Varrer a casa enquanto o Papa não vem...
Os bispos portugueses afadigam-se em preparativos. Antes que «ele» chegue, é preciso varrer, limpar e arrumar a casa episcopal. Tarefa dura que não se faz do pé para a mão. Porque a casa está em obras e os operários são obedientes mas poucos são. Logo se verá se o tempo chega para tantas arrumações na velha casa.O que mais custa a retocar é sem dúvida o desemprego. Mais fácil seria passar por entre dois pingos de chuva do que encontrar maneira de pegar neste problema e agradar a gregos e troianos, trabalhadores e patrões, famílias desamparadas e milionários, juventudes sem fé e sem futuro. Quem dera que o Papa viesse e o milagre acontecesse... Mas Fátima dificilmente se repetirá!A par dos números do desemprego, cresce o escândalo da corrupção, cava-se mais fundo o fosso entre pobres e ricos e os políticos (uns desbocados!) desautorizam-se a si próprios com as suas piruetas de arlequins. É tudo isto que alarma os bispos e os faz entrar em situações de ansiedade. Como conciliar, em tão curto espaço, proveitos adquiridos e um necessário enquadramento da ética cristã ?Os bispos já meteram mãos à obra. Apostam, sobretudo, na sua «sociedade civil», nos dinheiros que jorram dos canais do Estado e na tradição, por muitos esquecida, que descreve a Igreja como protectora dos pobres.O galopar do tempoEntretanto, os bispos filosofam: como tudo seria diferente se hoje fosse como há meses atrás... A Igreja vivia santamente com Sócrates, como em «lua de mel». Não era necessário escolher as palavras para criar na plebe a imagem de um país dinâmico, livre, integrado na Europa e confiante nos seus dirigentes e nas suas instituições. Os bispos bem sabiam que não era assim mas fechavam os olhos aos pecadilhos do poder.Agora, tudo se corrompeu. Os portugueses não confiam no Governo, nas instituições privadas e estatais e perderam a fé. Habituaram-se a ler as estatísticas e sabem que tudo vai de mal a pior. Estão conscientes de que patinham na lama do dinheiro fácil e que os cerca uma corrente infindável de sucessivos escândalos sociais. Panorama, aliás, que não é só português mas sim comum a todo o mundo capitalista. Que será do dia de amanhã – reflectem os bispos – se os povos se revoltarem e «tomarem o freio nos dentes»? Mas o Papa vem aí e é isso que conta. Embora, na própria Igreja, haja quem pense que esta visita pastoral comporta os seus riscos. Pois, não é Bento XVI o mentor das correntes mais fechadas do pensamento católico? E que dizer da vinda a um país pobre e em ruínas, como é Portugal, do chefe majestático de um Estado que é bem conhecido pelas suas intimidades com a banca mundial e com as grandes fortunas ? Que reacções desencadeará ?Todas estas questões permitem compreender melhor por que razão os bispos portugueses estão a começar a violar a sua estratégia do silêncio e procuram recuperar a iniciativa e o uso da palavra. Declarou o Arcebispo de Braga: «É tempo de acordar para a luta e promoção do Bem Comum.» Em contraponto, afirmou o cardeal-patriarca: «A salvação do Homem é a expressão plena do Bem Comum... A Igreja Católica sempre esteve na primeira linha da luta contra a pobreza!»Note-se que estas tomadas de posição «à esquerda» decorreram num momento muito delicado para o governo de Sócrates cuja máscara se vai degradando. A solicitude da Igreja católica - que não quer de modo algum agravar a situação em que os socialistas se afundaram - foi já ao ponto de silenciar perante a legalização dos casamentos gay, atitude verdadeiramente impensável em homens como D. José Policaro ou Joseph Ratzinger. E muito se começa a murmurar quanto à existência de um «pacto de não-agressão» entre o Governo e o Patriarcado.Logo se verá! A visita a Portugal de Bento XVI é só em Maio. Até lá os bispos ficam sob atenta observação... Os bispos, o papa, a «sociedade civil» e as contrapartidas que, em silêncio, Governo e Igreja continuam a negociar entre si.
Jorge Messias ( Jornal Avante )
Quelha Funda
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Politzer
IV. — O que é a matéria? O que é o espírito?
Acabámos de ver, de uma maneira geral, como se foi levado a classificar as coisas, conforme são matéria ou
espírito.
Mas devemos precisar que esta distinção se faz sob diversas formas e com palavras diferentes.
É assim que, em vez de falar do espírito, falamos, afinal, do pensamento, das nossas ideias, da nossa
consciência, da alma, assim como, falando da natureza, do mundo, da terra, do ser, é da matéria que se trata.
Assim, ainda quando Engels, no seu livro «Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã», fala do
ser e do pensamento, o ser é a matéria; o pensamento, o espírito.
Para definir o que é o pensamento ou o espírito, o ser ou a matéria, diremos:
O pensamento é a ideia que fazemos das coisas; algumas dessas ideias vêm-nos ordinariamente das nossas
sensações e correspondem a objectos materiais; outras, como as de Deus, filosofia, infinito, do próprio
pensamento, não correspondem a objectos materiais. O essencial, que devemos fixar aqui, é que temos
ideias, pensamentos, sentimentos, porque vemos e sentimos.
A matéria ou o ser é o que as nossas sensações e percepções nos mostram e apresentam, é, duma maneira
geral, tudo o que nos rodeia, a que se chama o «mundo exterior». Exemplo: a minha folha de papel é branca.
Saber que é branca é uma ideia, e são os meus sentidos que me dão tal ideia. Mas a matéria é a própria folha.
É por isso que, quando os filósofos falam das relações entre o ser e o pensamento, ou entre o espírito e a
matéria, ou entre a consciência e o cérebro, etc, tudo isso diz respeito à mesma pergunta, e significa: qual é,
da matéria ou do espírito, do ser ou do pensamento, o termo mais importante? Qual é o que é anterior ao
outro? Tal é a interrogação fundamental da filosofia.
V. — A pergunta ou o problema fundamental da filosofia.
Não há ninguém que não se tenha interrogado em que nos tornamos depois da morte, de onde vem o mundo,
como se formou a Terra. E é-nos difícil admitir que sempre existiu qualquer coisa. Tem-se tendência em
pensar que num dado momento nada haveria. É por isso que é mais fácil acreditar no que ensina a religião:
«O espírito pairava sobre as trevas... depois veio a matéria». Do mesmo modo, perguntamo-nos onde estão
os nossos pensamentos, e, assim, põe-se-nos o problema das relações que existem entre o espírito e a
matéria, entre o cérebro e o pensamento. Há, aliás, muitas outras maneiras de pôr a questão. Por exemplo,
quais são as relações entre a vontade e o poder? A vontade é, aqui, o espírito, o pensamento; e o poder é o
que é possível, é o ser, a matéria. Encontramos, assim, muitas vezes, a questão das relações entre a
«consciência social» e a «existência social».
A pergunta fundamental da filosofia apresenta-se, pois, sob diferentes aspectos, e vê-se quanto é importante
reconhecer sempre a maneira em que se põe este problema das relações da matéria e do espírito, uma vez que
sabemos que só pode haver duas respostas a essa pergunta:
1. Uma resposta científica.
2. Uma resposta não científica.
Quelha Funda
IV. — O que é a matéria? O que é o espírito?
Acabámos de ver, de uma maneira geral, como se foi levado a classificar as coisas, conforme são matéria ou
espírito.
Mas devemos precisar que esta distinção se faz sob diversas formas e com palavras diferentes.
É assim que, em vez de falar do espírito, falamos, afinal, do pensamento, das nossas ideias, da nossa
consciência, da alma, assim como, falando da natureza, do mundo, da terra, do ser, é da matéria que se trata.
Assim, ainda quando Engels, no seu livro «Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã», fala do
ser e do pensamento, o ser é a matéria; o pensamento, o espírito.
Para definir o que é o pensamento ou o espírito, o ser ou a matéria, diremos:
O pensamento é a ideia que fazemos das coisas; algumas dessas ideias vêm-nos ordinariamente das nossas
sensações e correspondem a objectos materiais; outras, como as de Deus, filosofia, infinito, do próprio
pensamento, não correspondem a objectos materiais. O essencial, que devemos fixar aqui, é que temos
ideias, pensamentos, sentimentos, porque vemos e sentimos.
A matéria ou o ser é o que as nossas sensações e percepções nos mostram e apresentam, é, duma maneira
geral, tudo o que nos rodeia, a que se chama o «mundo exterior». Exemplo: a minha folha de papel é branca.
Saber que é branca é uma ideia, e são os meus sentidos que me dão tal ideia. Mas a matéria é a própria folha.
É por isso que, quando os filósofos falam das relações entre o ser e o pensamento, ou entre o espírito e a
matéria, ou entre a consciência e o cérebro, etc, tudo isso diz respeito à mesma pergunta, e significa: qual é,
da matéria ou do espírito, do ser ou do pensamento, o termo mais importante? Qual é o que é anterior ao
outro? Tal é a interrogação fundamental da filosofia.
V. — A pergunta ou o problema fundamental da filosofia.
Não há ninguém que não se tenha interrogado em que nos tornamos depois da morte, de onde vem o mundo,
como se formou a Terra. E é-nos difícil admitir que sempre existiu qualquer coisa. Tem-se tendência em
pensar que num dado momento nada haveria. É por isso que é mais fácil acreditar no que ensina a religião:
«O espírito pairava sobre as trevas... depois veio a matéria». Do mesmo modo, perguntamo-nos onde estão
os nossos pensamentos, e, assim, põe-se-nos o problema das relações que existem entre o espírito e a
matéria, entre o cérebro e o pensamento. Há, aliás, muitas outras maneiras de pôr a questão. Por exemplo,
quais são as relações entre a vontade e o poder? A vontade é, aqui, o espírito, o pensamento; e o poder é o
que é possível, é o ser, a matéria. Encontramos, assim, muitas vezes, a questão das relações entre a
«consciência social» e a «existência social».
A pergunta fundamental da filosofia apresenta-se, pois, sob diferentes aspectos, e vê-se quanto é importante
reconhecer sempre a maneira em que se põe este problema das relações da matéria e do espírito, uma vez que
sabemos que só pode haver duas respostas a essa pergunta:
1. Uma resposta científica.
2. Uma resposta não científica.
Quelha Funda
A Filosofia de Politzer
I. — Como devemos começar o estudo da filosofia?
Na nossa introdução, dissemos, várias vezes, que a filosofia do materialismo dialéctico era a base do
marxismo.
O fim a que nos propomos é o estudo dessa filosofia; mas, para chegar a ele, é preciso avançarmos por
etapas.
Quando falamos do materialismo dialéctico, deparam-se-nos duas palavras: materialismo e dialéctico, o que
quer dizer que o materialismo é dialéctico. Sabemos que antes de Marx e Engels o materialismo existia já,
mas que foram estes, com a ajuda das descobertas do século XIX, que o transformaram e criaram o
materialismo «dialéctico».
Examinaremos, mais tarde, o sentido da palavra «dialéctico», que designa a forma moderna do materialismo.
Mas, visto que, antes de Marx e Engels, houve filósofos materialistas (por exemplo, Diderot, no século
XVIII), e visto que há pontos comuns em todos os materialistas, é-nos, pois, necessário estudar a história do
materialismo, antes de abordar o materialismo dialéctico. É-nos preciso conhecer, igualmente, as concepções
que se opõem ao materialismo.
II. — Duas maneiras de explicar o mundo.
Vimos que a filosofia é o «estudo dos problemas mais gerais», e que tem por fim explicar o mundo, a
natureza, o homem.
Se abrirmos um manual de filosofia burguesa, ficamos espantados com o grande número de filosofias
diversas que aí se encontram. São designadas por múltiplas palavras, mais ou menos complicadas,
terminando em «ismo»: o criticismo, o evolucionismo, o intelectualismo, etc, e esta quantidade cria a
confusão. A burguesia, aliás, nada fez para esclarecer a situação, antes pelo contrário. Mas, podemos já fazer
a triagem de todos esses sistemas, e distinguir duas grandes correntes, duas concepções nitidamente opostas:
a) A concepção científica.
b) A concepção não científica do mundo.
III. — A matéria e o espírito.
Quando os filósofos tentaram explicar o mundo, a natureza, o homem, tudo o que nos rodeia, enfim, foram
levados a fazer distinções. Nós próprios constatamos que há coisas, objectos que são materiais, que vemos e
tocamos. Depois, outras realidades que não vemos e não podemos tocar, nem medir, como as nossas ideias.
Classificamos, portanto, assim as coisas: por um lado, as que são materiais; por outro, as que não o são, e
pertencem ao domínio do espírito, do pensamento, das ideias.
Foi assim que os filósofos se encontraram em presença da matéria e do espírito
I. — Como devemos começar o estudo da filosofia?
Na nossa introdução, dissemos, várias vezes, que a filosofia do materialismo dialéctico era a base do
marxismo.
O fim a que nos propomos é o estudo dessa filosofia; mas, para chegar a ele, é preciso avançarmos por
etapas.
Quando falamos do materialismo dialéctico, deparam-se-nos duas palavras: materialismo e dialéctico, o que
quer dizer que o materialismo é dialéctico. Sabemos que antes de Marx e Engels o materialismo existia já,
mas que foram estes, com a ajuda das descobertas do século XIX, que o transformaram e criaram o
materialismo «dialéctico».
Examinaremos, mais tarde, o sentido da palavra «dialéctico», que designa a forma moderna do materialismo.
Mas, visto que, antes de Marx e Engels, houve filósofos materialistas (por exemplo, Diderot, no século
XVIII), e visto que há pontos comuns em todos os materialistas, é-nos, pois, necessário estudar a história do
materialismo, antes de abordar o materialismo dialéctico. É-nos preciso conhecer, igualmente, as concepções
que se opõem ao materialismo.
II. — Duas maneiras de explicar o mundo.
Vimos que a filosofia é o «estudo dos problemas mais gerais», e que tem por fim explicar o mundo, a
natureza, o homem.
Se abrirmos um manual de filosofia burguesa, ficamos espantados com o grande número de filosofias
diversas que aí se encontram. São designadas por múltiplas palavras, mais ou menos complicadas,
terminando em «ismo»: o criticismo, o evolucionismo, o intelectualismo, etc, e esta quantidade cria a
confusão. A burguesia, aliás, nada fez para esclarecer a situação, antes pelo contrário. Mas, podemos já fazer
a triagem de todos esses sistemas, e distinguir duas grandes correntes, duas concepções nitidamente opostas:
a) A concepção científica.
b) A concepção não científica do mundo.
III. — A matéria e o espírito.
Quando os filósofos tentaram explicar o mundo, a natureza, o homem, tudo o que nos rodeia, enfim, foram
levados a fazer distinções. Nós próprios constatamos que há coisas, objectos que são materiais, que vemos e
tocamos. Depois, outras realidades que não vemos e não podemos tocar, nem medir, como as nossas ideias.
Classificamos, portanto, assim as coisas: por um lado, as que são materiais; por outro, as que não o são, e
pertencem ao domínio do espírito, do pensamento, das ideias.
Foi assim que os filósofos se encontraram em presença da matéria e do espírito
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
O Palhaço
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.
Mário Crespo ( Jornal de Notícias )
Quelha Funda
O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.
O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.
Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.
O palhaço é ruído de fundo que há-de acabar como todo o mal. Mas antes ainda vai viabilizar orçamentos e centros comerciais em cima de reservas da natureza, ocupar bancos e construir comboios que ninguém quer. Vai destruir estádios que construiu e que afinal ninguém queria. E vai fazer muito barulho com as suas pandeiretas digitais saracoteando-se em palhaçadas por comissões parlamentares, comarcas, ordens, jornais, gabinetes e presidências, conselhos e igrejas, escolas e asilos, roubando e violando porque acha que o pode fazer. Porque acha que é regimental e normal agredir violar e roubar.
E com isto o palhaço tem vindo a crescer e a ocupar espaço e a perder cada vez mais vergonha. O palhaço é inimputável. Porque não lhe tem acontecido nada desde que conseguiu uma passagem administrativa ou aprendeu o inglês dos técnicos e se tornou político. Este é o país do palhaço. Nós é que estamos a mais. E continuaremos a mais enquanto o deixarmos cá estar. A escolha é simples.
Ou nós, ou o palhaço.
Mário Crespo ( Jornal de Notícias )
Quelha Funda
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Pobreza, FMI e Igreja
As recentes eleições legislativas em Portugal não travaram o declive que termina no abismo para onde Sócrates conduz o Estado. Quinhentos trabalhadores são diariamente lançados no desemprego e o caudal não cessa de crescer. O défice público, ou seja, o dinheiro que o capitalismo mundial «empresta» ao capitalismo português para este não entrar em bancarrota, deu um salto de gigante e, segundo consta, representa já cerca de 10% do PIB. No próximo Orçamento do Estado se verá que contas faz o Governo quanto ao «Estado da Nação». Por falarmos em contas: o Eurostat, estrutura da União Europeia, também deitou contas aos números do desemprego e contou 561 mil desempregados em Portugal. É evidente que, como sempre acontece com as estatísticas, estes números são incompletos. Os desempregados de que fala o Eurostat são apenas os que se encontram registados nos ficheiros dos serviços de emprego oficiais. Não compreendem a multidão daqueles que não estão registados ou trabalham sem garantias (isto é, trabalham mas não têm emprego). A cada momento cresce este «exército da noite», alimentado permanentemente pelo Governo do PS que anula direitos, corta orçamentos e não desiste de tentar impor mais e mais sacrifícios aos trabalhadores. Por cada novo desempregado há uma família que atinge a linha da pobreza. Por isso, a «mancha de pobreza» alastra em Portugal e o número de pobres, calcula-se, é de cerca de dois milhões. Para desenvolver a economia e criar postos de trabalho, o Governo de Sócrates afirma não ter verbas. Mas, só até Setembro, os cinco maiores bancos do país registaram lucros de 1403 milhões de euros.Não há margem para dúvidas: o grande senhor do poder em Portugal é o Fundo Monetário Internacional, o FMI. A partir de Janeiro de 2010 vai instalar no País uma rede de delegações que velarão pela imposição dos interesses argentários internacionais. Para não perder tempo, o FMI começou a divulgar, desde já, as suas «recomendações»: em 2010, cortes nos salários e nas pensões, ajustamentos na Função Pública, correcções nos apoios sociais, aumento dos impostos, revisões dos subsídios, etc., etc. Mais miséria, mais desemprego, mais falências, mais exploração.Noutro quadrante – o militar – registou-se recentemente uma equívoca declaração do Chefe do Estado-Maior do Exército(CEME): «O Exército está disponível para ajudar na área da segurança interna.» Para bom entendedor meia palavra basta.Caridade cristãEste panorama catastrófico parece não afectar os bispos, a julgar pelo seu espesso silêncio. Nem mesmo quando a degradação moral se revela em sucessivos casos de corrupção e de intrigas. Mas a pobreza, sobretudo a «envergonhada» – lembra a Igreja – é filha dilecta do episcopado. Ainda há bem pouco tempo, na quadra natalícia, a Igreja lembrou-se dos pobres e organizou, através da Cáritas e de outras ONGS piedosas, uma grande recolha de produtos alimentares oferecidos pela população e distribuídos pelas instituições da sociedade civil católica. O esquema da operação foi planificado pelo Patriarcado, organizado pelas IPSS e servido pelo Voluntariado católico que se distribuiu estrategicamente pelas «grandes superfícies» de Lisboa. Foi um êxito e as IPSS recolheram muitas toneladas de vários produtos. A população comprava nas «grandes superfícies» os produtos que quisesse oferecer, a preços do mercado; a organização católica e caritativa central recebia as ofertas, dividia-as em lotes e distribuía-os, depois pelas ONGS e IPSS, também católicas. Encargos com a iniciativa: nulos. O voluntariado não é pago e as organizações interveniente não têm intuitos lucrativos. É certo que o papel do «combate à pobreza» deveria competir ao Estado. Mas como este nada faz, ao menos que se dê uma esmola cristã aos pobres. Sem lucros materiais ou benefícios de influência.É aqui que se pode levantar uma dúvida.Nos supermercados, o aumento das vendas traduz-se em lucros. E se a compra das ofertas foi feita a preços correntes, esse lucro foi bem recebido pelo patronato. Em segundo lugar, a organização caritativa agiu sob estrito controlo da Igreja que distribuiu os produtos por outras instituições católicas, as quais as entregaram a pobres que elas próprias previamente seleccionaram. Aqui, os lucros foram de influência para a acção católica.Poderá afirmar-se que a Igreja não lucrou indirectamente? Enfim, será possível. Mas só em presença da «carteira de acções» que ela detém na área dos supermercados se poderia concluir. E esse dado é confidencial. Está «no segredo dos deuses»...
