quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Bento de Jesus Caraça

Em Maio de 1933, numa conferência titulada "A cultura Integral do Indivíduo - Problema do Nosso Tempo"Bento de Jesus Caraça dizia coisas que podemos, sem quaquer problema, transporta-las para os dias de hoje pela sua actualidade!


Dizia ele:


Encargo pesado, pois não é fácil tarefa o alguém abalançar-se hoje a emitir juízo, por
mais despretensioso que ele deseje ser, sobre o tempo que vivemos. Mas não há também
tarefa mais importante nem mais urgente. O que o mundo for amanhã, é o esforço de todos
nós que o determinará. Há que resolver os problemas que estão postos à nossa geração e essa
resolução não a poderemos fazer sem que, por um prévio esforço do pensamento,
procuremos saber, por uma análise fria e raciocinada, quais são esses problemas, quais as
soluções que importa dar-lhes – saber donde vimos, onde estamos, para onde vamos.
E pensemos, agora que ainda o podemos fazer. Amanhã pode ser tarde, porque a
tempestade que tem vindo a acumular-se sobre as nossas cabeças pode desencadear-se e
arrastar-nos nos seus turbilhões brutais. A violência da borrasca não nos permitirá que
façamos mais do que gestos elementares e instintivos que só não nos trairão se forem, a todo
o momento, orientados e dominados por uma personalidade de uma só peça, aquela
personalidade que agora temos de forjar – enquanto é tempo.
O dizer-se que a época actual é caracterizada essencialmente por uma perturbação e
inquietação vivas, é já quase um lugar comum, de tal maneira isso se impõe, mesmo após o
mais superficial exame. Não é, contudo, demasiado repeti-lo, pois há muitos sujeitos de
ouvido duro que ainda o não compreenderam ou não quiseram compreender e que, numa
cegueira teimosa, continuam a querer aplicar, para medida de valores numa sociedade
abalada nos seus fundamentos, aqueles padrões cujo uso já de há muito não é legítimo.
Desenganem-se essas pessoas. O que estamos actualmente vivendo e sofrendo não é
apenas uma borbulhagem fugaz, destinada a passar como tantas coisas passam, sem deixar
sinal; é, muito pelo contrário, uma época de transição, uma ponte de passagem entre aquilo
que desaparece e o que vai surgir. E nessa ponte de passagem chocam-se todas as correntes,
coexistem todas as contradições, fazendo dela aparentemente uma feira de desvarios e, na
realidade, um formidável laboratório de vida.


Quelha Funda

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Política e Religião

A Teoria Conspiratória da Nova Ordem

«Debaixo das amplas ondas da História humana fluem as ocultas correntes subterrâneas das sociedades secretas que, frequentemente, determinam das profundezas as mudanças que ocorrerão à superfície...» (Edmond Waite, «A verdadeira história», 1977).

«O movimento dos illuminatti (os iluminados) da Baviera foi fundado por um padre jesuíta, Adam Weishaupt, em 1776 … e, mais tarde, juntou-se à Maçonaria com o objectivo de infiltrá-la, unificá-la e submeter à autoridade dos 'iluminados' todas as ramificações maçónicas... Os planos mais secretos desta seita foram encontrados em 1784, entre as vestes do abade Lanz … Tratava-se de planos secretos para a conquista do mundo» (Wikipedia/Illuminati, Enciclopédia Livre).

«A terceira guerra mundial tem de ser fomentada de forma a tirar vantagem das diferenças causadas pelos agentes Illuminati entre os sionistas políticos e os líderes do mundo islâmico. Essa guerra tem de ser conduzida de forma a que o Islão (Mundo Árabe Muçulmano) e o Sionismo político (Estado de Israel) se destruam mutuamente» (William G. Carr, «Peões em jogo»).

