Elogio da Dialética
A injustiça avança hoje a passo firme.
Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são.
Nenhuma voz além da dos que mandam.
E em todos os mercados proclama a exploração: isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.
Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados.
Quem pois ousa dizer:nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será:ainda hoje.
Bertolt Brecht
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Política
Divagar sobre um livro de Badiou
A partir do meio dos anos setenta do século vinte, começou o refluxo do "decénio vermelho" iniciado por quatro ocorrências da maior importância nas lutas de libertação nacional (Vietnam e Palestina, singularmente ) do movimento mundial da juventude estudantil (Alemanha, Japão, USA, México ), das revoltas em fábricas (França e Italia ) e da Revolução Cultural na China. Este refluxo encontra a sua forma subjectiva na renegação resignada na volta aos costumes, e também eleitorais, da diferença em relação 'a ordem capitalísta-parlamentar ou "ocidental", a convicção de que querer melhor é querer pior, encontra a sua forma intelectual no que em França,tomou o nome muito estranho de "nova filosofía". Sobre esse nome, encontram-se, quase sem mudança, todos os argumentos do anticomunismo americano dos anos cinquenta: os regimes socialistas são despotismos infames,ditaduras saguinárias; na ordem do Estado devemos opor a esse "totalitarismo" socialista a democracia representativa, que é sem dúvida imperfeita, mas de longe, a menos má forma do poder; na ordem moral, filosóficamente a mais importante, devemos impor os valores do "mundo livre", onde os Estados Unidos são o centro e a garantia. A ideia comunista é uma utopia criminosa que,tendo fracassado em todo o lado, deve deixar lugar a uma cultura dos "direitos do homem" que combine com a cultura da liberdade (e também, e em primeiro lugar a liberdade de investir, de possuir e enriquecer, garantia material de todas as outras) e uma representação sacrificada do Bem. O Bem não é outra coisa que a luta contra o Mal, o que quer dizer que devemos ajudar o que se apresenta como vítima do Mal. Quanto ao Mal, é tudoo que o livre Ocidente define como tal, o que Reagan chamava "O Império do Mal".
Encontramo-nos, portanto,no ponto de partida: A ideia comunista.
A partir do meio dos anos setenta do século vinte, começou o refluxo do "decénio vermelho" iniciado por quatro ocorrências da maior importância nas lutas de libertação nacional (Vietnam e Palestina, singularmente ) do movimento mundial da juventude estudantil (Alemanha, Japão, USA, México ), das revoltas em fábricas (França e Italia ) e da Revolução Cultural na China. Este refluxo encontra a sua forma subjectiva na renegação resignada na volta aos costumes, e também eleitorais, da diferença em relação 'a ordem capitalísta-parlamentar ou "ocidental", a convicção de que querer melhor é querer pior, encontra a sua forma intelectual no que em França,tomou o nome muito estranho de "nova filosofía". Sobre esse nome, encontram-se, quase sem mudança, todos os argumentos do anticomunismo americano dos anos cinquenta: os regimes socialistas são despotismos infames,ditaduras saguinárias; na ordem do Estado devemos opor a esse "totalitarismo" socialista a democracia representativa, que é sem dúvida imperfeita, mas de longe, a menos má forma do poder; na ordem moral, filosóficamente a mais importante, devemos impor os valores do "mundo livre", onde os Estados Unidos são o centro e a garantia. A ideia comunista é uma utopia criminosa que,tendo fracassado em todo o lado, deve deixar lugar a uma cultura dos "direitos do homem" que combine com a cultura da liberdade (e também, e em primeiro lugar a liberdade de investir, de possuir e enriquecer, garantia material de todas as outras) e uma representação sacrificada do Bem. O Bem não é outra coisa que a luta contra o Mal, o que quer dizer que devemos ajudar o que se apresenta como vítima do Mal. Quanto ao Mal, é tudoo que o livre Ocidente define como tal, o que Reagan chamava "O Império do Mal".