Jorge Messias ( Jornal Avante )
Quelha Funda
As recentes eleições legislativas em Portugal não travaram o declive que termina no abismo para onde Sócrates conduz o Estado. Quinhentos trabalhadores são diariamente lançados no desemprego e o caudal não cessa de crescer. O défice público, ou seja, o dinheiro que o capitalismo mundial «empresta» ao capitalismo português para este não entrar em bancarrota, deu um salto de gigante e, segundo consta, representa já cerca de 10% do PIB. No próximo Orçamento do Estado se verá que contas faz o Governo quanto ao «Estado da Nação». Por falarmos em contas: o Eurostat, estrutura da União Europeia, também deitou contas aos números do desemprego e contou 561 mil desempregados em Portugal. É evidente que, como sempre acontece com as estatísticas, estes números são incompletos. Os desempregados de que fala o Eurostat são apenas os que se encontram registados nos ficheiros dos serviços de emprego oficiais. Não compreendem a multidão daqueles que não estão registados ou trabalham sem garantias (isto é, trabalham mas não têm emprego). A cada momento cresce este «exército da noite», alimentado permanentemente pelo Governo do PS que anula direitos, corta orçamentos e não desiste de tentar impor mais e mais sacrifícios aos trabalhadores. Por cada novo desempregado há uma família que atinge a linha da pobreza. Por isso, a «mancha de pobreza» alastra em Portugal e o número de pobres, calcula-se, é de cerca de dois milhões. Para desenvolver a economia e criar postos de trabalho, o Governo de Sócrates afirma não ter verbas. Mas, só até Setembro, os cinco maiores bancos do país registaram lucros de 1403 milhões de euros.Não há margem para dúvidas: o grande senhor do poder em Portugal é o Fundo Monetário Internacional, o FMI. A partir de Janeiro de 2010 vai instalar no País uma rede de delegações que velarão pela imposição dos interesses argentários internacionais. Para não perder tempo, o FMI começou a divulgar, desde já, as suas «recomendações»: em 2010, cortes nos salários e nas pensões, ajustamentos na Função Pública, correcções nos apoios sociais, aumento dos impostos, revisões dos subsídios, etc., etc. Mais miséria, mais desemprego, mais falências, mais exploração.Noutro quadrante – o militar – registou-se recentemente uma equívoca declaração do Chefe do Estado-Maior do Exército(CEME): «O Exército está disponível para ajudar na área da segurança interna.» Para bom entendedor meia palavra basta.Caridade cristãEste panorama catastrófico parece não afectar os bispos, a julgar pelo seu espesso silêncio. Nem mesmo quando a degradação moral se revela em sucessivos casos de corrupção e de intrigas. Mas a pobreza, sobretudo a «envergonhada» – lembra a Igreja – é filha dilecta do episcopado. Ainda há bem pouco tempo, na quadra natalícia, a Igreja lembrou-se dos pobres e organizou, através da Cáritas e de outras ONGS piedosas, uma grande recolha de produtos alimentares oferecidos pela população e distribuídos pelas instituições da sociedade civil católica. O esquema da operação foi planificado pelo Patriarcado, organizado pelas IPSS e servido pelo Voluntariado católico que se distribuiu estrategicamente pelas «grandes superfícies» de Lisboa. Foi um êxito e as IPSS recolheram muitas toneladas de vários produtos. A população comprava nas «grandes superfícies» os produtos que quisesse oferecer, a preços do mercado; a organização católica e caritativa central recebia as ofertas, dividia-as em lotes e distribuía-os, depois pelas ONGS e IPSS, também católicas. Encargos com a iniciativa: nulos. O voluntariado não é pago e as organizações interveniente não têm intuitos lucrativos. É certo que o papel do «combate à pobreza» deveria competir ao Estado. Mas como este nada faz, ao menos que se dê uma esmola cristã aos pobres. Sem lucros materiais ou benefícios de influência.É aqui que se pode levantar uma dúvida.Nos supermercados, o aumento das vendas traduz-se em lucros. E se a compra das ofertas foi feita a preços correntes, esse lucro foi bem recebido pelo patronato. Em segundo lugar, a organização caritativa agiu sob estrito controlo da Igreja que distribuiu os produtos por outras instituições católicas, as quais as entregaram a pobres que elas próprias previamente seleccionaram. Aqui, os lucros foram de influência para a acção católica.Poderá afirmar-se que a Igreja não lucrou indirectamente? Enfim, será possível. Mas só em presença da «carteira de acções» que ela detém na área dos supermercados se poderia concluir. E esse dado é confidencial. Está «no segredo dos deuses»...
Jorge Messias ( Jornal Avante )
Quelha Funda
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Porreiro, pá
2009-12-07
Eu sei que é importante. Ou melhor. Uma parte de mim acha que é importante. Melhor ainda. Parte de mim acha que deve ser importante embora, muito de mim, ache que não é. Este tratado de Lisboa não pode ter importância nenhuma para as centenas de pessoas da Quimonda que já não havia há anos mas que ninguém queria ver que já lá não estava. O que quer que tenha sido rubricado em Lisboa nada significa para as centenas da Lear que vão juntar-se às centenas da Quimonda e da Delphi e da Aerosoles e da Opel e da Leoni e para as centenas de milhar que trabalhavam em coisas que estão desaparecer sem deixar sequer um nome a recordar promessas passadas do ontem que dor deixou e não deixou mais nada. Só que, contrariamente a mim, essas centenas de milhar já não hesitam. Não concedem benefícios de dúvida. Têm a certeza que o que foi assinado em Lisboa nada tem a ver com esta Segunda-feira com as crianças a ir para a escola: "Bebe o leite a meio da manhã filha.". "Bebe o leite a meio da manhã filho.". "Come tudo ao lanche porque senão ficas com fome durante o resto do dia.". E o resto da noite. "Come tudo, filho", que a mãe hoje vai ao Banco Alimentar. E amanhã é já outro dia. "Tenho aqui um curso de jardineiro. Para estofadores não há nada. Nem para torneiros. Nem para escriturários. Assine aqui por favor." Não. De facto a assinatura de Lisboa não lhes pode dizer nada. E só com muito esforço é que vale alguma coisa para mim. Um esforço feito de infinitas cumplicidades em que eu (já só pode ser por desleixo) finjo acreditar que é justo gastar um milhão de Euros numa tenda de plástico e em luzes e em fogo de artifício para secar a chuva da noite de um Domingo de plástico para me convencerem de que a Europa vai bem e fazer-me esquecer que nas Segundas-feiras a seguir há centros de saúde com gente cheia de dores de dentes, mesmo sabendo que lá não se trata dos dentes, mesmo sabendo que se tem setenta pessoas à frente e se vai ficar no corredor de pé à espera, com frio e com calor, e com dores de dentes. E que agora se vai nascer a Espanha porque é melhor. É um esforço de desmazelo espiritual, acreditar que na tenda electrónica de Domingo, depois de um qualquer pacto monstruoso, o projecto Europeu está vibrante e pujante e importante quando a chuva que anuncia todos os invernos que aí vêm continua cair e só não encharca as comitivas que vêm a Lisboa de jacto executivo porque o plástico da barraca nacional cobre tudo até à passadeira vermelha feita na China onde param as altas cilindradas alemãs feitas no Leste por gentes sem serviço nacional de saúde. E há cada vez mais polícia cá fora. Depois fica relva pisada e lama no chão. É o que sobra levantada a tenda e o circo. E sem bom senso e pudor, não sobra nada a não ser um décimo de Portugal que vai na Segunda-feira aos centros de desemprego, ao leite gratuito da escola, ao Banco Alimentar e aos outros sítios onde é difícil acreditar no que quer que seja. Porque não faz sentido acreditar. Não é real. Não há realidade na Presidência transferida para um hotel de luxo no Estoril para fingir, não se sabe bem o quê, durante três dias de imitação de preocupações democráticas globais num vamos-brincar-às-super-potências. Nem há realidade na barraca do tratado das ilusões plásticas e ópticas e electrónicas onde se finge que se governa, que se preside, que se é relevante. Quando não se é. A realidade está na fila do desemprego. O Fundo Monetário Internacional sabe disso.
Mário Crespo ( Jornal De Notícias )
Quelha Funda
2009-12-07
Eu sei que é importante. Ou melhor. Uma parte de mim acha que é importante. Melhor ainda. Parte de mim acha que deve ser importante embora, muito de mim, ache que não é. Este tratado de Lisboa não pode ter importância nenhuma para as centenas de pessoas da Quimonda que já não havia há anos mas que ninguém queria ver que já lá não estava. O que quer que tenha sido rubricado em Lisboa nada significa para as centenas da Lear que vão juntar-se às centenas da Quimonda e da Delphi e da Aerosoles e da Opel e da Leoni e para as centenas de milhar que trabalhavam em coisas que estão desaparecer sem deixar sequer um nome a recordar promessas passadas do ontem que dor deixou e não deixou mais nada. Só que, contrariamente a mim, essas centenas de milhar já não hesitam. Não concedem benefícios de dúvida. Têm a certeza que o que foi assinado em Lisboa nada tem a ver com esta Segunda-feira com as crianças a ir para a escola: "Bebe o leite a meio da manhã filha.". "Bebe o leite a meio da manhã filho.". "Come tudo ao lanche porque senão ficas com fome durante o resto do dia.". E o resto da noite. "Come tudo, filho", que a mãe hoje vai ao Banco Alimentar. E amanhã é já outro dia. "Tenho aqui um curso de jardineiro. Para estofadores não há nada. Nem para torneiros. Nem para escriturários. Assine aqui por favor." Não. De facto a assinatura de Lisboa não lhes pode dizer nada. E só com muito esforço é que vale alguma coisa para mim. Um esforço feito de infinitas cumplicidades em que eu (já só pode ser por desleixo) finjo acreditar que é justo gastar um milhão de Euros numa tenda de plástico e em luzes e em fogo de artifício para secar a chuva da noite de um Domingo de plástico para me convencerem de que a Europa vai bem e fazer-me esquecer que nas Segundas-feiras a seguir há centros de saúde com gente cheia de dores de dentes, mesmo sabendo que lá não se trata dos dentes, mesmo sabendo que se tem setenta pessoas à frente e se vai ficar no corredor de pé à espera, com frio e com calor, e com dores de dentes. E que agora se vai nascer a Espanha porque é melhor. É um esforço de desmazelo espiritual, acreditar que na tenda electrónica de Domingo, depois de um qualquer pacto monstruoso, o projecto Europeu está vibrante e pujante e importante quando a chuva que anuncia todos os invernos que aí vêm continua cair e só não encharca as comitivas que vêm a Lisboa de jacto executivo porque o plástico da barraca nacional cobre tudo até à passadeira vermelha feita na China onde param as altas cilindradas alemãs feitas no Leste por gentes sem serviço nacional de saúde. E há cada vez mais polícia cá fora. Depois fica relva pisada e lama no chão. É o que sobra levantada a tenda e o circo. E sem bom senso e pudor, não sobra nada a não ser um décimo de Portugal que vai na Segunda-feira aos centros de desemprego, ao leite gratuito da escola, ao Banco Alimentar e aos outros sítios onde é difícil acreditar no que quer que seja. Porque não faz sentido acreditar. Não é real. Não há realidade na Presidência transferida para um hotel de luxo no Estoril para fingir, não se sabe bem o quê, durante três dias de imitação de preocupações democráticas globais num vamos-brincar-às-super-potências. Nem há realidade na barraca do tratado das ilusões plásticas e ópticas e electrónicas onde se finge que se governa, que se preside, que se é relevante. Quando não se é. A realidade está na fila do desemprego. O Fundo Monetário Internacional sabe disso.
Mário Crespo ( Jornal De Notícias )
Quelha Funda
domingo, 6 de dezembro de 2009
Filosofia de Politzer
VI. — Campanhas da burguesia contra o marxismo.
Estas tentativas de falsificação apoiam-se em bases muito variadas. Procura-se levantar contra o marxismo os
autores socialistas do período pré-marxista (antes de Marx). É assim que vemos, muitas vezes, utilizar contra
Marx os «utopistas». Outros servem-se de Proudhon; outros, ainda, bebem nos revisionistas de antes de 1914
(portanto magistralmente refutados por Lénine). Mas o que interessa sobretudo sublinhar é a campanha de
silêncio que a burguesia faz contra o marxismo. Particularmente, tudo tem feito para impedir que seja
conhecida a filosofia materialista sob a sua forma marxista. Impressionante a este respeito é o conjunto do
ensino filosófico tal como é dado em França.
Nos estabelecimentos de ensino secundário, ensina-se a filosofia. Mas pode acompanhar-se todo esse ensino
sem jamais aprender que existe uma filosofia materialista elaborada por Marx e Engels. Quando, nos
manuais de filosofia, se fala de materialismo (porque é conveniente falar nisso), o marxismo e o
materialismo são sempre abordados em separado. Apresenta-se o marxismo, em geral, unicamente como
uma doutrina política, e, quando se fala do materialismo histórico, não se fala a este respeito da filosofia do
materialismo; enfim, ignora-se tudo do materialismo dialéctico.
Esta situação não existe somente nas escolas e liceus: é exactamente a mesma nas Universidades. O facto
mais característico é que pode ser-se, em França, um «especialista» da filosofia, munido dos diplomas mais
distintos que as Universidades francesas passam, sem saber que o marxismo tem uma filosofia, que é o
materialismo, e sem saber que o materialismo tradicional tem uma forma moderna, que é o marxismo, ou
materialismo dialéctico.
Nós, queremos demonstrar que o marxismo comporta uma concepção geral, não apenas da sociedade, mas,
ainda, do próprio universo. É, pois, inútil, contrariamente ao que alguns pretendem, lamentar que o grande
defeito do marxismo seja a sua falta de filosofia, e querer, como alguns teóricos do movimento operário, ir à
procura dessa filosofia que falta ao marxismo. Porque o marxismo tem uma filosofia, que é o materialismo
dialéctico.
Porém, apesar desta campanha de silêncio, apesar de todas as falsificações e precauções tomadas pelas
classes dirigentes, o marxismo e a sua filosofia começam a ser cada vez mais conhecidos
Quelha funda
VI. — Campanhas da burguesia contra o marxismo.
Estas tentativas de falsificação apoiam-se em bases muito variadas. Procura-se levantar contra o marxismo os
autores socialistas do período pré-marxista (antes de Marx). É assim que vemos, muitas vezes, utilizar contra
Marx os «utopistas». Outros servem-se de Proudhon; outros, ainda, bebem nos revisionistas de antes de 1914
(portanto magistralmente refutados por Lénine). Mas o que interessa sobretudo sublinhar é a campanha de
silêncio que a burguesia faz contra o marxismo. Particularmente, tudo tem feito para impedir que seja
conhecida a filosofia materialista sob a sua forma marxista. Impressionante a este respeito é o conjunto do
ensino filosófico tal como é dado em França.
Nos estabelecimentos de ensino secundário, ensina-se a filosofia. Mas pode acompanhar-se todo esse ensino
sem jamais aprender que existe uma filosofia materialista elaborada por Marx e Engels. Quando, nos
manuais de filosofia, se fala de materialismo (porque é conveniente falar nisso), o marxismo e o
materialismo são sempre abordados em separado. Apresenta-se o marxismo, em geral, unicamente como
uma doutrina política, e, quando se fala do materialismo histórico, não se fala a este respeito da filosofia do
materialismo; enfim, ignora-se tudo do materialismo dialéctico.
Esta situação não existe somente nas escolas e liceus: é exactamente a mesma nas Universidades. O facto
mais característico é que pode ser-se, em França, um «especialista» da filosofia, munido dos diplomas mais
distintos que as Universidades francesas passam, sem saber que o marxismo tem uma filosofia, que é o
materialismo, e sem saber que o materialismo tradicional tem uma forma moderna, que é o marxismo, ou
materialismo dialéctico.
Nós, queremos demonstrar que o marxismo comporta uma concepção geral, não apenas da sociedade, mas,
ainda, do próprio universo. É, pois, inútil, contrariamente ao que alguns pretendem, lamentar que o grande
defeito do marxismo seja a sua falta de filosofia, e querer, como alguns teóricos do movimento operário, ir à
procura dessa filosofia que falta ao marxismo. Porque o marxismo tem uma filosofia, que é o materialismo
dialéctico.