O que mais interessa ao povo comum é saber identificar o passado dos exploradores e a actualidade dos métodos de exploração do homem; e que espécie de mundo prometem reservar as elites dos «illuminati» aos míseros trabalhadores que somos. Por isso voltamos – e voltaremos – a falar nas intrigas que recheiam os Protocolos dos Sábios de Sião, uma espécie de texto sagrado dos pró-nazis monopolistas que dominam os actuais governos em funções.
É cada vez mais evidente que prossegue a uma cadência rápida a recuperação das forças nazi-fascistas. É uma dinâmica que jamais se esgotará por si mesma. Só a luta organizada dos povos e a informação da classe operária a conseguirá deter. Os acontecimentos políticos das últimas semanas têm confirmado que todas as forças dominantes do capitalismo apoiam abertamente a constituição de um só governo da Europa, a divisão financeira da zona euro, com estatutos diferenciados para países ricos e países pobres, o reforço das estratégias da guerra, as seguranças anónimas e privadas, a secundarização das constituições nacionais, etc. Tudo isto são operações clássicas de abertura à passagem de escalão ao poder totalitário da direita.
A Igreja e a acção católica mundial acompanham e intervêm favorecendo estas mudanças. É ver só como os novos ministros gregos prestam juramento com a mão sobre a Bíblia e não sobre a Constituição da República, para depois se benzerem profusamente; ou como as universidades católicas ou de influência católica – com destaque para as universidades de Navarra e de Stanford – desenvolvem febrilmente planos de adaptação da «Teoria do Caos» às estratégias de domínio dos capitais transnacionais monopolistas. Isto, à mistura com a diabolização do «pavor da violência das massas» e o reforço semi-encapotado da corrupção do poder.

A III Guerra Mundial e as ruínas de Portugal

As propostas contidas nos documentos básicos já divulgados revelam cenários de guerra mundial, o reforço da influência das sociedades secretas, a instalação de estados autoritários com reduzidas competências de soberania; todo este novo arranjo institucional convergindo num fecho de cúpula representado por um governo único europeu dotado de poderes globais e responsável central pela instalação da nova ordem mundial dos monopólios. O mesmo já se defendia nos Protocolos, com uma linguagem sem rodeios, directa e brutal. Sem papas na língua.
Recentemente, num Portugal em ruínas, os bispos reuniram-se a pretexto da situação social portuguesa. Falaram em coisas sérias como o desemprego, a indignação, a equidade, a partilha, etc.? Talvez sim, mas o comunicado final da reunião foi um rol de banalidades. Só o cardeal-patriarca se permitiu declarar, com bom humor, que «ninguém pense em dominar os mercados».
Declaração singular, se pensarmos que o Vaticano tem sobre a mesa uma proposta de reforma do sistema financeiro que exige um único governo mundial e um só banco central com capacidade para controlar os mercados financeiros.
O que prova que os mercados afinal podem obedecer (e obedecem!) a ocultos poderes. Acrescente-se ser estranho que um cardeal, num país que se abeira da miséria, apareça em público como um mentor financeiro e não como o pastor de um rebanho crente em transe de vida ou de morte.
Os católicos devem estar atentos às posições da sua Igreja

Jorje Messias (Jornal Avante)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Política e Religião

Nos bastidores da «crise»

