançarmos por
etapas.
Quando falamos do materialismo dialéctico, deparam-se-nos duas palavras: materialismo e dialéctico, o que
quer dizer que o materialismo é dialéctico. Sabemos que antes de Marx e Engels o materialismo existia já,
mas que foram estes, com a ajuda das descobertas do século XIX, que o transformaram e criaram o
materialismo «dialéctico».
Examinaremos, mais tarde, o sentido da palavra «dialéctico», que designa a forma moderna do materialismo.
Mas, visto que, antes de Marx e Engels, houve filósofos materialistas (por exemplo, Diderot, no século
XVIII), e visto que há pontos comuns em todos os materialistas, é-nos, pois, necessário estudar a história do
materialismo, antes de abordar o materialismo dialéctico. É-nos preciso conhecer, igualmente, as concepções
que se opõem ao materialismo.
II. — Duas maneiras de explicar o mundo.
Vimos que a filosofia é o «estudo dos problemas mais gerais», e que tem por fim explicar o mundo, a
natureza, o homem.
Se abrirmos um manual de filosofia burguesa, ficamos espantados com o grande número de filosofias
diversas que aí se encontram. São designadas por múltiplas palavras, mais ou menos complicadas,
terminando em «ismo»: o criticismo, o evolucionismo, o intelectualismo, etc, e esta quantidade cria a
confusão. A burguesia, aliás, nada fez para esclarecer a situação, antes pelo contrário. Mas, podemos já fazer
a triagem de todos esses sistemas, e distinguir duas grandes correntes, duas concepções nitidamente opostas:
a) A concepção científica.
b) A concepção não científica do mundo.
III. — A matéria e o espírito.
Quando os filósofos tentaram explicar o mundo, a natureza, o homem, tudo o que nos rodeia, enfim, foram
levados a fazer distinções. Nós próprios constatamos que há coisas, objectos que são materiais, que vemos e
tocamos. Depois, outras realidades que não vemos e não podemos tocar, nem medir, como as nossas ideias.
Classificamos, portanto, assim as coisas: por um lado, as que são materiais; por outro, as que não o são, e
pertencem ao domínio do espírito, do pensamento, das ideias.
Foi assim que os filósofos se encontraram em presença da matéria e do espírito

Sem comentários:

Enviar um comentário