Porém, apesar desta campanha de silêncio, apesar de todas as falsificações e precauções tomadas pelas
classes dirigentes, o marxismo e a sua filosofia começam a ser cada vez mais conhecidos
Quelha funda
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Amarguras de Natal
O Natal tem um sabor cada vez mais amargo num mundo cada vez mais cruel. Os ricos são cada vez mais ricos. Os pobres cada vez mais pobres. As guerras alimentam as fortunas. A mentira encobre a corrupção. A tortura é prática normal. Na malha dos países ditos civilizados imperam as mafias, a maçonaria, o Opus Dei, o secretismo das magnas operações fraudulentas de bancos e banqueiros.Mas vem aí o Natal e isso é que conta. Belo pretexto para perdoar o crime e para mascarar de virtude tudo aquilo que é, de facto, escândalo e corrupção. O Natal é a época dos indultos e este ano há muito que indultar. Veremos o que acontece aos ladrões...Portugal é um vasto pantanal. O emprego é de tal forma caótico que ninguém sabe ao certo qual o número de desempregados, quantos cidadãos recebem a «esmola» de um recibo verde, quantas famílias dependem, para comer, da «caridade» do Estado ou dos privados, qual é a política do Governo para atalhar à crise financeira, acelerar a produção, distribuir a riqueza e garantir emprego aos portugueses. Um dos picos da imoralidade pública e privada atinge-se quando os ministros fingem ignorar o que se passa ou os banqueiros declaram acerca dos roubos ou dos desfalques terem «a consciência tranquila». É um nojo.Mas vem aí mais um Natal, a quadra dos bons sentimentos. As ONGS e as IPSS desdobram-se em actividades caritativas com os olhos postos nos desempregados. Compram, vendem e trocam. Para os pobres migalhas e para os supermercados grossas fatias do suculento bolo. Também, agora que estamos no Natal, a Fundação Bill Gates lançou, com sentido de humor, uma rede de bancos para os pobres. E, numa linha da cultura da santa ignorância, Bento XVI declarou no Vaticano acerca do desemprego: «Sei que várias famílias passam necessidades... Não percam a coragem.»Entretanto, em Portugal, as finanças da igreja prosperam graças a muitos factores como as cotações da Bolsa, os negócios dos jogos da Santa Casa, a sábia política dos investimentos eclesiásticos ou as novas oportunidades de negócios no turismo, no imobiliário, nas energias renováveis, nos conteúdos informáticos, etc., etc.Os mitos do NatalO casamento da Igreja com o capitalismo é um facto a tal ponto reconhecido que o Vaticano já nem sequer desmente aqueles que se lembram de o denunciar. Sentados nos seus cadeirões do Patriarcado, os bispos olham com curiosidade o que se passa no País mas nada dizem. É que neste casamento, a Igreja não é um ser passivo mas um agente activo do mercado. Melhor é calar do que afundar ainda mais os amigos de peito. São atitudes inconcebíveis que se chocam com a proclamada «solicitude social» da Igreja e colidem com os textos sagrados («é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus»). Quando é preciso, os bispos mandam tudo isto às urtigas. O segredo é bem a alma do negócio.Por entre os mitos do Natal não faltam outras contradições. A que parece ser a mais importante tem a ver com a incapacidade de reacção do povo católico face ao que está a acontecer. Duas décadas atrás, num quadro religioso bem menos grave, a teologia da libertação arrastou multidões e fez estremecer o Santo Ofício. Agora, nada. O povo católico parece anestesiado e, ao que parece, conforma-se com a traição ideológica dos seus chefes. Muitos católicos perderam a fé que até aí confundiam com a ética pregada pela Igreja e com as falsas imagens de riqueza e de prosperidade em que o materialismo capitalista é fértil. Para muita gente, o «saco das promessas» esvaziou-se. E pensam: «se tudo é mentira não vale a pena lutar!».É esta atitude que deve ser combatida. O católico é crente mas também é cidadão. Tem deveres para com a Igreja mas deve recusar colocá-los acima do respeito pelo bem comum e pela rectidão. O casamento com o capitalismo tem de dar lugar ao divórcio. O respeito pela própria fé exige do povo católico uma intervenção activa junto do clero, no sentido de «expulsar os vendilhões do templo».
Jorge Messias ( Jornal Avante )
Quelha Funda
O Natal tem um sabor cada vez mais amargo num mundo cada vez mais cruel. Os ricos são cada vez mais ricos. Os pobres cada vez mais pobres. As guerras alimentam as fortunas. A mentira encobre a corrupção. A tortura é prática normal. Na malha dos países ditos civilizados imperam as mafias, a maçonaria, o Opus Dei, o secretismo das magnas operações fraudulentas de bancos e banqueiros.Mas vem aí o Natal e isso é que conta. Belo pretexto para perdoar o crime e para mascarar de virtude tudo aquilo que é, de facto, escândalo e corrupção. O Natal é a época dos indultos e este ano há muito que indultar. Veremos o que acontece aos ladrões...Portugal é um vasto pantanal. O emprego é de tal forma caótico que ninguém sabe ao certo qual o número de desempregados, quantos cidadãos recebem a «esmola» de um recibo verde, quantas famílias dependem, para comer, da «caridade» do Estado ou dos privados, qual é a política do Governo para atalhar à crise financeira, acelerar a produção, distribuir a riqueza e garantir emprego aos portugueses. Um dos picos da imoralidade pública e privada atinge-se quando os ministros fingem ignorar o que se passa ou os banqueiros declaram acerca dos roubos ou dos desfalques terem «a consciência tranquila». É um nojo.Mas vem aí mais um Natal, a quadra dos bons sentimentos. As ONGS e as IPSS desdobram-se em actividades caritativas com os olhos postos nos desempregados. Compram, vendem e trocam. Para os pobres migalhas e para os supermercados grossas fatias do suculento bolo. Também, agora que estamos no Natal, a Fundação Bill Gates lançou, com sentido de humor, uma rede de bancos para os pobres. E, numa linha da cultura da santa ignorância, Bento XVI declarou no Vaticano acerca do desemprego: «Sei que várias famílias passam necessidades... Não percam a coragem.»Entretanto, em Portugal, as finanças da igreja prosperam graças a muitos factores como as cotações da Bolsa, os negócios dos jogos da Santa Casa, a sábia política dos investimentos eclesiásticos ou as novas oportunidades de negócios no turismo, no imobiliário, nas energias renováveis, nos conteúdos informáticos, etc., etc.Os mitos do NatalO casamento da Igreja com o capitalismo é um facto a tal ponto reconhecido que o Vaticano já nem sequer desmente aqueles que se lembram de o denunciar. Sentados nos seus cadeirões do Patriarcado, os bispos olham com curiosidade o que se passa no País mas nada dizem. É que neste casamento, a Igreja não é um ser passivo mas um agente activo do mercado. Melhor é calar do que afundar ainda mais os amigos de peito. São atitudes inconcebíveis que se chocam com a proclamada «solicitude social» da Igreja e colidem com os textos sagrados («é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus»). Quando é preciso, os bispos mandam tudo isto às urtigas. O segredo é bem a alma do negócio.Por entre os mitos do Natal não faltam outras contradições. A que parece ser a mais importante tem a ver com a incapacidade de reacção do povo católico face ao que está a acontecer. Duas décadas atrás, num quadro religioso bem menos grave, a teologia da libertação arrastou multidões e fez estremecer o Santo Ofício. Agora, nada. O povo católico parece anestesiado e, ao que parece, conforma-se com a traição ideológica dos seus chefes. Muitos católicos perderam a fé que até aí confundiam com a ética pregada pela Igreja e com as falsas imagens de riqueza e de prosperidade em que o materialismo capitalista é fértil. Para muita gente, o «saco das promessas» esvaziou-se. E pensam: «se tudo é mentira não vale a pena lutar!».É esta atitude que deve ser combatida. O católico é crente mas também é cidadão. Tem deveres para com a Igreja mas deve recusar colocá-los acima do respeito pelo bem comum e pela rectidão. O casamento com o capitalismo tem de dar lugar ao divórcio. O respeito pela própria fé exige do povo católico uma intervenção activa junto do clero, no sentido de «expulsar os vendilhões do templo».
Jorge Messias ( Jornal Avante )
Quelha Funda
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Notícias da Igreja
Já aqui foi dito e repetido acerca dos deveres morais e cívicos da Igreja católica: a Igreja eclesiástica não pode tentar alimentar a lenda que teceu a respeito de si própria de ser «perita em humanidades» e «defensora dos pobres». As realidades que se vão revelando destróem essas teses.A revista de negócios Forbes publicou uma estatística acerca das personalidades mais ricas e poderosas do mundo. Nela figura, logo a seguir a Bill Gates (um multimilionário de coração sensível) o actual Papa Bento XVI que a Forbes descreve como o gestor da «mais antiga multinacional do Mundo». Em todos os países capitalistas continuam as falências das pequenas e médias empresas, o desemprego e a desprotecção dos trabalhadores. Simultaneamente, as superestruturas financeiras injectam na banca e nas mais gigantescas super-holdings biliões de dólares, sem os quais estas já teriam falido e, com elas, todo o sistema capitalista mundial. Políticas desumanas e anti-sociais que, no futuro próximo, os povos pagarão cruelmente. A crise continua e aprofunda-se a níveis e ritmos nunca vistos, tal como o fosso entre ricos e pobres que o Vaticano condena com uma mão e apoia com a outra.Há cada vez mais «guerras e rumores de guerras». Conflitos brutais como os do Médio Oriente e do Afeganistão, continuam a consumir centenas de milhares de vidas. E onde param as promessas de encerramento de Guantánamo e outros centros de tortura, os planos de desarmamento mundial, a defesa da Natureza, a protecção das minorias, o respeito pelos direitos do homem? A Igreja, ou se alheia destas questões, usando uma táctica pré-concebida, ou opta por dois rostos e duas medidas, escolhendo fazer a defesa dos interesses dos ricos contra os direitos básicos dos pobres.Portugal e os políticos eclesiásticos capitalistasNo Portugal da «era de Sócrates», da dinastia de Cavaco Silva e de Guterres, a Igreja portuguesa, nomeadamente através da sua Conferência Episcopal, cala-se ou mal balbucia. Há desemprego endémico e constante? A Igreja não o denúncia.As mentiras e os escândalos sucedem-se, sempre a partir de núcleos da esfera governamental e das fortunas? A Conferência Episcopal silencia e encobre todos eles, «em nome de Deus» e da «reconciliação de classes». Alastra galopantemente a pobreza e a miséria enquanto que, apenas nos nove primeiros meses de 2009, os cinco maiores bancos portugueses tiveram lucros declarados de 1403 milhões de euros e foram beneficiados pelo Estado em mais de cinco mil milhões para «refinanciamento da banca». A Conferência Episcopal talvez que desta infâmia se não aperceba, recolhida como está na Transcendência. No entanto, seria bom que em nome da justiça «denunciasse e anunciasse», como diz a doutrina e revelasse publicamente o montante da carteira de acções que a Igreja gere na banca portuguesa e nas grandes transnacionais.Há mais (há sempre mais) mas isto chega para que os católicos honestos interpelem os seu bispos, em nome da ética cristã e dos princípios da teologia moral.Que papel é necessariamente o de uma igreja numa sociedade corrupta e «tangível», como diria Teillard de Chardin? «Ai daqueles por quem o escândalo vier»! Muito bem. Mas não será que os bispos fazem parte do escândalo? Como, por exemplo, no caso recente da compra da TVI, um escândalo entre tantos outros que marcam os «caminhos da Igreja»?Não está em causa ser-se católico, protestante, muçulmano ou budista. Nem está em causa, em dimensões de fé, que um cidadão português pertença a uma congregação qualquer. Mas é indesculpável que para se ser crente se despreze a razão, os deveres de cidadania e, sobretudo, a defesa dos direitos dos povos e dos trabalhadores.Ainda este mês, os movimentos da Acção Católica tiveram um encontro nacional mas evitaram os «temas fracturantes». Também a Conferência Episcopal se reuniu e comunicado final da reunião foi oco e decepcionante. Interpelado pela imprensa, o seu porta-voz, o padre Morujão, revelou que «a Igreja não quer ter problemas com o actual Governo».Não é preciso pôr mais na carta...
Jorge Messias -- Jornal Avante
Quelha Funda
Já aqui foi dito e repetido acerca dos deveres morais e cívicos da Igreja católica: a Igreja eclesiástica não pode tentar alimentar a lenda que teceu a respeito de si própria de ser «perita em humanidades» e «defensora dos pobres». As realidades que se vão revelando destróem essas teses.A revista de negócios Forbes publicou uma estatística acerca das personalidades mais ricas e poderosas do mundo. Nela figura, logo a seguir a Bill Gates (um multimilionário de coração sensível) o actual Papa Bento XVI que a Forbes descreve como o gestor da «mais antiga multinacional do Mundo». Em todos os países capitalistas continuam as falências das pequenas e médias empresas, o desemprego e a desprotecção dos trabalhadores. Simultaneamente, as superestruturas financeiras injectam na banca e nas mais gigantescas super-holdings biliões de dólares, sem os quais estas já teriam falido e, com elas, todo o sistema capitalista mundial. Políticas desumanas e anti-sociais que, no futuro próximo, os povos pagarão cruelmente. A crise continua e aprofunda-se a níveis e ritmos nunca vistos, tal como o fosso entre ricos e pobres que o Vaticano condena com uma mão e apoia com a outra.Há cada vez mais «guerras e rumores de guerras». Conflitos brutais como os do Médio Oriente e do Afeganistão, continuam a consumir centenas de milhares de vidas. E onde param as promessas de encerramento de Guantánamo e outros centros de tortura, os planos de desarmamento mundial, a defesa da Natureza, a protecção das minorias, o respeito pelos direitos do homem? A Igreja, ou se alheia destas questões, usando uma táctica pré-concebida, ou opta por dois rostos e duas medidas, escolhendo fazer a defesa dos interesses dos ricos contra os direitos básicos dos pobres.Portugal e os políticos eclesiásticos capitalistasNo Portugal da «era de Sócrates», da dinastia de Cavaco Silva e de Guterres, a Igreja portuguesa, nomeadamente através da sua Conferência Episcopal, cala-se ou mal balbucia. Há desemprego endémico e constante? A Igreja não o denúncia.As mentiras e os escândalos sucedem-se, sempre a partir de núcleos da esfera governamental e das fortunas? A Conferência Episcopal silencia e encobre todos eles, «em nome de Deus» e da «reconciliação de classes». Alastra galopantemente a pobreza e a miséria enquanto que, apenas nos nove primeiros meses de 2009, os cinco maiores bancos portugueses tiveram lucros declarados de 1403 milhões de euros e foram beneficiados pelo Estado em mais de cinco mil milhões para «refinanciamento da banca». A Conferência Episcopal talvez que desta infâmia se não aperceba, recolhida como está na Transcendência. No entanto, seria bom que em nome da justiça «denunciasse e anunciasse», como diz a doutrina e revelasse publicamente o montante da carteira de acções que a Igreja gere na banca portuguesa e nas grandes transnacionais.Há mais (há sempre mais) mas isto chega para que os católicos honestos interpelem os seu bispos, em nome da ética cristã e dos princípios da teologia moral.Que papel é necessariamente o de uma igreja numa sociedade corrupta e «tangível», como diria Teillard de Chardin? «Ai daqueles por quem o escândalo vier»! Muito bem. Mas não será que os bispos fazem parte do escândalo? Como, por exemplo, no caso recente da compra da TVI, um escândalo entre tantos outros que marcam os «caminhos da Igreja»?Não está em causa ser-se católico, protestante, muçulmano ou budista. Nem está em causa, em dimensões de fé, que um cidadão português pertença a uma congregação qualquer. Mas é indesculpável que para se ser crente se despreze a razão, os deveres de cidadania e, sobretudo, a defesa dos direitos dos povos e dos trabalhadores.Ainda este mês, os movimentos da Acção Católica tiveram um encontro nacional mas evitaram os «temas fracturantes». Também a Conferência Episcopal se reuniu e comunicado final da reunião foi oco e decepcionante. Interpelado pela imprensa, o seu porta-voz, o padre Morujão, revelou que «a Igreja não quer ter problemas com o actual Governo».Não é preciso pôr mais na carta...
Jorge Messias -- Jornal Avante
Quelha Funda
sábado, 28 de novembro de 2009
Ary dos Santos
Ary dos Santos
O senhor Eduardo Alves quis, no seu blog, homenagear o Ary dos santos, o que só o enaltece. Pena é que ao fazê-lo, não tivesse escolhido a melhor prosa e enveredasse por caminhos um pouco tortuosos.
Tem razão quando diz:"Ary dos Santos è uma figura incontornável da cultura portuguesa", mas deixa de ter razão quando diz: "e é também um verdadeiro comunista". Primeiro, já não é pois a sua morte levou-o muito cedo. Segundo, foi um comunista a quem o Partido Comunista Português muito deve, pelo seu valor intelectual e pela militância dedicada ao seu partido. E, disso estou certo, terá sempre um lugar no coração de todos os comunistas. Dizer que é, ou foi, um verdadeiro comunista é de uma leviandade confrangedora. terá o amigo Eduardo algumas contas a acertar com algum comunista ou com o organização do Partido no Tortosendo? Se tem então que seja mais claro e não use artimanhas, e já não é a primeira vez, que apenas o desacreditam. E já agora gostaria de saber qual é o aparelho de medida para poder avaliar quem são os verdadeiros comunistas e os que o não são? Com tal aparelho talvez possa avaliar os que são verdadeiros jornalistas e os que não são. ou até os verdadeiros homens e os que não são.
Quanto aos comodistas, meu caro Eduardo, eles estão espalhados por todo o lado e em todas as actividades. É um mal de que sofre a sociedade.
Quelha Funda
O senhor Eduardo Alves quis, no seu blog, homenagear o Ary dos santos, o que só o enaltece. Pena é que ao fazê-lo, não tivesse escolhido a melhor prosa e enveredasse por caminhos um pouco tortuosos.
Tem razão quando diz:"Ary dos Santos è uma figura incontornável da cultura portuguesa", mas deixa de ter razão quando diz: "e é também um verdadeiro comunista". Primeiro, já não é pois a sua morte levou-o muito cedo. Segundo, foi um comunista a quem o Partido Comunista Português muito deve, pelo seu valor intelectual e pela militância dedicada ao seu partido. E, disso estou certo, terá sempre um lugar no coração de todos os comunistas. Dizer que é, ou foi, um verdadeiro comunista é de uma leviandade confrangedora. terá o amigo Eduardo algumas contas a acertar com algum comunista ou com o organização do Partido no Tortosendo? Se tem então que seja mais claro e não use artimanhas, e já não é a primeira vez, que apenas o desacreditam. E já agora gostaria de saber qual é o aparelho de medida para poder avaliar quem são os verdadeiros comunistas e os que o não são? Com tal aparelho talvez possa avaliar os que são verdadeiros jornalistas e os que não são. ou até os verdadeiros homens e os que não são.
Quanto aos comodistas, meu caro Eduardo, eles estão espalhados por todo o lado e em todas as actividades. É um mal de que sofre a sociedade.