«Todo o poder de decisão das multidões depende de uma maioria ocasional, superficial, instalada na base da sua ignorância dos segredos da política… Assim, a Nova Ordem aposta na fome crónica e na fraqueza dos operários, para que tudo os escravize à vontade dos que mandam e de forma a que fiquem sem poder, força e energias para se oporem às nossas intenções» (Protocolos dos Sábios de Sião)
«A finalidade da justa ordem social é garantir a cada um, no respeito do princípio da subsidiaridade, a própria parte dos bens comuns... Só através da caridade iluminada pela luz da razão e da fé é possível alcançar os objectivos do desenvolvimento» (Caritas in veritate, Bento XVI)
«O descontentamento popular perante os actuais desenvolvimentos nos planos das relações laborais, segurança social, serviços públicos, como também nos planos das incontroladas injustiças e violências nacionais e internacionais, encontrará forma de traduzir-se em acção» (Imperialismo: seus limites e alternativas, Rui Namorado Rosa, 2004)Os capitalistas vivem em sobressalto. Foi-se a arrogância e a euforia dos banqueiros. Os padres, quando falam em «crise» tocam a rebate mas o som que extraem é o do «toque a finados». Entretanto, multiplicam-se os escândalos públicos e o tão badalado aparelho de Estado capitalista estremece e declina aceleradamente.
Degrada-se nas bolsas o valor do euro e do dólar. Também a palavra se desvaloriza. O crédito do palavreado que enche o ouvido cai a pique na opinião pública que pouco a pouco vai entendendo a natureza corrupta dos governantes e o pavor que lhes inspira a possibilidade de uma reacção das massas exploradas.
Ninguém, é certo, pode estabelecer calendários para as fases futuras desta dramática situação. Ou, inclusivamente, pode antecipar as dimensões da tragédia que se desenha. Quando se vê acossado, o capitalismo mostra as garras. É um animal feroz.
O que também aumenta, a par do desemprego e da pobreza, é a confusão geral. O euro tem dez anos de idade e já está de rastos. Prometeu a prosperidade e conduziu à miséria dos povos. Gerou fortunas brutais entre os ricos e os especuladores. Escavou um fosso social ainda mais profundo e mistificou o Estado dito democrático.
Este é um esboço possível das chagas produzidas pelo neoliberalismo global.

O mundo em que vivemos

Segundo afirmam analistas, o euro é europeu e o capitalismo é global. Mas a diferença é irrelevante. Tudo está nas mãos da banca que prospera ao sabor das bolsas de valores e cujos capitais – estatais, privados ou mistos – são sagrados. Em todo o mundo, menos de 1% das empresas financeiras controlam 40% dos bens produzidos. Junte-se a este montante astronómico os lucros reais obtidos pelos offshores, pela economia paralela, pelo mundo do crime, pela especulação, pelos mercados paralelos, pelas engenharias financeiras, etc. Teremos então formado uma ideia – ainda que incompleta – das dimensões do roubo mundial a que muitos ainda assistem como vítimas passivas.
No outro pólo alastra a mancha negra da fome e da miséria. Mesmo nos países mais desenvolvidos, o desemprego atinge 50 milhões de trabalhadores. Há muito mais do que 60 milhões de pobres em todo o mundo ocidental. As estruturas do Estado social são sistematicamente destruídas pelo neoliberalismo.
Isto não pode continuar assim.
A Igreja faz pesquisa e sabe que a passividade das massas não é eterna. Que ela própria tem uma imagem a defender junto da humanidade e que não será intervindo directamente ao lado dos exploradores que conseguirá reforçar a sua influência entre as populações. As sortes, porém, estão lançadas. O Vaticano traçou para si um caminho irreversível.
A Igreja portuguesa (aquela que, naturalmente, está para nós em primeira linha) é um exemplo deste efeito paralisante que rouba aos gigantes a noção da sua fragilidade. As hierarquias eclesiásticas, para garantirem um lugar entre os mais ricos, calam-se perante o crime, a brutalidade, a injustiça e a corrupção. São agentes activos do que acontece em Portugal e no mundo. Isto é, valem-se de um sistema iníquo para consolidarem, em plena crise, os seus patrimónios.
Se o Patriarcado negar que assim é, então aqui fica uma proposta: que divulgue voluntariamente contas honestas das verbas fabulosas que lucra com a especulação financeira, os jogos bolsistas, os offshores, o imobiliário, as isenções fiscais da Concordata, etc., etc.
Os católicos deveriam lutar pelo acesso a estes esclarecimentos elementares

Jorge Messias (Jornal Avante)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

As mentiras da gente que nos governa!