Encontramo-nos, portanto,no ponto de partida: A ideia comunista.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Política
Hipocrisía
Entre o 11 e 14 de Abril de 2002, teve lugar na Venezuela um golpe de Estado dos mais efémeros na história dos povos. Uma vaga popular anulou rápidamente o grupo de golpistas repondo Cháves no poder. Durante este efémero golpe de Estado, a presidência espanhola da União Europeia emitiu uma declaração oficial que deixa bem claro os sentimentos de muitos dirigentes europeus e que reproduzimos aqui
“Finalmente, a União Europeia manifesta a sua confiança num governo de transição (quer dizer os golpistas) que garante o respeito dos valores e as instituições democráticas, esperando que a crise actual seja surmontada no quadro de um acordo nacionale e no respeito dos direitos e liberdades fundamentais.”Alguns dias mais tarde, depois do fracasso do golpe, a União Europeia adaptáva um texto onde se felicitáva “ do restabelecimento das instituições democráticas”, exprimando no entanto, “ a sua preocupação em relação aos actos levados a cábo (pelo governo de Cháves) contra os interesses económicos nacionais e estrangeiros...
“Finalmente, a União Europeia manifesta a sua confiança num governo de transição (quer dizer os golpistas) que garante o respeito dos valores e as instituições democráticas, esperando que a crise actual seja surmontada no quadro de um acordo nacionale e no respeito dos direitos e liberdades fundamentais.”Alguns dias mais tarde, depois do fracasso do golpe, a União Europeia adaptáva um texto onde se felicitáva “ do restabelecimento das instituições democráticas”, exprimando no entanto, “ a sua preocupação em relação aos actos levados a cábo (pelo governo de Cháves) contra os interesses económicos nacionais e estrangeiros...
quarta-feira, 17 de junho de 2009
O Princípio
Os Fazedores de Opinião
O sacerdócio secular actual é composto de fazedores de opinião, de filosóficos mediáticos como também um grande numero de catedráticos e jornalistas. Um dos mecanismos do reforço ideológico mais frequente consiste a focalizar a discussão sobre os meios postos em prática para conseguir os fins julgados altruístas que pretendem consignar o poder, antes que procurar se os fins proclamados são bem os fins seguidos, ou se o agente que pretende continuar tais fins terão direito de o fazer.
Exemplo disso, as ultimas eleições para o Parlamento Europeu. O que se ouviu e o que se leu em todos os órgãos de informação? O Partido Socialista sempre vencedor e outros que quase desapareciam do Parlamento Europeu. A realidade foi bem outra e todos esses senhores que ocupam os espaços na televisão, na rádio e nos jornais, a dizerem baboseiras de toda a ordem, bem andariam se tomassem umas férias prolongadas ( pois o que lhes pagam deve dar para isso) evitando assim, que os ouvintes e leitores sejam massacrados com as suas mentiras e ignorância. O povo começa a estar saturado dos Pachecos Pereiras, dos Marcellos, dos Vitorinos e muitos outros que se julgam senhores da razão e da verdade mas que no fim de contas não passam de peões e servidores do poder estabelecido e do capital.
È tempo de dizer basta...
“O Quelha Funda”
O sacerdócio secular actual é composto de fazedores de opinião, de filosóficos mediáticos como também um grande numero de catedráticos e jornalistas. Um dos mecanismos do reforço ideológico mais frequente consiste a focalizar a discussão sobre os meios postos em prática para conseguir os fins julgados altruístas que pretendem consignar o poder, antes que procurar se os fins proclamados são bem os fins seguidos, ou se o agente que pretende continuar tais fins terão direito de o fazer.
Exemplo disso, as ultimas eleições para o Parlamento Europeu. O que se ouviu e o que se leu em todos os órgãos de informação? O Partido Socialista sempre vencedor e outros que quase desapareciam do Parlamento Europeu. A realidade foi bem outra e todos esses senhores que ocupam os espaços na televisão, na rádio e nos jornais, a dizerem baboseiras de toda a ordem, bem andariam se tomassem umas férias prolongadas ( pois o que lhes pagam deve dar para isso) evitando assim, que os ouvintes e leitores sejam massacrados com as suas mentiras e ignorância. O povo começa a estar saturado dos Pachecos Pereiras, dos Marcellos, dos Vitorinos e muitos outros que se julgam senhores da razão e da verdade mas que no fim de contas não passam de peões e servidores do poder estabelecido e do capital.
È tempo de dizer basta...
“O Quelha Funda”
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