Quelha Funda
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Filosofia de Politzer
V. — Quais são as relações entre o materialismo e o marxismo?
Podemos resumi-las da seguintes maneira:
1. A filosofia do materialismo constitui a base do marxismo.
2.- Esta filosofia materialista, que quer dar uma explicação científica aos problemas do mundo, progride, no
decurso da História, ao mesmo tempo que as ciências. Por consequência, o marxismo tem origem nas
ciências, apoia-se nelas e evolui com elas.
3. Antes de Marx e Engels, houve, em várias etapas e sob formas diferentes, filosofias materialistas. Mas, no
século XIX, dando as ciências um grande passo em frente, Marx e Engels renovaram esse materialismo
antigo, a partir das ciências modernas, e deram-nos o materialismo moderno, a que se chama materialismo
dialéctico, e que constitui a base do marxismo.
Vemos, por estas breves explicações, que a filosofia do materialismo, contrariamente ao que dizem, tem uma
história. Esta está intimamente ligada à das ciências. O marxismo, baseado no materialismo, não teve origem
no cérebro de um só homem. É o resultado, a continuação do materialismo antigo, que estava já muito
avançado em Diderot. O marxismo é a manifestação do materialismo desenvolvido pelos Enciclopedistas do
século XVIII, enriquecido pelas grandes descobertas do século XIX. O marxismo é uma teoria viva, e, para
mostrar imediatamente de que maneira considera os problemas, vamos tomar um exemplo que toda a gente
conhece: o problema da luta de classes.
Que pensam as pessoas sobre tal assunto? Uns, que a defesa do pão isenta da luta politica. Outros, que basta
lutar na rua, negando a necessidade de organização. Outros, ainda, pretendem que só a luta política trará uma
solução a este problema.
Para o marxismo, a luta de classes compreende:
a. Uma luta económica.
b. Uma luta política.
c. Uma luta ideológica.
O problema deve, pois, ser posto, simultaneamente, nestes três campos;
a. Não se pode lutar pelo pão sem lutar pela paz, sem defender a liberdade e todas as ideias que servem a luta
por tais objectivos.
b. O mesmo acontece na luta política, que, depois de Marx, se tornou uma verdadeira ciência: é-se obrigado
a ter em conta, ao mesmo tempo, a situação económica e as correntes ideológicas para conduzir essa luta.
c. Quanto à luta ideológica, que se manifesta pela propaganda, deve ter-se em consideração, para que seja
eficaz, a situação económica e política.
Vemos, pois, que todos estes problemas estão intimamente ligados e, assim, que não é possível decidir face a
qualquer aspecto deste grande problema que é a luta de classes - numa greve, por exemplo -, sem tomar em
consideração cada dado do problema e o conjunto do próprio problema.
É, portanto, aquele que for capaz de lutar em todos os campos que dará ao movimento a melhor direcção.
É assim que um marxista compreende este problema da luta de classes. Ora, na luta ideológica que devemos
conduzir todos os dias, encontramo-nos perante problemas difíceis de resolver: imortalidade da alma,
existência de Deus, origens do mundo, etc. É o materialismo dialéctico que nos dará um método de
raciocínio, que nos permitirá resolver todos estes assuntos e, de igual modo, descobrir todas as campanhas de
falsificação do marxismo, que pretendem completá-lo e renová-lo.
Quelha Funda
V. — Quais são as relações entre o materialismo e o marxismo?
Podemos resumi-las da seguintes maneira:
1. A filosofia do materialismo constitui a base do marxismo.
2.- Esta filosofia materialista, que quer dar uma explicação científica aos problemas do mundo, progride, no
decurso da História, ao mesmo tempo que as ciências. Por consequência, o marxismo tem origem nas
ciências, apoia-se nelas e evolui com elas.
3. Antes de Marx e Engels, houve, em várias etapas e sob formas diferentes, filosofias materialistas. Mas, no
século XIX, dando as ciências um grande passo em frente, Marx e Engels renovaram esse materialismo
antigo, a partir das ciências modernas, e deram-nos o materialismo moderno, a que se chama materialismo
dialéctico, e que constitui a base do marxismo.
Vemos, por estas breves explicações, que a filosofia do materialismo, contrariamente ao que dizem, tem uma
história. Esta está intimamente ligada à das ciências. O marxismo, baseado no materialismo, não teve origem
no cérebro de um só homem. É o resultado, a continuação do materialismo antigo, que estava já muito
avançado em Diderot. O marxismo é a manifestação do materialismo desenvolvido pelos Enciclopedistas do
século XVIII, enriquecido pelas grandes descobertas do século XIX. O marxismo é uma teoria viva, e, para
mostrar imediatamente de que maneira considera os problemas, vamos tomar um exemplo que toda a gente
conhece: o problema da luta de classes.
Que pensam as pessoas sobre tal assunto? Uns, que a defesa do pão isenta da luta politica. Outros, que basta
lutar na rua, negando a necessidade de organização. Outros, ainda, pretendem que só a luta política trará uma
solução a este problema.
Para o marxismo, a luta de classes compreende:
a. Uma luta económica.
b. Uma luta política.
c. Uma luta ideológica.
O problema deve, pois, ser posto, simultaneamente, nestes três campos;
a. Não se pode lutar pelo pão sem lutar pela paz, sem defender a liberdade e todas as ideias que servem a luta
por tais objectivos.
b. O mesmo acontece na luta política, que, depois de Marx, se tornou uma verdadeira ciência: é-se obrigado
a ter em conta, ao mesmo tempo, a situação económica e as correntes ideológicas para conduzir essa luta.
c. Quanto à luta ideológica, que se manifesta pela propaganda, deve ter-se em consideração, para que seja
eficaz, a situação económica e política.
Vemos, pois, que todos estes problemas estão intimamente ligados e, assim, que não é possível decidir face a
qualquer aspecto deste grande problema que é a luta de classes - numa greve, por exemplo -, sem tomar em
consideração cada dado do problema e o conjunto do próprio problema.
É, portanto, aquele que for capaz de lutar em todos os campos que dará ao movimento a melhor direcção.
É assim que um marxista compreende este problema da luta de classes. Ora, na luta ideológica que devemos
conduzir todos os dias, encontramo-nos perante problemas difíceis de resolver: imortalidade da alma,
existência de Deus, origens do mundo, etc. É o materialismo dialéctico que nos dará um método de
raciocínio, que nos permitirá resolver todos estes assuntos e, de igual modo, descobrir todas as campanhas de
falsificação do marxismo, que pretendem completá-lo e renová-lo.
Quelha Funda
Escândalos: vantagens e vantagens ainda maiores
Estar envolvido num escândalo é grave; estar metido em vários é uma garantia de segurança
7:10 Quinta-feira, 26 de Nov de 2009
Há mais de dez minutos que não vem a público um escândalo envolvendo o nome de José Sócrates. Que se passa com este país? O escândalo Face Oculta perdeu o encanto inicial, o escândalo Freeport deixou de produzir notícias, o escândalo das escutas ao Presidente da República esmoreceu, o escândalo da Universidade Independente parece estar parado, o escândalo das casas projectadas na Guarda prometeu mais do que cumpriu, e confesso já ter esquecido o que estava em causa no escândalo Cova da Beira. Julgo falar em nome de todos quando digo que precisamos urgentemente de um novo escândalo.
José Sócrates, certamente, não se importa: o primeiro-ministro parece ter tomado uma vacina contra os escândalos. Não há suspeita de indecência escabrosa à qual ele seja vulnerável. Políticos menos resistentes já foram obrigados a demitir-se por causa de anedotas, de sisas que afinal tinham pago, de corninhos. O primeiro-ministro transita de escândalo em escândalo como Tarzan de liana em liana. Nenhum homem é uma ilha, diz o poeta, mas José Sócrates é um homem rodeado de escândalos por todos os lados.
Não há escândalo que consiga verdadeiramente furar a barreira de escândalos que o rodeia. Aparece um escândalo novo e a opinião pública boceja: já vimos melhor. Surge uma suspeita inédita e o País encolhe os ombros: podia ser mais escandalosa. Estar envolvido num escândalo é grave; estar metido em vários é uma garantia de segurança. O povo conhece José Sócrates há já algum tempo e sabe que ele pode estar envolvido num escândalo, mas duvida que ele tenha a iniciativa, o desembaraço e a capacidade de trabalho para estar envolvido em tantos.
O problema da oposição é, justamente, de abundância: encontra-se perante os escândalos como o burro de Buridan em frente ao feno. De todos os paradoxos filosóficos em que comparecem asnos, este é o meu preferido: o burro faminto tem diante de si dois montes de feno exactamente iguais. Não havendo uma razão para optar por um em vez de outro, é incapaz de escolher e morre de fome. No caso de Sócrates, os escândalos são os montes de feno e a oposição é o burro (há acasos felizes na vida de quem se entretém a compor símiles). A única diferença é que o burro morre sossegado, enquanto os dirigentes dos partidos da oposição definham aniquilando-se mutuamente. Mas ninguém espera que os militantes do PSD tenham o discernimento de um burro.
Artigo de Ricardo Araújo Pereira (Visão)
Quelha Funda
Estar envolvido num escândalo é grave; estar metido em vários é uma garantia de segurança
7:10 Quinta-feira, 26 de Nov de 2009
Há mais de dez minutos que não vem a público um escândalo envolvendo o nome de José Sócrates. Que se passa com este país? O escândalo Face Oculta perdeu o encanto inicial, o escândalo Freeport deixou de produzir notícias, o escândalo das escutas ao Presidente da República esmoreceu, o escândalo da Universidade Independente parece estar parado, o escândalo das casas projectadas na Guarda prometeu mais do que cumpriu, e confesso já ter esquecido o que estava em causa no escândalo Cova da Beira. Julgo falar em nome de todos quando digo que precisamos urgentemente de um novo escândalo.
José Sócrates, certamente, não se importa: o primeiro-ministro parece ter tomado uma vacina contra os escândalos. Não há suspeita de indecência escabrosa à qual ele seja vulnerável. Políticos menos resistentes já foram obrigados a demitir-se por causa de anedotas, de sisas que afinal tinham pago, de corninhos. O primeiro-ministro transita de escândalo em escândalo como Tarzan de liana em liana. Nenhum homem é uma ilha, diz o poeta, mas José Sócrates é um homem rodeado de escândalos por todos os lados.
Não há escândalo que consiga verdadeiramente furar a barreira de escândalos que o rodeia. Aparece um escândalo novo e a opinião pública boceja: já vimos melhor. Surge uma suspeita inédita e o País encolhe os ombros: podia ser mais escandalosa. Estar envolvido num escândalo é grave; estar metido em vários é uma garantia de segurança. O povo conhece José Sócrates há já algum tempo e sabe que ele pode estar envolvido num escândalo, mas duvida que ele tenha a iniciativa, o desembaraço e a capacidade de trabalho para estar envolvido em tantos.
O problema da oposição é, justamente, de abundância: encontra-se perante os escândalos como o burro de Buridan em frente ao feno. De todos os paradoxos filosóficos em que comparecem asnos, este é o meu preferido: o burro faminto tem diante de si dois montes de feno exactamente iguais. Não havendo uma razão para optar por um em vez de outro, é incapaz de escolher e morre de fome. No caso de Sócrates, os escândalos são os montes de feno e a oposição é o burro (há acasos felizes na vida de quem se entretém a compor símiles). A única diferença é que o burro morre sossegado, enquanto os dirigentes dos partidos da oposição definham aniquilando-se mutuamente. Mas ninguém espera que os militantes do PSD tenham o discernimento de um burro.
Artigo de Ricardo Araújo Pereira (Visão)
Quelha Funda
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Comunicado
De Mário Crespo ( jornal de Notícias )
"Ilibação progressiva" devia ser um termo da ciência jurídica em Portugal. Descreve uma tradição das procuradorias-gerais da República. Verifica-se quando o poder cai sob a suspeita pública. Pode definir-se como a reabilitação gradual das reputações escaldadas por fogos que ardem sem se ver porque a justiça é cega. Surge, sempre, a meio de processos, lançando uma atmosfera de dúvida sobre tudo. As "Ilibações" mais famosas são as declarações de Souto Moura sobre alegadas inocências de alegados arguidos em casos de alegada pedofilia. As mais infames, por serem de uma insuportável monotonia, são os avales de bom comportamento cívico do primeiro-ministro que a Procuradoria-Geral da República faz regularmente. Dos protestos verbais de inocência dos arguidos que Souto Moura deu à nossa memória colectiva, Pinto Monteiro evoluiu para certidões lavradas em papel timbrado com selo da República onde exalta a extraordinária circunstância de não haver "elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal contra o senhor primeiro-ministro". Portanto, pode parecer que sim. Só que não se prova. Ou não se pode provar. Embora possa, de facto e de direito, parecer que sim. Este género de aval oficial de "parem-lá-com-isso-porque-não-conseguimos-provar" já tinha sido feito no "Freeport". Surge agora no princípio do "Face Oculta" com uma variante assinalável. A "Ilibação progressiva" deixou de ser ad hominem para ser abrangente. Desta vez, o procurador-geral da República não só dá a sua caução de abono ao chefe do Governo como a estende a "qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões", que ficam assim abrangidos por estes cartões de livre-trânsito oficiais que lhes vão permitir dar voltas sucessivas ao jogo do Poder sem nunca ir para a prisão. Portanto, acautelem-se os investigadores e instrutores de província porque os "indivíduos mencionados em certidões" já têm a sua inocência certificada na capital e nada pode continuar como dantes.
Desta vez, nem foi preciso vir um procurador do Eurojust esclarecer a magistratura indígena sobre limites e alcances processuais. Bastou a prata da casa para, num comunicado, de uma vez só, ilibar os visados e condicionar a investigação daqui para a frente. Só fica a questão: que Estado é este em que o chefe do Executivo tem de, com soturna regularidade, ir à Procuradoria pedir uma espécie de registo criminal que descrimine vários episódios de crime público e privado e que acaba sempre com um duvidoso equivalente a "nada consta - até aqui".
Ângelo Correia, nos idos de 80, quando teve a tutela da Administração Interna acabou com a necessidade dos cidadãos terem de apresentar certidões de bom comportamento cívico nos actos públicos. A Procuradoria-Geral da República reabilitou agora estes atestados de boa conduta para certos crimes. São declarações passadas à medida que os crimes vão sendo descobertos, porque é difícil fazer valer um atestado de ilibação progressiva que cubra a "Independente", o "Freeport" e a "Face Oculta". Quando se soube do Inglês Técnico não se sabia o que os ingleses tinham pago pelos flamingos de Alcochete e as faces ainda estavam ocultas. Portanto, o atestado de inocência passado pelo detentor da acção penal, para ser abrangente, teria de conter qualquer coisa do género… "fulano não tem nada a ver com a 'Face Oculta' nem tem nada a ver com o que eventualmente se vier a provar no futuro que careça de qualquer espécie de máscara", o que seria absurdo. Por outro lado, a lei das prerrogativas processuais para titulares de órgãos de soberania do pós-"Casa Pia", devidamente manipulada, tem quase o mesmo efeito silenciador da Justiça.
Quelha Funda
De Mário Crespo ( jornal de Notícias )
"Ilibação progressiva" devia ser um termo da ciência jurídica em Portugal. Descreve uma tradição das procuradorias-gerais da República. Verifica-se quando o poder cai sob a suspeita pública. Pode definir-se como a reabilitação gradual das reputações escaldadas por fogos que ardem sem se ver porque a justiça é cega. Surge, sempre, a meio de processos, lançando uma atmosfera de dúvida sobre tudo. As "Ilibações" mais famosas são as declarações de Souto Moura sobre alegadas inocências de alegados arguidos em casos de alegada pedofilia. As mais infames, por serem de uma insuportável monotonia, são os avales de bom comportamento cívico do primeiro-ministro que a Procuradoria-Geral da República faz regularmente. Dos protestos verbais de inocência dos arguidos que Souto Moura deu à nossa memória colectiva, Pinto Monteiro evoluiu para certidões lavradas em papel timbrado com selo da República onde exalta a extraordinária circunstância de não haver "elementos probatórios que justifiquem a instauração de procedimento criminal contra o senhor primeiro-ministro". Portanto, pode parecer que sim. Só que não se prova. Ou não se pode provar. Embora possa, de facto e de direito, parecer que sim. Este género de aval oficial de "parem-lá-com-isso-porque-não-conseguimos-provar" já tinha sido feito no "Freeport". Surge agora no princípio do "Face Oculta" com uma variante assinalável. A "Ilibação progressiva" deixou de ser ad hominem para ser abrangente. Desta vez, o procurador-geral da República não só dá a sua caução de abono ao chefe do Governo como a estende a "qualquer outro dos indivíduos mencionados nas certidões", que ficam assim abrangidos por estes cartões de livre-trânsito oficiais que lhes vão permitir dar voltas sucessivas ao jogo do Poder sem nunca ir para a prisão. Portanto, acautelem-se os investigadores e instrutores de província porque os "indivíduos mencionados em certidões" já têm a sua inocência certificada na capital e nada pode continuar como dantes.
Desta vez, nem foi preciso vir um procurador do Eurojust esclarecer a magistratura indígena sobre limites e alcances processuais. Bastou a prata da casa para, num comunicado, de uma vez só, ilibar os visados e condicionar a investigação daqui para a frente. Só fica a questão: que Estado é este em que o chefe do Executivo tem de, com soturna regularidade, ir à Procuradoria pedir uma espécie de registo criminal que descrimine vários episódios de crime público e privado e que acaba sempre com um duvidoso equivalente a "nada consta - até aqui".
Ângelo Correia, nos idos de 80, quando teve a tutela da Administração Interna acabou com a necessidade dos cidadãos terem de apresentar certidões de bom comportamento cívico nos actos públicos. A Procuradoria-Geral da República reabilitou agora estes atestados de boa conduta para certos crimes. São declarações passadas à medida que os crimes vão sendo descobertos, porque é difícil fazer valer um atestado de ilibação progressiva que cubra a "Independente", o "Freeport" e a "Face Oculta". Quando se soube do Inglês Técnico não se sabia o que os ingleses tinham pago pelos flamingos de Alcochete e as faces ainda estavam ocultas. Portanto, o atestado de inocência passado pelo detentor da acção penal, para ser abrangente, teria de conter qualquer coisa do género… "fulano não tem nada a ver com a 'Face Oculta' nem tem nada a ver com o que eventualmente se vier a provar no futuro que careça de qualquer espécie de máscara", o que seria absurdo. Por outro lado, a lei das prerrogativas processuais para titulares de órgãos de soberania do pós-"Casa Pia", devidamente manipulada, tem quase o mesmo efeito silenciador da Justiça.