O Discurso da Impostura

No discurso do poder há uma expressão quase insistente que pretende amparar, como bondosas e altamente patrióticas, as decisões tomadas. "Tomámos em conta os superiores interesses do País." Esta impositiva forma de inevitabilidade política inculca-nos a ideia de que não há nada a fazer senão admitir com consideração e aceitar com respeito as determinações governamentais, quaisquer que elas sejam. Faz lembrar a famosa locução do salazarismo: "Tudo pela nação. Nada contra a nação."
Uma espécie de controlo impeditivo de um pensamento contrário. E, afinal, quais são "os superiores interesses do País"? A experiência no-lo tem revelado que a unilateralidade dos resultados desses "interesses" apenas se destina a favorecer uma minoria, e a abrir-lhe os caminhos de acesso ao poder. Esta impostura, por insistente (tanto Guterres, quanto Durão, Sócrates, Passos Coelho ou Seguro serviram-se da expressão), distingue-se por criar uma espécie de absurda legitimidade. Os tais "interesses" não são os da esmagadora maioria dos portugueses, e a perseverança com que os dirigentes políticos os nomeiam constituem o abastardamento da lógica interna da frase e da pressuposta grandeza do seu significado.
A base constitutiva da nação é a maioria dos portugueses, exactamente aqueles que são mais atingidos pelo infortúnio, e que não estão representados nos "interesses" defendidos pela classe dominante. A expressão, no seu formalismo hiperbólico, é o dispositivo gramatical de um sistema que não deseja ser questionado, por estar ausente de qualquer requisito moral.
No entretanto, Pedro Passos Coelho, grave e denso, avisa-nos de que, para sair da crise, "temos" de empobrecer. Temos, quem? Os mais de nós, atingidos pelas políticas cuja natureza dissimula uma devassidão ética e uma triste barragem ideológica. A vida, para os portugueses, vai ser muito difícil, avisa. Logo, porém, sorridente e feliz, o ministro Álvaro Santos Pereira, sossega a inquietação da pátria: "Certamente, a crise vai deixar de o ser em 2012." Erro grosseiro. Disparate político. Comentaram as boas almas. Menos de quatro horas depois, o ministro desmentiu-se a si próprio, mesmo quando as televisões reproduziram o paradoxo.
Talvez seja um episódio pitoresco. Porém, membros do Executivo, inclusive o primeiro-ministro, são useiros e vezeiros em tornar verdades num funesto derivado. A religião da mentira faz o seu caminho, quase sem contrariedade. E o País, quero dizer: a arraia-meúda do Fernão Lopes, continua a ser um elemento de espoliação, que não tem nada a ver com os apregoados "interesses." Aliás, eles nem ambicionam conhecer a exacta propriedade da frase. Têm sede de justiça e apenas exigem, a quem manda, decência, honra e um pouco de humanidade.


Baptista-Bastos (Escritor)----Diário de Notícias

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Política e Religião

Pirâmide de um só olho que tudo vê!


«O Papa, quando explicitamente define uma doutrina, possui a infalibilidade com que o divino Redentor quis dotar a sua Igreja ao definir qualquer matéria respeitante à fé e aos costumes» (Vaticano I, Constituição “Pastor Aeternus”).

«Nós aparecemos ao operário como libertadores do seu jugo, quando lhe propusermos entrar nas fileiras do exército de socialistas, anarquistas e comunistas, que sempre sustentámos sob o pretexto da solidariedade» (Os Protocolos dos Sábios de Sião, Capítulo XV).

«A lei que equilibra o processo de acumulação capitalista amarra o trabalhador ao capital. É esta lei que estabelece uma correlação fatal entre a acumulação do capital e o exército industrial de reserva, de tal modo que num só pólo a acumulação da riqueza é igual à acumulação da pobreza, do sofrimento, da ignorância, do embrutecimento, da degradação moral e da escravidão. São factores que estão na base da classe que suporta o próprio capital» (O Capital, Tomo I).