Quelha Funda
sábado, 21 de novembro de 2009
Filosofia
Filosofia de Politzer
III. — O que é a filosofia?
Vulgarmente, entende-se por filósofo: ou àquele que vive nas nuvens, ou o que toma as coisas pelo lado bom,
aquele que nada faz. Ora, muito ao contrário, o filósofo é aquele que quer, a certas perguntas, dar respostas
precisas, e, se se considerar que a filosofia quer dar uma explicação aos problemas do universo (de onde vem
o mundo? para onde vamos? etc), vê-se, por conseguinte, que o filósofo se ocupa de muitas coisas, e, ao
contrário do que dizem, trabalha muito.
Diremos, portanto, para definir a filosofia, que ela quer explicar o universo, a natureza, que é o estudo dos
problemas mais gerais. Os menos gerais são estudados pelas ciências. A filosofia é, pois, um prolongamento
das ciências, no sentido em que se apoia nas ciências e delas depende.
Acrescentaremos, em seguida, que a filosofia marxista utiliza um método de resolução de todos os
problemas, e que tal método depende do que se chama o materialismo.
IV. — O que é a filosofia materialista?
Também aí existe uma confusão, que devemos denunciar imediatamente; é vulgar entender-se por
materialista aquele que só pensa em gozar com os prazeres materiais. Jogando com a palavra materialismo -
que contém a palavra matéria -, chegou a dar-se-lhe um sentido completamente falso.
Vamos, estudando o materialismo - no sentido científico da palavra -, restituir-lhe o seu verdadeiro
significado; ser materialista, não impede, iremos vê-lo, de ter um ideal e de lutar para o fazer triunfar.
Dissemos que a filosofia quer dar uma explicação aos problemas mais gerais do mundo. Mas, no decurso da
história da humanidade, esta explicação não foi sempre a mesma.
Os primeiros homens procuraram, na verdade, explicar a natureza, o mundo, mas não o conseguiram. O que
permite, com efeito, explicar o mundo e os fenómenos que nos rodeiam são as ciências; ora, as descobertas
que permitiram às ciências progredir são muito recentes.
A ignorância dos primeiros homens era, pois, um obstáculo às suas investigações. Por isso é que no decurso
da História, por causa desta ignorância, vemos surgir as religiões, que querem explicar, também elas, o
mundo, mas por forças sobrenaturais. É esta uma explicação anticientífica. Ora, como, pouco a pouco, no
decurso dos séculos, a ciência se vai desenvolver, os homens vão tentar explicar o mundo através de factos
materiais, a partir de experiências científicas, e é daí, desta vontade de explicar as coisas pelas ciências, que
nasce a filosofia materialista.
Nas páginas seguintes, vamos estudar o que é o materialismo, mas, desde já, devemos fixar que o
materialismo não é mais do que a explicação científica do universo.
Estudando a história da filosofia materialista, veremos quanto foi áspera e difícil a luta contra a ignorância. É
preciso, aliás, constatar que, mesmo nos nossos dias, esta luta não terminou ainda, uma vez que o
materialismo e a ignorância continuam a subsistir juntos, lado a lado.
É no coração desta luta que Marx e Engels intervieram. Compreendendo a importância das grandes
descobertas do século XIX, permitiram à filosofia materialista fazer enormes progressos na explicação
científica do universo. Foi assim que nasceu o materialismo dialéctico. Depois, os primeiros, compreenderam
que as leis que regem o mundo permitem também explicar a evolução das sociedades; formularam, assim, a
célebre teoria do materialismo histórico.
Propomo-nos estudar, nesta obra, primeiramente, o materialismo, depois, o materialismo dialéctico e, por
fim, o materialismo histórico. Mas, antes de mais, queremos estabelecer as relações entre o materialismo e o marxismo.
Quelha Funda
III. — O que é a filosofia?
Vulgarmente, entende-se por filósofo: ou àquele que vive nas nuvens, ou o que toma as coisas pelo lado bom,
aquele que nada faz. Ora, muito ao contrário, o filósofo é aquele que quer, a certas perguntas, dar respostas
precisas, e, se se considerar que a filosofia quer dar uma explicação aos problemas do universo (de onde vem
o mundo? para onde vamos? etc), vê-se, por conseguinte, que o filósofo se ocupa de muitas coisas, e, ao
contrário do que dizem, trabalha muito.
Diremos, portanto, para definir a filosofia, que ela quer explicar o universo, a natureza, que é o estudo dos
problemas mais gerais. Os menos gerais são estudados pelas ciências. A filosofia é, pois, um prolongamento
das ciências, no sentido em que se apoia nas ciências e delas depende.
Acrescentaremos, em seguida, que a filosofia marxista utiliza um método de resolução de todos os
problemas, e que tal método depende do que se chama o materialismo.
IV. — O que é a filosofia materialista?
Também aí existe uma confusão, que devemos denunciar imediatamente; é vulgar entender-se por
materialista aquele que só pensa em gozar com os prazeres materiais. Jogando com a palavra materialismo -
que contém a palavra matéria -, chegou a dar-se-lhe um sentido completamente falso.
Vamos, estudando o materialismo - no sentido científico da palavra -, restituir-lhe o seu verdadeiro
significado; ser materialista, não impede, iremos vê-lo, de ter um ideal e de lutar para o fazer triunfar.
Dissemos que a filosofia quer dar uma explicação aos problemas mais gerais do mundo. Mas, no decurso da
história da humanidade, esta explicação não foi sempre a mesma.
Os primeiros homens procuraram, na verdade, explicar a natureza, o mundo, mas não o conseguiram. O que
permite, com efeito, explicar o mundo e os fenómenos que nos rodeiam são as ciências; ora, as descobertas
que permitiram às ciências progredir são muito recentes.
A ignorância dos primeiros homens era, pois, um obstáculo às suas investigações. Por isso é que no decurso
da História, por causa desta ignorância, vemos surgir as religiões, que querem explicar, também elas, o
mundo, mas por forças sobrenaturais. É esta uma explicação anticientífica. Ora, como, pouco a pouco, no
decurso dos séculos, a ciência se vai desenvolver, os homens vão tentar explicar o mundo através de factos
materiais, a partir de experiências científicas, e é daí, desta vontade de explicar as coisas pelas ciências, que
nasce a filosofia materialista.
Nas páginas seguintes, vamos estudar o que é o materialismo, mas, desde já, devemos fixar que o
materialismo não é mais do que a explicação científica do universo.
Estudando a história da filosofia materialista, veremos quanto foi áspera e difícil a luta contra a ignorância. É
preciso, aliás, constatar que, mesmo nos nossos dias, esta luta não terminou ainda, uma vez que o
materialismo e a ignorância continuam a subsistir juntos, lado a lado.
É no coração desta luta que Marx e Engels intervieram. Compreendendo a importância das grandes
descobertas do século XIX, permitiram à filosofia materialista fazer enormes progressos na explicação
científica do universo. Foi assim que nasceu o materialismo dialéctico. Depois, os primeiros, compreenderam
que as leis que regem o mundo permitem também explicar a evolução das sociedades; formularam, assim, a
célebre teoria do materialismo histórico.
Propomo-nos estudar, nesta obra, primeiramente, o materialismo, depois, o materialismo dialéctico e, por
fim, o materialismo histórico. Mas, antes de mais, queremos estabelecer as relações entre o materialismo e o marxismo.
Quelha Funda
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
Interesses públicos e negócios privados
A sucessão dos factos escandalosos recentemente noticiados, bem como a revelação da existência em Portugal de poderosas redes mafiosas que põem e dispõem na banca, na comunicação social e na política, são achegas à compreensão de que forças obscuras mas altamente organizadas têm em curso um plano de esmagamento da democracia de Abril. Sucedem-se as grandes fraudes, os roubos mais descarados e os atropelos da lei. O Estado apaga-se e cai no mais completo descrédito. Com a maior impunidade, as redes das «mafias» funcionam à vista de todos nós. Os seus tentáculos dominam um sector público muito fragilizado e comandam o sector privado que se prepara para se sobrepor ao Estado nas funções públicas vitais.Os pólos estratégicos desta vasta conspiração tem-se notado situarem-se na banca, na Igreja Católica e no Governo. A banca manipula as bolsas, escraviza as pequenas e médias empresas e financia os poderosos trusts que monopolizam o mercado. O Governo coloca-se ao serviço do grande patronato, canaliza para as sedes das holdings mais poderosas as verbas enviadas pela União Europeia, corta orçamentos nas áreas da economia e do trabalho e impõe nova legislação que, a exemplo do Código do Trabalho, se inscreve nos quadros da mais feroz perseguição aos direitos dos trabalhadores. A Igreja completa este quadro de intervenção antidemocrática: silencia perante os crimes cometidos, avança para os grandes negócios do capital e reorganiza activamente a sua «sociedade civil», de forma a prepará-la para as grandes tarefas que terão lugar num futuro próximo, quando o Estado entrar em colapso e os principais sectores da sociedade (Saúde, Educação, Segurança Social, etc.) forem finalmente entregues às instituições católicas privadas.Curta metragem do campo da reacçãoEmbora a tecnologia actualmente usada na sabotagem do aparelho de Estado envolva alguns instrumentos de compreensão transcendente, no essencial as técnicas usadas não são novas e fazem lembrar o que se passou na Europa logo a seguir ao termo da II Grande Guerra mundial. Os estados fascistas tinham baqueado, os povos europeus viviam na miséria e as fontes da economia, pura e simplesmente, estavam destruídas. Por toda a parte, no entanto, os trabalhadores reagiam e lançavam mãos à construção de uma sociedade nova conduzida por forças da esquerda política. Reanimou-se a economia, a indústria e o comércio. Milhares de empresas foram nacionalizadas. Os Estados socialistas europeus tornaram-se o grande motor da recuperação.Alarmados ficaram o Vaticano, a banca e as forças políticas da direita.Como fazer para travar esta tendência alarmante? Veio, então, o «Plano Marshall» e com ele uma nova estratégia. Já que as nacionalizações tinham caído bem na opinião pública, deixá-las ficar. Para domá-las bastaria fazê-las gerir por gente da confiança dos banqueiros... O ardil resultou em cheio. As ovelhas voltaram ao redil. E uma nova ética política consagrou este princípio: interesses públicos, negócios privados. O dinheiro era americano, os alimentos vinham da América, tudo era made in USA. Quando estoirassem grandes escândalos que envolvessem banqueiros, políticos, cardeais ou generais, a comunicação social, bem controlada, conseguia o «milagre» de transformar os criminosos em heróis e os ladrões em santos.Em Portugal, estamos agora a assistir à reedição dessa curta metragem dos anos 50. Abril caminhou inicialmente na senda do socialismo. Então, os políticos reaccionários disfarçaram-se com os fatos da Revolução, fizeram discursos demagógicos com que enganaram o povo, tomaram o poder e infiltraram-se maciçamente na economia e no aparelho do Estado. São esses os que nos enganam e exploram.A Igreja calou-se e fez fortuna à sombra da corrupção geral. A comunicação social corrompeu-se e prostrou-se aos pés dos vilões. O povo português deixou-se hipnotizar pelas falsas promessas mas hoje acorda esmagado pelo desemprego, pela pobreza e com a angústia do dia de amanhã.É urgente romper-se com tudo isto. É preciso lutar, recuperar as liberdades e construir o nosso futuro, colectivo e socialista.
Jorge Messias - Jornal Avante
QUELHA FUNDA
A sucessão dos factos escandalosos recentemente noticiados, bem como a revelação da existência em Portugal de poderosas redes mafiosas que põem e dispõem na banca, na comunicação social e na política, são achegas à compreensão de que forças obscuras mas altamente organizadas têm em curso um plano de esmagamento da democracia de Abril. Sucedem-se as grandes fraudes, os roubos mais descarados e os atropelos da lei. O Estado apaga-se e cai no mais completo descrédito. Com a maior impunidade, as redes das «mafias» funcionam à vista de todos nós. Os seus tentáculos dominam um sector público muito fragilizado e comandam o sector privado que se prepara para se sobrepor ao Estado nas funções públicas vitais.Os pólos estratégicos desta vasta conspiração tem-se notado situarem-se na banca, na Igreja Católica e no Governo. A banca manipula as bolsas, escraviza as pequenas e médias empresas e financia os poderosos trusts que monopolizam o mercado. O Governo coloca-se ao serviço do grande patronato, canaliza para as sedes das holdings mais poderosas as verbas enviadas pela União Europeia, corta orçamentos nas áreas da economia e do trabalho e impõe nova legislação que, a exemplo do Código do Trabalho, se inscreve nos quadros da mais feroz perseguição aos direitos dos trabalhadores. A Igreja completa este quadro de intervenção antidemocrática: silencia perante os crimes cometidos, avança para os grandes negócios do capital e reorganiza activamente a sua «sociedade civil», de forma a prepará-la para as grandes tarefas que terão lugar num futuro próximo, quando o Estado entrar em colapso e os principais sectores da sociedade (Saúde, Educação, Segurança Social, etc.) forem finalmente entregues às instituições católicas privadas.Curta metragem do campo da reacçãoEmbora a tecnologia actualmente usada na sabotagem do aparelho de Estado envolva alguns instrumentos de compreensão transcendente, no essencial as técnicas usadas não são novas e fazem lembrar o que se passou na Europa logo a seguir ao termo da II Grande Guerra mundial. Os estados fascistas tinham baqueado, os povos europeus viviam na miséria e as fontes da economia, pura e simplesmente, estavam destruídas. Por toda a parte, no entanto, os trabalhadores reagiam e lançavam mãos à construção de uma sociedade nova conduzida por forças da esquerda política. Reanimou-se a economia, a indústria e o comércio. Milhares de empresas foram nacionalizadas. Os Estados socialistas europeus tornaram-se o grande motor da recuperação.Alarmados ficaram o Vaticano, a banca e as forças políticas da direita.Como fazer para travar esta tendência alarmante? Veio, então, o «Plano Marshall» e com ele uma nova estratégia. Já que as nacionalizações tinham caído bem na opinião pública, deixá-las ficar. Para domá-las bastaria fazê-las gerir por gente da confiança dos banqueiros... O ardil resultou em cheio. As ovelhas voltaram ao redil. E uma nova ética política consagrou este princípio: interesses públicos, negócios privados. O dinheiro era americano, os alimentos vinham da América, tudo era made in USA. Quando estoirassem grandes escândalos que envolvessem banqueiros, políticos, cardeais ou generais, a comunicação social, bem controlada, conseguia o «milagre» de transformar os criminosos em heróis e os ladrões em santos.Em Portugal, estamos agora a assistir à reedição dessa curta metragem dos anos 50. Abril caminhou inicialmente na senda do socialismo. Então, os políticos reaccionários disfarçaram-se com os fatos da Revolução, fizeram discursos demagógicos com que enganaram o povo, tomaram o poder e infiltraram-se maciçamente na economia e no aparelho do Estado. São esses os que nos enganam e exploram.A Igreja calou-se e fez fortuna à sombra da corrupção geral. A comunicação social corrompeu-se e prostrou-se aos pés dos vilões. O povo português deixou-se hipnotizar pelas falsas promessas mas hoje acorda esmagado pelo desemprego, pela pobreza e com a angústia do dia de amanhã.É urgente romper-se com tudo isto. É preciso lutar, recuperar as liberdades e construir o nosso futuro, colectivo e socialista.
Jorge Messias - Jornal Avante
QUELHA FUNDA
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Economia
Reunião da FAO
Ambição em baixa na reunião da FAO em Roma
Os chefes de Estado e de governo querem acabar com a fome no mundo, sem fixar um prazo nem tomar compromissos. Uma reunião organizada pelos países do Sul e as grandes organizações não governamentais (ONG) teve lugar na Itália mas não começou da melhor maneira.
Todos os seis segundos, uma criança morre de fome no mundo. mais de mil milhões de pessoas à escala do planeta são vitimas da fome. Uma situação gravíssima e portanto nenhum dos grandes países ricos do G8, excepção da Itália,país organizador, se dignou representar na reunião sobre a "segurança alimentar". Estes países revelaram, pela sua ausência, uma grande falta de solidariedade e de participação para lutar contra o flagelo da fome no mundo.
Assim vai o capitalismo na sua grandeza.
QULHA FUNDA
Ambição em baixa na reunião da FAO em Roma
Os chefes de Estado e de governo querem acabar com a fome no mundo, sem fixar um prazo nem tomar compromissos. Uma reunião organizada pelos países do Sul e as grandes organizações não governamentais (ONG) teve lugar na Itália mas não começou da melhor maneira.
Todos os seis segundos, uma criança morre de fome no mundo. mais de mil milhões de pessoas à escala do planeta são vitimas da fome. Uma situação gravíssima e portanto nenhum dos grandes países ricos do G8, excepção da Itália,país organizador, se dignou representar na reunião sobre a "segurança alimentar". Estes países revelaram, pela sua ausência, uma grande falta de solidariedade e de participação para lutar contra o flagelo da fome no mundo.
Assim vai o capitalismo na sua grandeza.
QULHA FUNDA
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Filosofia de Politzer
Os problemas Filosóficos ( Segundo Georges Politzer )
Porque apresentar e explicar os princípios elementares da Filosofia materialista? A esta questão Politzer respondia: "Porque o materialismo está ligado a uma filosofia e a um método: Os do materialismo dialéctico".
É pois indispensável estudar essa filosofia e esse método, para na verdade compreender o marxismo e refutar os argumentos das teorias burguesas, assim como para compreender uma luta política eficaz.
Com efeito, Lenine disse: "Sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário" Isto quer dizer, antes de mais: é preciso juntar a teoria à prática.
O que é a prática? É o acto de realizar. Por exemplo, a indústria, a agricultura realizam (isto é: tornam reais) certas teorias (teorias químicas,físicas ou biológicas).
Pode ser-se apenas prático-mas, então, realiza-se por rotina. Pode ser-se apenas teórico-mas, então, o que se concebe é muitas vezes irrealizavel. É preciso, portanto, que haja ligação entre a teoria e a prática. A questão é saber quais devem ser essa teoria e a sua ligação com a prática. Pensamos que é necessário ao militante operário esse método de analise e de raciocínio justo para poder realizar uma acção revolucionária justa.
Que lhe é preciso um método que não seja um dogma, dando-lhe soluções acabadas, mas um método que nunca separe a teoria da prática, o raciocínio da vida. Ora, esse método está contido na filosofia do materialismo dialéctico, base do marxismo, que nos propomos explicar.
O estudo da filosofia é uma coisa difícil?
Pensa-se, geralmente, que o estudo da filosofia é, para os operários, uma coisa cheia de dificuldades, necessitando conhecimentos especiais. É preciso confessar que a maneira como estão redigidos os manuais burgueses tem a intenção de os levar a pensar desse modo, e não pode senão aborrece-los. Não pensamos negar as dificuldades que o estudo, em geral, comporta, e a filosofia, em particular; mas estas dificuldades são perfeitamente superáveis, e ocorrem, sobretudo pelo facto de se tratar de coisas novas para muito dos nossos leitores.
Desde o início, vamos, por outro lado, precisando as coisas, chama-los a rever certas definições de palavras que estão deturpadas na linguagem corrente.
CONTINUA
QUELHA FUNDA
Porque apresentar e explicar os princípios elementares da Filosofia materialista? A esta questão Politzer respondia: "Porque o materialismo está ligado a uma filosofia e a um método: Os do materialismo dialéctico".
É pois indispensável estudar essa filosofia e esse método, para na verdade compreender o marxismo e refutar os argumentos das teorias burguesas, assim como para compreender uma luta política eficaz.
Com efeito, Lenine disse: "Sem teoria revolucionária, não há movimento revolucionário" Isto quer dizer, antes de mais: é preciso juntar a teoria à prática.
O que é a prática? É o acto de realizar. Por exemplo, a indústria, a agricultura realizam (isto é: tornam reais) certas teorias (teorias químicas,físicas ou biológicas).
Pode ser-se apenas prático-mas, então, realiza-se por rotina. Pode ser-se apenas teórico-mas, então, o que se concebe é muitas vezes irrealizavel. É preciso, portanto, que haja ligação entre a teoria e a prática. A questão é saber quais devem ser essa teoria e a sua ligação com a prática. Pensamos que é necessário ao militante operário esse método de analise e de raciocínio justo para poder realizar uma acção revolucionária justa.
Que lhe é preciso um método que não seja um dogma, dando-lhe soluções acabadas, mas um método que nunca separe a teoria da prática, o raciocínio da vida. Ora, esse método está contido na filosofia do materialismo dialéctico, base do marxismo, que nos propomos explicar.
O estudo da filosofia é uma coisa difícil?
Pensa-se, geralmente, que o estudo da filosofia é, para os operários, uma coisa cheia de dificuldades, necessitando conhecimentos especiais. É preciso confessar que a maneira como estão redigidos os manuais burgueses tem a intenção de os levar a pensar desse modo, e não pode senão aborrece-los. Não pensamos negar as dificuldades que o estudo, em geral, comporta, e a filosofia, em particular; mas estas dificuldades são perfeitamente superáveis, e ocorrem, sobretudo pelo facto de se tratar de coisas novas para muito dos nossos leitores.
Desde o início, vamos, por outro lado, precisando as coisas, chama-los a rever certas definições de palavras que estão deturpadas na linguagem corrente.
CONTINUA
QUELHA FUNDA
sábado, 14 de novembro de 2009
A Crise
Viva a Crise
No ultimo boletim da LAT vem um artigo do senhor Mário Raposo, que não pode deixar ninguém indiferente.
Diz ele, ou melhor escreve, sem que a mão lhe trema, que "os grandes avanços da humanidade estão sempre ligados a épocas de crise". Sem corar escreve ele: "Para alguns a crise é somente um estado de ânimo, do mesmo modo que o sucesso e as circunstâncias do meio envolvente são unicamente o campo de jogo onde se joga uma partida e há que dar o melhor de si mesmo".
Não sei a quem se dirigia, o autor destas linhas, mas de certeza não era aos mais de 200 milhões de crianças com menos de cinco anos que passam fome neste mundo onde vivemos.( Dados da UNICEF ). Se atendermos que estas crianças têm pais e irmãos,poderemos, facilmente, multiplicar por 4 ou 5 estes 200 milhões. Será isto um estado de ânimo ou uma partida que se desenrola num campo de jogo?
O senhor Mário Raposo faria bem em procurar outras leituras e autores mais credíveis, como, por exemplo, Robert Castel, director à Escola dos Altos Estudos em Ciencias Sociais de França que há poucos dias, numa entrevista dizia: O coração da transformação se situa, primeiro, ao nível da organização do trabalho e se traduz por uma degradação do estatuto profissional. A precariedade se desenvolve no interior do emprego e vem se juntar ao desemprego de massas. Não é mais possível de pensar a precariedade como o fizemos durante anos, como se fosse um mau momento a passar antes de encontrar um emprego durável. Existe, mesmo, um numero crescente de pessoas que se instalam na precariedade. Esta transforma-se, por paradoxal que pareça, num estado permanente... Os operários menos qualificados, os jovens que procuram entrar pela primeira vez no mercado do trabalho são sempre, em termos quantitativos, as categorias mais tocadas pelo crescimento da precariedade. No entanto não podemos esquecer que a precariedade do trabalho é uma linha de fractura".
Isto deixa-nos ver o sistema capitalista está caduco e atrás de uma crise outra virá que não será menor, e por muitos jogos que se façam o resultado será sempre o mesmo: cada vez maior o numero de famintos em todo o Planeta.
É certo que haverá sempre aqueles que conseguem tirar as castanhas do fogo e por isso procuram defender o sistema sem olhar à sua volta e, muitos, para o seu passado.
Quelha Funda
No ultimo boletim da LAT vem um artigo do senhor Mário Raposo, que não pode deixar ninguém indiferente.
Diz ele, ou melhor escreve, sem que a mão lhe trema, que "os grandes avanços da humanidade estão sempre ligados a épocas de crise". Sem corar escreve ele: "Para alguns a crise é somente um estado de ânimo, do mesmo modo que o sucesso e as circunstâncias do meio envolvente são unicamente o campo de jogo onde se joga uma partida e há que dar o melhor de si mesmo".
Não sei a quem se dirigia, o autor destas linhas, mas de certeza não era aos mais de 200 milhões de crianças com menos de cinco anos que passam fome neste mundo onde vivemos.( Dados da UNICEF ). Se atendermos que estas crianças têm pais e irmãos,poderemos, facilmente, multiplicar por 4 ou 5 estes 200 milhões. Será isto um estado de ânimo ou uma partida que se desenrola num campo de jogo?
O senhor Mário Raposo faria bem em procurar outras leituras e autores mais credíveis, como, por exemplo, Robert Castel, director à Escola dos Altos Estudos em Ciencias Sociais de França que há poucos dias, numa entrevista dizia: O coração da transformação se situa, primeiro, ao nível da organização do trabalho e se traduz por uma degradação do estatuto profissional. A precariedade se desenvolve no interior do emprego e vem se juntar ao desemprego de massas. Não é mais possível de pensar a precariedade como o fizemos durante anos, como se fosse um mau momento a passar antes de encontrar um emprego durável. Existe, mesmo, um numero crescente de pessoas que se instalam na precariedade. Esta transforma-se, por paradoxal que pareça, num estado permanente... Os operários menos qualificados, os jovens que procuram entrar pela primeira vez no mercado do trabalho são sempre, em termos quantitativos, as categorias mais tocadas pelo crescimento da precariedade. No entanto não podemos esquecer que a precariedade do trabalho é uma linha de fractura".
Isto deixa-nos ver o sistema capitalista está caduco e atrás de uma crise outra virá que não será menor, e por muitos jogos que se façam o resultado será sempre o mesmo: cada vez maior o numero de famintos em todo o Planeta.
É certo que haverá sempre aqueles que conseguem tirar as castanhas do fogo e por isso procuram defender o sistema sem olhar à sua volta e, muitos, para o seu passado.
Quelha Funda
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Filosofia
Georges Politzer
Em maio deste ano 2009 fez 67 anos que o filósofo Georges Politzer foi assassinado pelos ocupantes nazis da França. De origem húngara, participante da Revolução Húngara de 1919 refugiara-se em França depois do esmagamento da Revolução pela aliança militar entre as burguesias ocidentais e húngara e a sequente instauração do regime fascista na Hungria. A sua vida de revolucionário terminaria ao ser entregue ao ocupante alemão pelo governo burguês colaboracionista da França em 1942, pelo crime de ser comunista e patriota que levaria ao seu fuzilamento depois de meses de tortura. Deixou-nos o livro que hoje apresentamos, escrito por um seu aluno na Universidade Operária de Paris com as notas das aulas de Politzer.
Um livro que é hoje ainda uma das mais didácticas introduções ao Materialismo Dialéctico, à filosofia do Marxismo-Leninismo, E que muito recomendamos.
Publicado pelo jornal da ORL do PCP
Tive o privilégio de ler este livro em 1969 e foi nele que me embebi no ideal comunista.
Vou procurar partilhar com os que me lêem alguns trechos que eu julgue serem de maior importância
Quelha Funda
Em maio deste ano 2009 fez 67 anos que o filósofo Georges Politzer foi assassinado pelos ocupantes nazis da França. De origem húngara, participante da Revolução Húngara de 1919 refugiara-se em França depois do esmagamento da Revolução pela aliança militar entre as burguesias ocidentais e húngara e a sequente instauração do regime fascista na Hungria. A sua vida de revolucionário terminaria ao ser entregue ao ocupante alemão pelo governo burguês colaboracionista da França em 1942, pelo crime de ser comunista e patriota que levaria ao seu fuzilamento depois de meses de tortura. Deixou-nos o livro que hoje apresentamos, escrito por um seu aluno na Universidade Operária de Paris com as notas das aulas de Politzer.
Um livro que é hoje ainda uma das mais didácticas introduções ao Materialismo Dialéctico, à filosofia do Marxismo-Leninismo, E que muito recomendamos.
Publicado pelo jornal da ORL do PCP
Tive o privilégio de ler este livro em 1969 e foi nele que me embebi no ideal comunista.
Vou procurar partilhar com os que me lêem alguns trechos que eu julgue serem de maior importância
Quelha Funda
Aumento do salário
Os Salários
O senhor ministro da economia, Vieira da Silva, já veio pôr a claro o seu pensamento e a sua submissão ao patronato afirmando, do alto do seu saber, que: "Com este plano de fundo a actualização de 1,5 por cento dos salários em 2010 pode não ser sustentável. Não será sustentável seguirmos políticas de rendimento e políticas salariais desajustadas do ciclo económico em que vivemos, pois não vejo como é possível que a riqueza seja distribuida se não for criada consistentemente". Citado pelo Diário Económico.
Se assim é e todos nós sabemos, se o país não cria riqueza ela não pode ser distribuida, porquê não inverte, o ministro, o rumo das coisas? Não pode distribuir riqueza mas poderá distribuir a pobreza. Não pode nivelar o nível de vida dos portugueses por cima, há que nivela-los por baixo começando logo pelo seu salário e dos seus colegas de governo e indo até aos governadores de bancos e outros administradores!
Não é justo Senhor Ministro da Economia?
Quelha Funda
O senhor ministro da economia, Vieira da Silva, já veio pôr a claro o seu pensamento e a sua submissão ao patronato afirmando, do alto do seu saber, que: "Com este plano de fundo a actualização de 1,5 por cento dos salários em 2010 pode não ser sustentável. Não será sustentável seguirmos políticas de rendimento e políticas salariais desajustadas do ciclo económico em que vivemos, pois não vejo como é possível que a riqueza seja distribuida se não for criada consistentemente". Citado pelo Diário Económico.
Se assim é e todos nós sabemos, se o país não cria riqueza ela não pode ser distribuida, porquê não inverte, o ministro, o rumo das coisas? Não pode distribuir riqueza mas poderá distribuir a pobreza. Não pode nivelar o nível de vida dos portugueses por cima, há que nivela-los por baixo começando logo pelo seu salário e dos seus colegas de governo e indo até aos governadores de bancos e outros administradores!
Não é justo Senhor Ministro da Economia?
Quelha Funda
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
O Muro de Berlim
Entrevista com Egon Krenz, ultimo presidente do Conselho de Estado da RDA.*
-O Senhor esteve preso durante vários anos, o que tem adizer?
Tenho a sorte de ter uma família intacta e amigos fieis. Tenho a esperança que os meu netos conseguirão o que nós tentámos construir. Em 1989, não foram as ideias socialistas que foram enterradas, mas antes um certo modelo de socialismo. Estes anos de prisão foram, principalmente para a minha família muito duros pois os ataques, que me eram feitos, visavam a minha honra. Eu sabia que não me ofereceriam flores. Por uma razão simples: desde a sua elaboração, a lei fundamental da RFA estipulava que os territórios alemães situados fora da RFA deviam ser recuperados; todos aqueles que exerciam uma função responsável eram considerados como criminosos e malfeitores. Eu sabia isso já à muito tempo mas recuso e recusarei sempre as acusações que foram levantadas contra mim. A história me libertará. A Minha sorte pessoal pouco importa. Ao contrário, o calvário vivido por numerosos cidadãos da RDA releva do inadmissível. Eu penso a todos, que foram marginalizados. A divisão da Alemanha não era uma coisa natural. Ela era contrária à nossa História.
-Mas o senhor apercebeu-se que os dirigentes da RFA tudo fizeram para evitar a prisão dos nazis?
-Eu respeitei escrupulosamente as leis da RDA.Não cometi nenhum crime.
-Como viveu os últimos dias da RDA?
-Eu não sou da geração dos que vieram dos campos de concentração, da guerra da Resistência ou de Moscovo.
No"bureau" político do SED,eu era o mais jovem. Eu sou um infante da RDA. Todos os outros tinham sobrevivido ao nazismo. Eu ocupei numerosas funções: de representante dos alunos no meu colégio, até à presidencia do Conselho de Estado. Com o desaparecimento da RDA, é uma boa parte da minha vida que eu enterrei.
-Passou algum acordo com o chanceler Kohl?
-Nós tinhamos dicidido de abrir avários pontos de passagem. A data foi fixada, pelo meu governo, a 10 de Novembro de 1989. Ora na vespera um membro do "bureau" político, Schabowski, anunciou publicamente,não a abertura das passagens," mas a destruição do muro".Nós tinhamos acordado com Kohl pela abertura em "doçura" das fronteiras.
-Pensou, em algum momento, a usagem da força?
-Posso jurar que nós nunca envisajámos uma tal decisão. Eu sabia que uma só morte teria consequências trágicas. O uso da força, e nós tinhamos os meios, teriam coduzido à castástrofe.
Num dos vossos livros, o senhor protésta contra a reescritura da história.
-Tantas coisas foram ditase escritas... É preciso voltar ao essencial: sem Hitler, o nazismo, a Segunda Guerra mundial e a reforma monetária de 1948, a história da Alemanha poderia se ter escrito de outra maneira. O mal do povo alemão, foi o facismo.
-Vinte anos depois do fim da RDA, o socialismo, no seu entender, é morto?
-A ideia socialista, os valores do socialismo vivem e viverão. Eu estou persuadido que o futuro será o socialismo ou a barbaridade. O antigo sistema é definitivamente morto. Eu considero que falhei. A outros de Construir o socialismo moderno e democrático. Um novo socialismo
* Egon Krenz vive com a família perto de Rostok
Entrevista feita por José Fort-----Humanité
Publicado por Quelh Funda
-O Senhor esteve preso durante vários anos, o que tem adizer?
Tenho a sorte de ter uma família intacta e amigos fieis. Tenho a esperança que os meu netos conseguirão o que nós tentámos construir. Em 1989, não foram as ideias socialistas que foram enterradas, mas antes um certo modelo de socialismo. Estes anos de prisão foram, principalmente para a minha família muito duros pois os ataques, que me eram feitos, visavam a minha honra. Eu sabia que não me ofereceriam flores. Por uma razão simples: desde a sua elaboração, a lei fundamental da RFA estipulava que os territórios alemães situados fora da RFA deviam ser recuperados; todos aqueles que exerciam uma função responsável eram considerados como criminosos e malfeitores. Eu sabia isso já à muito tempo mas recuso e recusarei sempre as acusações que foram levantadas contra mim. A história me libertará. A Minha sorte pessoal pouco importa. Ao contrário, o calvário vivido por numerosos cidadãos da RDA releva do inadmissível. Eu penso a todos, que foram marginalizados. A divisão da Alemanha não era uma coisa natural. Ela era contrária à nossa História.
-Mas o senhor apercebeu-se que os dirigentes da RFA tudo fizeram para evitar a prisão dos nazis?
-Eu respeitei escrupulosamente as leis da RDA.Não cometi nenhum crime.
-Como viveu os últimos dias da RDA?
-Eu não sou da geração dos que vieram dos campos de concentração, da guerra da Resistência ou de Moscovo.
No"bureau" político do SED,eu era o mais jovem. Eu sou um infante da RDA. Todos os outros tinham sobrevivido ao nazismo. Eu ocupei numerosas funções: de representante dos alunos no meu colégio, até à presidencia do Conselho de Estado. Com o desaparecimento da RDA, é uma boa parte da minha vida que eu enterrei.
-Passou algum acordo com o chanceler Kohl?
-Nós tinhamos dicidido de abrir avários pontos de passagem. A data foi fixada, pelo meu governo, a 10 de Novembro de 1989. Ora na vespera um membro do "bureau" político, Schabowski, anunciou publicamente,não a abertura das passagens," mas a destruição do muro".Nós tinhamos acordado com Kohl pela abertura em "doçura" das fronteiras.
-Pensou, em algum momento, a usagem da força?
-Posso jurar que nós nunca envisajámos uma tal decisão. Eu sabia que uma só morte teria consequências trágicas. O uso da força, e nós tinhamos os meios, teriam coduzido à castástrofe.
Num dos vossos livros, o senhor protésta contra a reescritura da história.
-Tantas coisas foram ditase escritas... É preciso voltar ao essencial: sem Hitler, o nazismo, a Segunda Guerra mundial e a reforma monetária de 1948, a história da Alemanha poderia se ter escrito de outra maneira. O mal do povo alemão, foi o facismo.
-Vinte anos depois do fim da RDA, o socialismo, no seu entender, é morto?
-A ideia socialista, os valores do socialismo vivem e viverão. Eu estou persuadido que o futuro será o socialismo ou a barbaridade. O antigo sistema é definitivamente morto. Eu considero que falhei. A outros de Construir o socialismo moderno e democrático. Um novo socialismo
* Egon Krenz vive com a família perto de Rostok
Entrevista feita por José Fort-----Humanité
Publicado por Quelh Funda
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Opinião de Mário Crespo
Os intocáveis
Ontem
O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.
Quelha Funda
Os intocáveis
Ontem
O processo Face Oculta deu-me, finalmente, resposta à pergunta que fiz ao ministro da Presidência Pedro Silva Pereira - se no sector do Estado que lhe estava confiado havia ambiente para trocas de favores por dinheiro. Pedro Silva Pereira respondeu-me na altura que a minha pergunta era insultuosa.
Agora, o despacho judicial que descreve a rede de corrupção que abrange o mundo da sucata, executivos da alta finança e agentes do Estado, responde-me ao que Silva Pereira fugiu: Que sim. Havia esse ambiente. E diz mais. Diz que continua a haver. A brilhante investigação do Ministério Público e da Polícia Judiciária de Aveiro revela um universo de roubalheira demasiado gritante para ser encoberto por segredos de justiça.