A Europa capitalista saltita à beira do abismo. O espectáculo anárquico a que se assiste actualmente é disso prova. Os políticos da chamada globalização são incapazes de encontrar saídas para os problemas catastróficos que eles próprios causaram. Teme-se a súbita ruptura do sistema financeiro e, nos quadros presentes, a economia não recupera. Falta, segundo os capitalistas, uma chefia esclarecida e com reforçados poderes de decisão. O Vaticano decidiu, portanto, avançar para a aplicação imediata de um plano já de há muito preparado, desde a era de João Paulo II, de Bush e de António Guterres. Em 1983, afirmou Dan Quayle, vice-presidente dos EUA: «Sob a corajosa liderança de João Paulo II, o Estado do Vaticano tem assumido o lugar que lhe compete no mundo como uma voz internacional. É altura dos EUA mostrarem o seu respeito pelo Vaticano, reconhecendo-o diplomaticamente como uma grande potência mundial». Palavras que revelaram a esperança que os mercados depositam na Igreja. O «olho» que tudo vê figura, aliás, no triângulo maçónico que é emblema do Tesouro americano. E surge igualmente nos símbolos dos poderosos illuminati da igreja.
Desde então tem-se reforçado extraordinariamente a aliança Vaticano/EUA. Ainda que à custa de uma certa ambiguidade em relação ao capitalismo apadrinhado na Europa. Uma simples imagem desta identidade da Santa Sé com as políticas neoliberais norte-americanas resulta de um facto simples embora recente mas «esquecido» pela comunicação social: em plena crise financeira, quando as estruturas bancárias norte-americanas abanavam, Bento XVI não hesitou em expor-se publicamente ao ordenar a urgente transferência para instituições americanas de biliões de dólares, o que permitiu à banca estadunidense retomar um certo reequilíbrio provisório. Para lá da solidariedade que o caso revela, esta operação também chamou a atenção para a solidez e capacidade financeira do Vaticano.

O plano eclesiástico de reforma financeira mundial

Mas que dizem os Protocolos que não se esteja a concretizar, agora?
Por exemplo, as estratégias da Nova Ordem Mundial, tal como foram inicialmente proclamadas, passam pelo fim do conceito de nação e de família; pela fusão das religiões numa só e pela instalação de um único governo mundial planetário e global, isento de qualquer controlo democrático e dotado com um só exército e uma só política. Os seus órgãos executivos deverão ocupar três esferas de poder: a económica e financeira; a militar e policial; e a esfera do poder científico.
A área política, uma vez extinto o Estado, será desempenhada pelos clubes de reflexão, que concentrarão em si as forças actualmente representadas nas reuniões de líderes (tais como o G5, o G8, o Clube de Bilderberg, a Trilateral, os Illuminati, etc.).
É nesta fase capitalista de aparente derrocada que a Igreja pretende assumir os comandos e fazer avançar as fortunas. É um aparente contrasenso. Mas se o conseguir, o capitalismo comandará a vida dos homens no próximo milénio. Se a intenção morrer pelo caminho, como parece provável, será ao homem que cumprirá escolher o seu destino – livre, fraterno e socialista.
Quando estivermos na posse do texto do Vaticano, falaremos então dessa «Proposta da Igreja de reforma do sistema financeiro mundial».

Jeorge Messias (Jornal Avante)

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Solidários com as crianças da Etiópia e da Somália

Devemos ser solidários.

Somos um povo extra ordinário. A noite de fados realizada no Seminário do Verbo Divino mostra-o bem. O povo do Tortosendo esteve presente para tão nobre acção.
Mas ao ler esta notícia veio-me à memória, uma declaração de um membro da Junta de Freguesia do Tortosendo. Disse ele: "que a Junta de Freguesia estava a custear refeições nas escolas porque, principalmente à Segunda-Feira, as crianças iam com fome"!
Não nos ficaria nada mal, que olhando para tão longe, o que só nos fica bem, pudessemos olhar ,também, para mais perto.
Eu creio que as crianças, sejam de onde forem, não é de esmolas que precisam mas de justiça.
Mas enquanto esta não chega sejamos solidários