O país tem de saber de tudo porque por cada sucateiro que dá um Mercedes topo de gama a um agente do Estado há 50 famílias desempregadas. É dinheiro público que paga concursos viciados, subornos e sinecuras. Com a lentidão da Justiça e a panóplia de artifícios dilatórios à disposição dos advogados, os silêncios dão aos criminosos tempo. Tempo para que os delitos caiam no esquecimento e a prática de crimes na habituação. Foi para isso que o primeiro-ministro contribuiu quando, questionado sobre a Face Oculta, respondeu: "O Senhor jornalista devia saber que eu não comento processos judiciais em curso (…)". O "Senhor jornalista" provavelmente já sabia, mas se calhar julgava que Sócrates tinha mudado neste mandato. Armando Vara é seu camarada de partido, seu amigo, foi seu colega de governo e seu companheiro de carteira nessa escola de saber que era a Universidade Independente. Licenciaram-se os dois nas ciências lá disponíveis quase na mesma altura. Mas sobretudo, Vara geria (de facto ainda gere) milhões em dinheiros públicos. Por esses, Sócrates tem de responder. Tal como tem de responder pelos valores do património nacional que lhe foram e ainda estão confiados e que à força de milhões de libras esterlinas podem ter sido lesados no Freeport.
Face ao que (felizmente) já se sabe sobre as redes de corrupção em Portugal, um chefe de Governo não se pode refugiar no "no comment" a que a Justiça supostamente o obriga, porque a Justiça não o obriga a nada disso. Pelo contrário. Exige-lhe que fale. Que diga que estas práticas não podem ser toleradas e que dê conta do que está a fazer para lhes pôr um fim. Declarações idênticas de não-comentário têm sido produzidas pelo presidente Cavaco Silva sobre o Freeport, sobre Lopes da Mota, sobre o BPN, sobre a SLN, sobre Dias Loureiro, sobre Oliveira Costa e tudo o mais que tem lançado dúvidas sobre a lisura da nossa vida pública. Estes silêncios que variam entre o ameaçador, o irónico e o cínico, estão a dar ao país uma mensagem clara: os agentes do Estado protegem-se uns aos outros com silêncios cúmplices sempre que um deles é apanhado com as calças na mão (ou sem elas) violando crianças da Casa Pia, roubando carris para vender na sucata, viabilizando centros comerciais em cima de reservas naturais, comprando habilitações para preencher os vazios humanísticos que a aculturação deixou em aberto ou aceitando acções não cotadas de uma qualquer obscuridade empresarial que rendem 147,5% ao ano. Lida cá fora a mensagem traduz-se na simplicidade brutal do mais interiorizado conceito em Portugal: nos grandes ninguém toca.
Quelha Funda
sábado, 31 de outubro de 2009
POLITICA
O marxismo-leninismo e as religiões
Revolução é ruptura, transformação e progresso. Socialismo é democracia, aprendizagem em todos os campos do saber, promoção da justiça e da igual distribuição justa da riqueza. Todos estes valores e relações entre valores se incluem no ideário e na prática marxista-leninista.Naturalmente que a filosofia de acção transformadora dos comunistas é laica, baseia-se no conhecimento racional e não na fé. Distancia-se permanentemente de qualquer atavismo religioso e procura expurgar as marcas teológicas da nova sociedade em criação e educar as actuais gerações e as vindouras como militantes da razão. «O comunista» - escreveu Lénine - «não passaria de um fanfarrão se não reelaborasse na sua consciência todos os conhecimentos adquiridos e se limitasse a aprender dogmaticamente conclusões já estabelecidas, sem antes ter realizado um trabalho muito sério, muito grande e muito difícil: analisar os factos perante os quais é preciso que adopte uma atitude crítica». Estes princípios lógicos conduzem o pensamento comunista em qualquer área onde a reflexão crítica se exerça: na política, na investigação, na literatura, na análise social ou na caracterização do papel das religiões. Jamais será aceitável para um comunista acreditar que a construção do homem ou da sociedade depende de uma fonte única, sobrenatural. Mas também, invariavelmente, considerará inaceitável admitir que qualquer Estado use do poder para violar os direitos dos cidadãos à opinião e à fé. O «homem novo» constrói-se passo a passo, pelo trabalho e pela educação. Com a ressalva de que a qualquer igreja ou credo não poderá ser consentido o uso da religião como fachada da acção conspirativa ou como instrumento de expansão dos mercados. É este o necessário equilíbrio entre direitos e deveres de cidadania numa sociedade, primeiro socialista e depois comunista, numa sociedade emergente e criadora. Dizia Engels: « A nossa doutrina não é um dogma mas uma doutrina para a acção».
A paz passa pelo comunismo
O actual mapa político mundial caracteriza-se pela presença de estados imperialistas que se digladiam entre si. Entre os impérios das grandes fortunas que geram continuamente gigantescas manchas de pobreza. Sobre as ruínas dos princípios de honra e com a acelerada degradação dos níveis de conhecimento acessíveis às massas populares, em contraste e contradição com as brilhantes aquisições tecnológicas reservadas às elites. O capitalismo neoliberal, mais do que em qualquer outra época anterior, revela a sua identidade de métodos e objectivos com as tácticas e estratégias do capital que desencadeia as guerras, a exploração do homem pelo homem, a fome e a miséria e com as grandes religiões organizadas que pregam a reconciliação mas agem como diligentes activos do mesmo capital. E não é só à igreja católica (ainda que a a sua responsabilidade seja enorme) que se devem apontar tremendos crimes. Todas as grandes religiões do mundo moderno incorrem nos mesmos comportamentos: acenam com Deus e com os santos enquanto fornecem o indispensável suporte aos tiranos e aos senhores do dinheiro. Elas próprias especulam e intervêm activamente nos mercados. Disfarçam-se de santas para recolherem os lucros dos off-shores, dos negócios da exploração das classes pobres, das drogas, do petróleo, dos armamentos ou do tráfico humano. Necessariamente, quando assim procedem, descrevem uma rota de colisão com o pensamento e a acção marxista-leninista.Acentue-se, porém, que a construção do «homem novo» e de uma nova sociedade, é trabalho operário. Decorre da acção, do esclarecimento e da educação das massas populares e não do discurso político. Por isso mesmo, o comunista precisa de trabalhar humildemente, acumulando materiais e construindo o novo edifício, da base ao topo. Deve recusar as grandes e redundantes polémicas que a nada conduzem. A nossa oficina não se situa nos areópagos mas nas ruas, nas casas onde vive gente, nas fábricas, nas escolas, nos locais onde mora a juventude. Aí, sim ! Aí estamos nós, comunistas, e germinam as sementes da igualdade e da justiça social. A tudo isto acresce o facto de que os comunistas não precisaram de Fátima, nem dos Anjos do Apocalipse. A Jerusalém futura há-de ser construída com as suas próprias mãos. Connosco, ao nosso encontro, virão milhões de crentes nas religiões ou noutras formas de fé, explorados e oprimidos.
Revolução é ruptura, transformação e progresso. Socialismo é democracia, aprendizagem em todos os campos do saber, promoção da justiça e da igual distribuição justa da riqueza. Todos estes valores e relações entre valores se incluem no ideário e na prática marxista-leninista.Naturalmente que a filosofia de acção transformadora dos comunistas é laica, baseia-se no conhecimento racional e não na fé. Distancia-se permanentemente de qualquer atavismo religioso e procura expurgar as marcas teológicas da nova sociedade em criação e educar as actuais gerações e as vindouras como militantes da razão. «O comunista» - escreveu Lénine - «não passaria de um fanfarrão se não reelaborasse na sua consciência todos os conhecimentos adquiridos e se limitasse a aprender dogmaticamente conclusões já estabelecidas, sem antes ter realizado um trabalho muito sério, muito grande e muito difícil: analisar os factos perante os quais é preciso que adopte uma atitude crítica». Estes princípios lógicos conduzem o pensamento comunista em qualquer área onde a reflexão crítica se exerça: na política, na investigação, na literatura, na análise social ou na caracterização do papel das religiões. Jamais será aceitável para um comunista acreditar que a construção do homem ou da sociedade depende de uma fonte única, sobrenatural. Mas também, invariavelmente, considerará inaceitável admitir que qualquer Estado use do poder para violar os direitos dos cidadãos à opinião e à fé. O «homem novo» constrói-se passo a passo, pelo trabalho e pela educação. Com a ressalva de que a qualquer igreja ou credo não poderá ser consentido o uso da religião como fachada da acção conspirativa ou como instrumento de expansão dos mercados. É este o necessário equilíbrio entre direitos e deveres de cidadania numa sociedade, primeiro socialista e depois comunista, numa sociedade emergente e criadora. Dizia Engels: « A nossa doutrina não é um dogma mas uma doutrina para a acção».
A paz passa pelo comunismo
O actual mapa político mundial caracteriza-se pela presença de estados imperialistas que se digladiam entre si. Entre os impérios das grandes fortunas que geram continuamente gigantescas manchas de pobreza. Sobre as ruínas dos princípios de honra e com a acelerada degradação dos níveis de conhecimento acessíveis às massas populares, em contraste e contradição com as brilhantes aquisições tecnológicas reservadas às elites. O capitalismo neoliberal, mais do que em qualquer outra época anterior, revela a sua identidade de métodos e objectivos com as tácticas e estratégias do capital que desencadeia as guerras, a exploração do homem pelo homem, a fome e a miséria e com as grandes religiões organizadas que pregam a reconciliação mas agem como diligentes activos do mesmo capital. E não é só à igreja católica (ainda que a a sua responsabilidade seja enorme) que se devem apontar tremendos crimes. Todas as grandes religiões do mundo moderno incorrem nos mesmos comportamentos: acenam com Deus e com os santos enquanto fornecem o indispensável suporte aos tiranos e aos senhores do dinheiro. Elas próprias especulam e intervêm activamente nos mercados. Disfarçam-se de santas para recolherem os lucros dos off-shores, dos negócios da exploração das classes pobres, das drogas, do petróleo, dos armamentos ou do tráfico humano. Necessariamente, quando assim procedem, descrevem uma rota de colisão com o pensamento e a acção marxista-leninista.Acentue-se, porém, que a construção do «homem novo» e de uma nova sociedade, é trabalho operário. Decorre da acção, do esclarecimento e da educação das massas populares e não do discurso político. Por isso mesmo, o comunista precisa de trabalhar humildemente, acumulando materiais e construindo o novo edifício, da base ao topo. Deve recusar as grandes e redundantes polémicas que a nada conduzem. A nossa oficina não se situa nos areópagos mas nas ruas, nas casas onde vive gente, nas fábricas, nas escolas, nos locais onde mora a juventude. Aí, sim ! Aí estamos nós, comunistas, e germinam as sementes da igualdade e da justiça social. A tudo isto acresce o facto de que os comunistas não precisaram de Fátima, nem dos Anjos do Apocalipse. A Jerusalém futura há-de ser construída com as suas próprias mãos. Connosco, ao nosso encontro, virão milhões de crentes nas religiões ou noutras formas de fé, explorados e oprimidos.
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
Política
Besson, Militar De Uma Ofensiva Ultra-reaccionária
A iniciativa do ministro da imigração sobre a "identidade nacional" e "o orgulho de ser francês", relança o debate, na França, sobre os fundamentos ideológicos do Sarkozysme.
Republica contra "identidade nacional", acolhimento e direito de asilo contra a "imigração escolhida", desenvolvimento contra Europa fortaleza, igualdade contra discriminação...
Depois do lamaçal provocado na campanha presidencial de Nicolas Sarkozy pelo ressurgimento da noção da identidade nacional arrancada aos baixos fundos da direita mais reaccionária, a criação inédita da Republica de um ministério para se ocupar desta questão parecia se banalizar com o tempo. Mas Eric Besson chega ao governo pela mão de Sarkozy, e de onde ele vem? Do partido socialista! Vendo que a caravana socialista não o podia levar ao lugar desejado não hesitou e montou outro cavalo. Hoje para retribuir os favores do chefe não hesita a fazer o sujo trabalho seguindo as ideias, durante anos defendidas por Lepen.
Dizem que a história não se repete mas Bessons há muitos por todo o lado e em Portugal não faltam.
QUELHA FUNDA
A iniciativa do ministro da imigração sobre a "identidade nacional" e "o orgulho de ser francês", relança o debate, na França, sobre os fundamentos ideológicos do Sarkozysme.
Republica contra "identidade nacional", acolhimento e direito de asilo contra a "imigração escolhida", desenvolvimento contra Europa fortaleza, igualdade contra discriminação...
Depois do lamaçal provocado na campanha presidencial de Nicolas Sarkozy pelo ressurgimento da noção da identidade nacional arrancada aos baixos fundos da direita mais reaccionária, a criação inédita da Republica de um ministério para se ocupar desta questão parecia se banalizar com o tempo. Mas Eric Besson chega ao governo pela mão de Sarkozy, e de onde ele vem? Do partido socialista! Vendo que a caravana socialista não o podia levar ao lugar desejado não hesitou e montou outro cavalo. Hoje para retribuir os favores do chefe não hesita a fazer o sujo trabalho seguindo as ideias, durante anos defendidas por Lepen.
Dizem que a história não se repete mas Bessons há muitos por todo o lado e em Portugal não faltam.
QUELHA FUNDA
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Religião
Nomes de Deus De André Comte-Sponville (continuação)
"O materialismo", escreve em determinada altura, "sem ser sempre ateu, é inseparável da crítica da religião." No livro, Uma Educação Filosófica, não poupa a crítica em relação à religião, escrevendo: "A religião é uma ilusão. Pior, uma cobardia e uma renegação." É por isso uma falta. É duro, como afirmação".
-Sim,é duro. mas aí, é preciso entrar um pouco no detalhe. Porquê "uma ilusão"? Eu parti do texto de Freud, O Futuro de uma Ilusão, onde Freud explica que uma ilusão não é a mesma coisa que um erro, não é forçadamente um erro. Quando eu digo que a religião é uma ilusão, não quero dizer que Deus não existe,mesmo se é o que eu creio. Freud diz: "uma ilusão é um pensamento derivado dos desejos humanos". Se fazer de ilusões como dizem, é acreditar que é verdade o que se deseja, acreditar que é verdade o que esperamos. Dito de outra maneira, familiarmente: tomar os nossos desejos por realidade.
Que desejamos nós? Não morrer, ser amado. E o que nos diz a religião? Que nós não morremos e que nós somos amados para lá de toda a esperança... Por isso a religião é uma ilusão em si, pois é um pensamento derivado de um saber - pois não se trata de saber de Deus - mas dos nossos desejos! É portanto uma ilusão: acreditar em Deus, ´´e tomar os nossos desejos por realidade. Este é o primeiro ponto. Porquê , o segundo ponto, é uma cobardia ou uma renegação? Porque, me parece, ser religioso, é considerar que a verdade é já conhecida, já que ela é revelada. É portanto come ter a liberdade do seu espírito a um corpo de doutrina que é já constituído, independentemente de todo o exame.
E é verdade que nesse sentido, como intelectual, como racionalista, como livre pensador (não no sentido dogmático ou estreito que a palavra tem por vezes, mas no sentido literal),eu recuso que o meu pensamento, se some-ta, antes de todo o exame, a verdades pretensamente reveladas, sejam elas quais forem. Recuso os dogmas assim como as promessas.
-É a famosa frase de Renan!
-"É possível que a verdade fosse triste". É a isso que pensa? Sim, talvez que a verdade seja triste. Dito de outra maneira, quando procuro saber o que pode ser a verdade - não a conheço mais que os outros, mas como cada um, procuro ver qual é a verdade mais provável, o que me parece verdade, - não devo ter em conta as minhas esperanças. Nada prova que a verdade corresponde ao que eu espero. Se eu devo escolher em função das minhas esperanças, acredite que preferia que Deus existisse. Se isso não dependesse de mim! Mas a esperança não é um argumento. E é o que significa o ateísmo.
-Enfim, a "renegação".
-A renegação, justamente, porque é renegar esta liberdade de espírito, é renunciar a esse poder, e a esse dever, de livre-exame. Depois, terceiro ponto é também aceitar o horror. Aceitar o horror, porque o mundo tal como o conhecemos, a vida como a conhecemos, não são globalmente atrozes, mas contêm atrocidades. Há males onde os homens são responsáveis, como as guerras e a injustiça, mas há também muitos horrores de que eles não são responsáveis: os cataclismos,as doenças, o sofrimento de crianças...
Como, diante de uma criança que sofre, diante uma criança que morre, diante da mãe desta criança,como ousar celebrar a bondade e o todo poder de Deus ou as maravilhas da sua criação? Crer em Deus, crer em um Deus bom e todo poderoso, é tolerar o intolerável! É o que eu chamo a cobardia: aceitar o inaceitável. É violar, creio eu, o dever de compaixão, de solidariedade, com os que estão no horror, com os que estão em face da atrocidade. Ninguém, diante de uma criança que sofre e que morre, ninguém, diante da mãe dessa criança não poderá dizer:"Este mundo foi criado por um Deus bom e todo poderoso." E bem, o que não se pode dizer diante de uma criança que sofre, não se poderá dizer, nunca, porque há sempre em qualquer canto do mundo,crianças que sofrem atrozmente.
Não transigimos, mas nunca, com o horror.
QUELHA FUNDA
"O materialismo", escreve em determinada altura, "sem ser sempre ateu, é inseparável da crítica da religião." No livro, Uma Educação Filosófica, não poupa a crítica em relação à religião, escrevendo: "A religião é uma ilusão. Pior, uma cobardia e uma renegação." É por isso uma falta. É duro, como afirmação".
-Sim,é duro. mas aí, é preciso entrar um pouco no detalhe. Porquê "uma ilusão"? Eu parti do texto de Freud, O Futuro de uma Ilusão, onde Freud explica que uma ilusão não é a mesma coisa que um erro, não é forçadamente um erro. Quando eu digo que a religião é uma ilusão, não quero dizer que Deus não existe,mesmo se é o que eu creio. Freud diz: "uma ilusão é um pensamento derivado dos desejos humanos". Se fazer de ilusões como dizem, é acreditar que é verdade o que se deseja, acreditar que é verdade o que esperamos. Dito de outra maneira, familiarmente: tomar os nossos desejos por realidade.
Que desejamos nós? Não morrer, ser amado. E o que nos diz a religião? Que nós não morremos e que nós somos amados para lá de toda a esperança... Por isso a religião é uma ilusão em si, pois é um pensamento derivado de um saber - pois não se trata de saber de Deus - mas dos nossos desejos! É portanto uma ilusão: acreditar em Deus, ´´e tomar os nossos desejos por realidade. Este é o primeiro ponto. Porquê , o segundo ponto, é uma cobardia ou uma renegação? Porque, me parece, ser religioso, é considerar que a verdade é já conhecida, já que ela é revelada. É portanto come ter a liberdade do seu espírito a um corpo de doutrina que é já constituído, independentemente de todo o exame.