Quelha Funda

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Política e Religião

Sionismo, Secretismo, Maçonaria e Vaticano

«Globalização não é um conceito sério. Nós, americanos, inventámo-lo para dissimular a nossa política de invasão económica de outros países ...»(John Kenett Galbraith, professor norte-americano de Economia, «História da Economia»).
«O imperialismo é o capitalismo na fase de desenvolvimento caracterizada pelo domínio dos monopólios e do capital financeiro, quando adquiriu vincada importância a exportação de capitais e se inicia então a divisão da posse do mundo por parte dos trusts internacionais, bem como se conclui a partilha de toda a Terra entre os países capitalistas mais importantes» (V.I. Lenine, «O Imperialismo, fase superior do Capitalismo»).
«A respeito de Religião, constatamos na sociedade uma indiferença crescente … Porém, um dos fundamentos da convivência bem sucedida é a religião. Assim como a religião precisa de liberdade, também a liberdade tem sede de religião!» (Bento XVI, visita pastoral, 2011).
Passam os dias, voam as horas e o panorama das nações está cada vez mais escuro. O grande capital manteve em cena, anos a fio, os quadros da comédia «vida fácil e sucesso pessoal» que o crédito bancário estimulava e o «confortável» abandono dos campos, das pescas e das oficinas ou a imediata compra e venda do produto tornavam possível.
Tudo era utopia. Aos empresários chamavam empreendedores, aos trabalhadores, parasitas! Os políticos «televisíveis» eram apontados como cidadãos modelo que se colocavam ao serviço da comunidade, sem mais interesses que não fossem os da solidariedade e da entrega. Os milionários convertiam-se em filantropos ou em campeões das «lutas contra a pobreza». Diziam os patrões que progredia a «concórdia» entre as classes sociais quando, na verdade, se agravavam surdamente os índices do desemprego real, do custo de vida e se alargava o fosso entre pobres e ricos.
Aquilo que os governos, os capitalistas e a Igreja católica diziam a respeito do País e do mundo, era mentira radical. Cultivavam o mito. Mas todos os que falavam ou escreviam sabiam que a riqueza era roubada ao povo, passava pelos monopólios e ia concentrar-se nos bancos onde crescia em flecha e se transformava em arma cada vez mais poderosa ao serviço da «nova ordem» do grande capital.
Assim chegámos ao ponto em que as coisas estão. O dinheiro abunda mas é absorvido pelos poucos monopólios de primeira linha os quais, fatalmente, continuam a tentar engolir-se uns aos. O resto é folclore e paisagem. A posse do dinheiro e do poder ocupa o lugar central das atenções dos mais ricos. Que importa que morram milhões de míseras criaturas se o seu sacrifício for exigido pela troika ou pelo saneamento da dívida pública do Estado?
O tempo que vivemos e o mais que está para vir prenunciam dias bem duros e difíceis. Dias de luta e de sacrifício, combates de vida ou de morte contra os corruptos, os profetas das «piedosas» promessas, os usurários, os renegados do 25 de Abril e os fascistas.
Sem ilusões, vamos à luta!
Abril não é um sonho. É um projecto de futuro, ainda por realizar.

O lugar do Vaticano
Em tudo isto, o papel desempenhado pela Igreja é vergonhoso. Bem pode a Cúria continuar a chamar-lhe comunidade do mistério e da fé que poucos nisso ainda acreditarão. O que torna poderosa a Igreja é o dinheiro que tem e as influências que move. Por isso se cala perante a injustiça e pratica, ela própria, o crime. O segredo é a alma do negócio. Mas já ninguém pode ocultar que «o Vaticano é dono do Hemisfério Ocidental». É dono de meio mundo!.. E quer ir à conquista do que ainda não tem.
A sede desse poder situa-se num eixo transatlântico que liga Roma a Washington mas também se ramifica por toda a Europa, por África e pela América Latina. Há quem afirme que o Estado norte-americano é já uma colónia da Santa Sé. Esta, domina 51% do capital dos principais bancos; tem redes instaladas horizontalmente em todos os grandes partidos políticos, na comunicação social e nas instituições assistenciais as quais, nos EUA, desempenham o papel que em Portugal é cobiçado pelas ONG e IPSS. Tem alianças preferenciais com a Maçonaria. Possui uma pesada carteira de interesses no petróleo, nos aços, na indústria automóvel, nos armamentos, na energia, nas linhas aéreas, nas minas, na construção civil, etc.
Todas as grandes decisões políticas americanas se sujeitam, já, aos pareceres prévios do Vaticano.


Jorge Messias (Jornal Avante)

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A memória dos amigos

No Jornal "Diário de Notícias",de hoje 2 de Novembro, vem um trabalho de Baptista Bastos que não pode deixar indiferente quem ame a cultura e a liberdade.Tomei então a liberdade de o publicar no meu blog esperando,assim, leva-lo ao conhecimento de alguns,que não lendo o "DN" passem os olhos pelo meu blog



A memória dos amigos


O Governo deixou passar em escuro os centenários do nascimento de Alves Redol e de Manuel da Fonseca. São dois dos maiores escritores da literatura portuguesa. Mas eram neo-realistas e, por isso, desdenhados pela miuçalha que voeja nos canais da cultura. E o Governo actual não é propriamente um arfante frequentador de livros. Basta ouvi-los. Aquela constante troca da expressão "competitividade" por "competividade" causa apreensão. Enfim. A verdade é que qualquer dos dois autores nos legou uma obra incomum e algumas obras-primas. Gaibéus, inaugura o movimento, cujas características se aproximavam do "realismo socialista", ou Barranco de Cegos ou, ainda, entre outros mais, o extraordinário A Barca dos Sete Lemes, de Redol, são textos definitivos, se a expressão não vai incomodar os espíritos de libélula. E O Fogo e as Cinzas, Cerromaior e Seara de Vento, de Manuel da Fonseca, instituem uma nova maneira de se enten der a literatura, para se compreender o mundo. Fonseca intro duz a short storie e escreve com, apenas setecentas palavras, reduzindo a zero as gorduras da retórica.
Não me interessa, agora, escarmentar um actual membro do Executivo que, em tempos, qualificou de medíocre os livros de Redol. As acções e as definições ficam para quem as pratica. Mas a memória regista e conserva a pelintrice. Manuel da Fonseca e Alves Redol eram amigos, companheiros e camaradas. Redol morreu novo, com 58 anos, e o seu funeral, em Vila Franca de Xira, por um dia embatente de frio, mobilizou muitos milhares de pessoas. A cidade estava cercada de pides, e a emoção popular só teve paralelo com o enterro de António Sérgio. Do património da Esquerda fazem parte integrante esses protagonistas anónimos que, quando é preciso, enchem as ruas, as praças e as cidades, e obrigam a Direita, que dispõe da polícia e da violência, a posar de fera sem unhas.
Redol era o mais bondoso e generoso de todos os homens que conheci. Até os desaforos de que era alvo, as injúrias com que o feriam, pareciam não o afectar grandemente. Uma alma de mármore num corpo de porcelana. E um escritor incansável, com larguíssimo volume de leitores, consciente da responsabilidade do ofício, e do efeito que as palavras podem ter. Manuel da Fonseca, um amigo devotado e o mais felino dos sarcastas. Certa ocasião, uma senhora que muda a cor do cabelo consoante os dias pares ou ímpares, escreveu, numa gazeta semanal, que o Manuel da Fonseca era muito simpático, mas o facto de ser neo-realista a espavoria. Rimo-nos da alarvidade presunçosa. E o Manuel da Fonseca, que não era para graças, resumiu numa frase mortal, o seu desprezo monográfico: "Coitada, é tão feia!"
O Governo cumpre o seu papel de os esquecer. O nosso, é o de sacudir estas inércias, e relembrá-los, com emoção e orgulho.

Baptista Bastos