E é verdade que nesse sentido, como intelectual, como racionalista, como livre pensador (não no sentido dogmático ou estreito que a palavra tem por vezes, mas no sentido literal),eu recuso que o meu pensamento, se some-ta, antes de todo o exame, a verdades pretensamente reveladas, sejam elas quais forem. Recuso os dogmas assim como as promessas.
-É a famosa frase de Renan!
-"É possível que a verdade fosse triste". É a isso que pensa? Sim, talvez que a verdade seja triste. Dito de outra maneira, quando procuro saber o que pode ser a verdade - não a conheço mais que os outros, mas como cada um, procuro ver qual é a verdade mais provável, o que me parece verdade, - não devo ter em conta as minhas esperanças. Nada prova que a verdade corresponde ao que eu espero. Se eu devo escolher em função das minhas esperanças, acredite que preferia que Deus existisse. Se isso não dependesse de mim! Mas a esperança não é um argumento. E é o que significa o ateísmo.
-Enfim, a "renegação".
-A renegação, justamente, porque é renegar esta liberdade de espírito, é renunciar a esse poder, e a esse dever, de livre-exame. Depois, terceiro ponto é também aceitar o horror. Aceitar o horror, porque o mundo tal como o conhecemos, a vida como a conhecemos, não são globalmente atrozes, mas contêm atrocidades. Há males onde os homens são responsáveis, como as guerras e a injustiça, mas há também muitos horrores de que eles não são responsáveis: os cataclismos,as doenças, o sofrimento de crianças...
Como, diante de uma criança que sofre, diante uma criança que morre, diante da mãe desta criança,como ousar celebrar a bondade e o todo poder de Deus ou as maravilhas da sua criação? Crer em Deus, crer em um Deus bom e todo poderoso, é tolerar o intolerável! É o que eu chamo a cobardia: aceitar o inaceitável. É violar, creio eu, o dever de compaixão, de solidariedade, com os que estão no horror, com os que estão em face da atrocidade. Ninguém, diante de uma criança que sofre e que morre, ninguém, diante da mãe dessa criança não poderá dizer:"Este mundo foi criado por um Deus bom e todo poderoso." E bem, o que não se pode dizer diante de uma criança que sofre, não se poderá dizer, nunca, porque há sempre em qualquer canto do mundo,crianças que sofrem atrozmente.
Não transigimos, mas nunca, com o horror.
QUELHA FUNDA
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Religião
Nomes de Deus ( De André Comte-Sponville )
Numa conversa com André Comte-Sponville, foi-lhe posta a seguinte questão: - Vós dizeis a propósito de Deus, "A sua existência, depois da sua não existência, foi sempre para mim a questão principal". Existência primeiro, não existência não existência de seguida? Como se operou em você a passagem da fé ao ateísmo?
-É bem a questão principal. Toda a nossa vida muda, me parece, ao menos na sua primeira parte - creio que é menos verdade no fim do percurso, - mas toda a nossa vida parece mudar segundo se acredita ou não, em Deus. Quero dizer que se acreditamos ou não, que a verdade é do lado dos nossos sonhos, que a verdade é do lado das nossas esperanças.
No fundo o que é acreditar-mos em Deus? Acreditar em Deus, é acreditar que o essencial dos nossos desejos, os nossos desejos mais fortes, serão satisfeitos, ou que já o sejam. O que é que nós desejaríamos, em primeiro? Não morrer, reencontrar todos os que perdemos, sermos amados... E o que nos diz a religião? Que nós não morremos, ou morrer verdadeiramente, que nós vamos ressuscitar; que nós reencontraremos os que tínhamos amado e perdemos; enfim que nós somos amados para lá de toda a esperança. Como eu amaria que isso fosse verdade! Você me pergunta:"Como é que passei da fé ao ateísmo?" Pois direi, que passei da fé ao ateísmo em passando da esperança ao desespero.
-Não é a escolha mais fácil. você escreveu no livro, O Mito de Ícaro: O difícil é de estar só, sem Deus, sem amigos,sem amor. O ateísmo è difícil." Você escolheu a dificuldade?
-Sim, porque é difícil renunciar às suas esperanças. Porque é difícil de afrontar o que há de desesperante na condição humana. E ainda mais quando renunciamos ao que eu chamo as "religiões de substituição", quer dizer estas outras esperanças que serviram durante muito tempo como produto de substituição da religião.
E na minha biografia, que você evocou, houve o que se chama hoje, o "messianismo marxista", o que quer dizer uma esperança, certo, valendo para esta Terra, uma esperança imanente,como dizem os filósofos, mas que tinha bem todos os caracteres do absoluto religioso.
Dito de outra maneira, é bom de esperar isto ou aquilo, seja por uma ou outra via; mas há uma realidade, a vida continua! A vida tal que ela é: a vida real. ora o que eu constato ( como toda a gente creio eu,) é que a vida, no fundo, é enganadora. Porque ela não corresponde às nossas esperanças. de maneira que, diante das decepções que a vida não deixa de lhes infligir, muita gente julga que, se a vida não satisfaz as suas esperanças, é porque a vida é madrasta. E elas se fecham assim, ainda com vida na amargura e no ressentimento.
- portanto a escolha, de alguma maneira filosófica, do que chamam o materialismo. Pode-se explicar assim, o que Lenine chamava "A Linha de Démocrite".
-Sim. A escolha do materialismo, é exactamente - antes de o dizer: "Se a vida não responde às minhas esperanças, é a vida que não tem razão",-deve-se dizer: "A vida faz o que pode!" A vida ou se aceita ou se recusa. Porque não há outra coisa. O real é a tomar ou a deixar. Deixamos de sonhar a vida, deixamos de esperar viver e vivamos! A linha de Démocrite, como dizia Lenine para definir o materialismo, e em primeiro o movimento que determina a escolher o mundo real,este mundo material ( de onde vem a palavra materialismo ), que consiste a pensar que não há outra vida que esta, corporal, material; que nada há a esperar da morte; que não há uma ultima esperança. Mas que, neste espaço, neste mundo, nesta vida, podemos esperar o prazer, o que é a experiência de todos nós, no dia a dia; podemos alcançar a felicidade.
Continua
QUELHA FUNDA
Numa conversa com André Comte-Sponville, foi-lhe posta a seguinte questão: - Vós dizeis a propósito de Deus, "A sua existência, depois da sua não existência, foi sempre para mim a questão principal". Existência primeiro, não existência não existência de seguida? Como se operou em você a passagem da fé ao ateísmo?
-É bem a questão principal. Toda a nossa vida muda, me parece, ao menos na sua primeira parte - creio que é menos verdade no fim do percurso, - mas toda a nossa vida parece mudar segundo se acredita ou não, em Deus. Quero dizer que se acreditamos ou não, que a verdade é do lado dos nossos sonhos, que a verdade é do lado das nossas esperanças.
No fundo o que é acreditar-mos em Deus? Acreditar em Deus, é acreditar que o essencial dos nossos desejos, os nossos desejos mais fortes, serão satisfeitos, ou que já o sejam. O que é que nós desejaríamos, em primeiro? Não morrer, reencontrar todos os que perdemos, sermos amados... E o que nos diz a religião? Que nós não morremos, ou morrer verdadeiramente, que nós vamos ressuscitar; que nós reencontraremos os que tínhamos amado e perdemos; enfim que nós somos amados para lá de toda a esperança. Como eu amaria que isso fosse verdade! Você me pergunta:"Como é que passei da fé ao ateísmo?" Pois direi, que passei da fé ao ateísmo em passando da esperança ao desespero.
-Não é a escolha mais fácil. você escreveu no livro, O Mito de Ícaro: O difícil é de estar só, sem Deus, sem amigos,sem amor. O ateísmo è difícil." Você escolheu a dificuldade?
-Sim, porque é difícil renunciar às suas esperanças. Porque é difícil de afrontar o que há de desesperante na condição humana. E ainda mais quando renunciamos ao que eu chamo as "religiões de substituição", quer dizer estas outras esperanças que serviram durante muito tempo como produto de substituição da religião.
E na minha biografia, que você evocou, houve o que se chama hoje, o "messianismo marxista", o que quer dizer uma esperança, certo, valendo para esta Terra, uma esperança imanente,como dizem os filósofos, mas que tinha bem todos os caracteres do absoluto religioso.
Dito de outra maneira, é bom de esperar isto ou aquilo, seja por uma ou outra via; mas há uma realidade, a vida continua! A vida tal que ela é: a vida real. ora o que eu constato ( como toda a gente creio eu,) é que a vida, no fundo, é enganadora. Porque ela não corresponde às nossas esperanças. de maneira que, diante das decepções que a vida não deixa de lhes infligir, muita gente julga que, se a vida não satisfaz as suas esperanças, é porque a vida é madrasta. E elas se fecham assim, ainda com vida na amargura e no ressentimento.
- portanto a escolha, de alguma maneira filosófica, do que chamam o materialismo. Pode-se explicar assim, o que Lenine chamava "A Linha de Démocrite".
-Sim. A escolha do materialismo, é exactamente - antes de o dizer: "Se a vida não responde às minhas esperanças, é a vida que não tem razão",-deve-se dizer: "A vida faz o que pode!" A vida ou se aceita ou se recusa. Porque não há outra coisa. O real é a tomar ou a deixar. Deixamos de sonhar a vida, deixamos de esperar viver e vivamos! A linha de Démocrite, como dizia Lenine para definir o materialismo, e em primeiro o movimento que determina a escolher o mundo real,este mundo material ( de onde vem a palavra materialismo ), que consiste a pensar que não há outra vida que esta, corporal, material; que nada há a esperar da morte; que não há uma ultima esperança. Mas que, neste espaço, neste mundo, nesta vida, podemos esperar o prazer, o que é a experiência de todos nós, no dia a dia; podemos alcançar a felicidade.
Continua
QUELHA FUNDA
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Eleições
As Palavras Têm Um Conteúdo
Na campanha eleitoral que se está desenrolando, seja para as legislativas, seja para as autárquicas, deparamos com cartazes, de todos os partidos, com palavras de ordem que na maioria não sabemos 0 que querem dizer.
Começando pelo P.S.: " CICLO de MUDANÇA"! Mudança para onde? Para melhor? Com as mesmas personagens? Ou para pior? O que com os mesmos intérpretes nos leva a crer que será o caso.
No P.S.D. é. "VAMOS PARA A FRENTE"! O que é arriscado pois se não baterem com a cabeça numa parede, só têm duas soluções: ou invadem a Espanha, o que é um grande risco, ou mergulham no Oceano, o que não deixa de ser um perigo.
No B.E. é mais bombástico e demagógico: "JUSTIÇA NA ECONOMIA"! Gostaria de saber se a grande maioria dos trabalhadores e dos reformados sabem o que isto quer dizer? Será que "JUSTIÇA NA ECONOMIA" serão melhores salários e melhores reformas?Se é isto que querem dizer então seria uma melhor repartição da riqueza.
Resta a C.D.U. com a palavra de ordem: "PARA UMA VIDA MELHOR"! Aqui compreendemos melhor; pois quem a não deseja? Quem não deseja melhores salários e melhores reformas, melhor ambiente; com mais lazer mais cultura e melhor acesso à saúde e à educação? É tudo isto que o povo deseja e que todos os partidos que nos têm governado passam ao lado e mesmo em campanha eleitoral não se ousam abordar.
Por isso o meu voto não será um voto imbecil. Não será um voto no mesmo. Será um voto de esperança com a certeza que se a C.D.U. se fortalecer essa esperança será maior.
É POR ISSO QUE EU VOTO NA C.D.U.
Quelha Funda
Na campanha eleitoral que se está desenrolando, seja para as legislativas, seja para as autárquicas, deparamos com cartazes, de todos os partidos, com palavras de ordem que na maioria não sabemos 0 que querem dizer.
Começando pelo P.S.: " CICLO de MUDANÇA"! Mudança para onde? Para melhor? Com as mesmas personagens? Ou para pior? O que com os mesmos intérpretes nos leva a crer que será o caso.
No P.S.D. é. "VAMOS PARA A FRENTE"! O que é arriscado pois se não baterem com a cabeça numa parede, só têm duas soluções: ou invadem a Espanha, o que é um grande risco, ou mergulham no Oceano, o que não deixa de ser um perigo.
No B.E. é mais bombástico e demagógico: "JUSTIÇA NA ECONOMIA"! Gostaria de saber se a grande maioria dos trabalhadores e dos reformados sabem o que isto quer dizer? Será que "JUSTIÇA NA ECONOMIA" serão melhores salários e melhores reformas?Se é isto que querem dizer então seria uma melhor repartição da riqueza.
Resta a C.D.U. com a palavra de ordem: "PARA UMA VIDA MELHOR"! Aqui compreendemos melhor; pois quem a não deseja? Quem não deseja melhores salários e melhores reformas, melhor ambiente; com mais lazer mais cultura e melhor acesso à saúde e à educação? É tudo isto que o povo deseja e que todos os partidos que nos têm governado passam ao lado e mesmo em campanha eleitoral não se ousam abordar.
Por isso o meu voto não será um voto imbecil. Não será um voto no mesmo. Será um voto de esperança com a certeza que se a C.D.U. se fortalecer essa esperança será maior.
É POR ISSO QUE EU VOTO NA C.D.U.
Quelha Funda
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Política
A Política - Segundo André Comte-Sponville (segunda parte)
Não temos razão de ver a política como uma actividade subalterna ou desprezivel. É o contrário que é verdade: Ocuparmo-nos da vida comum, dos problemas comuns, do destino comum é um dever essencial, para todo o ser humano e ninguém não se poderá isentar. Vais tu deixar o campo livre aos fascistas, aos racistas, aos demagogos? Vais tu deixar os burocratas decidir no teu lugar? Vais tu deixar que os tecnocratas ou carreiristas te imponham uma sociedade à sua conveniência? De que direito, então, te podes queixar de tudo o que vai mal? Como, se tu não fazes o teu dever para o impedir, não serás cúmplice do medíocre ou do pior? A inacção não é uma desculpa. A incompetência não o é também. Não fazer política, é renunciar a uma parte do nosso poder, o que é sempre perigoso, mas também a uma parte das nossas responsabilidades, o que é sempre condenável. O anti-político é um erro e uma falta; é ir contra aos nossos interesses e contra aos nossos deveres.
Há quem diga que no lugar da política se deve praticar a moral, a solidariedade ou a generosidade. É querer contar histórias quem assim pensa; é querer enganar os outros ou enganarem-se eles mesmos. Certo que a moral é necessária mas não podemos reduzir a política à moral. Se a moral reinasse, não tínhamos necessidade de polícia, de leis, de tribunais, do exército: não tínhamos necessidade de Estado nem de política. Contar com a moral para vencer a miséria ou a exclusão é viver na ilusão. Contar com o humanitário para fazer política estrangeira, de caridade para fazer política social e mesmo sobre o anti-racismo para fazer política de emigração é contar histórias que nada têm a ver com a realidade.
A moral não tem fronteiras; a política, sim. A moral não tem pátria; a política sim. A moral não defende os interesses de um país ou de um continente. A moral apenas conhece os indivíduos; a moral só conhece a humanidade, enquanto que a política, seja de direita ou de esquerda, serve para defender o povo, ou os povos, em particular- não contra a humanidade,que seria imoral e suicidário, mas no entanto em prioridade, o que a moral não saberá impor nem interdire absolutamente.
Poderemos preferir que a moral é suficiente, que o humanitário é suficiente: poderemos preferir não ter
necessidade de política mas será nos enganarmos sobre a história e mentir a nós próprios.
A política não é o contrário do egoísmo ( o que acontece com a moral), mas a sua expressão colectiva e conflituosa: trata-se de sermos egoístas colectivamente, pois é esse o nosso interesse, e o mais eficaz possível. Como? Em organizando convergências de interesses, o que se chama solidariedade (diferente da generosidade, que supõe ao contrário o desinteresse). Esta diferença é muitas vezes desconhecida; razão de mais para insistir. Ser solidário, é defender os interesses de outros, certo, mas porque eles são também - directamente ou indirectamente - os nossos. Agindo por eles estamos agindo por nós: porque temos os mesmos inimigos ou os mesmos interesses, porque somos expostos aos mesmos perigos e aos mesmos ataques.
Não basta esperar a justiça, a páz, a liberdade, a prosperidade... É necessário agir para as defender, para as fazer avançar, o que não se pode fazer com eficácia se não formos numerosos,e passa necessariamente pela política.
Quelha Funda
Não temos razão de ver a política como uma actividade subalterna ou desprezivel. É o contrário que é verdade: Ocuparmo-nos da vida comum, dos problemas comuns, do destino comum é um dever essencial, para todo o ser humano e ninguém não se poderá isentar. Vais tu deixar o campo livre aos fascistas, aos racistas, aos demagogos? Vais tu deixar os burocratas decidir no teu lugar? Vais tu deixar que os tecnocratas ou carreiristas te imponham uma sociedade à sua conveniência? De que direito, então, te podes queixar de tudo o que vai mal? Como, se tu não fazes o teu dever para o impedir, não serás cúmplice do medíocre ou do pior? A inacção não é uma desculpa. A incompetência não o é também. Não fazer política, é renunciar a uma parte do nosso poder, o que é sempre perigoso, mas também a uma parte das nossas responsabilidades, o que é sempre condenável. O anti-político é um erro e uma falta; é ir contra aos nossos interesses e contra aos nossos deveres.
Há quem diga que no lugar da política se deve praticar a moral, a solidariedade ou a generosidade. É querer contar histórias quem assim pensa; é querer enganar os outros ou enganarem-se eles mesmos. Certo que a moral é necessária mas não podemos reduzir a política à moral. Se a moral reinasse, não tínhamos necessidade de polícia, de leis, de tribunais, do exército: não tínhamos necessidade de Estado nem de política. Contar com a moral para vencer a miséria ou a exclusão é viver na ilusão. Contar com o humanitário para fazer política estrangeira, de caridade para fazer política social e mesmo sobre o anti-racismo para fazer política de emigração é contar histórias que nada têm a ver com a realidade.
A moral não tem fronteiras; a política, sim. A moral não tem pátria; a política sim. A moral não defende os interesses de um país ou de um continente. A moral apenas conhece os indivíduos; a moral só conhece a humanidade, enquanto que a política, seja de direita ou de esquerda, serve para defender o povo, ou os povos, em particular- não contra a humanidade,que seria imoral e suicidário, mas no entanto em prioridade, o que a moral não saberá impor nem interdire absolutamente.
Poderemos preferir que a moral é suficiente, que o humanitário é suficiente: poderemos preferir não ter
necessidade de política mas será nos enganarmos sobre a história e mentir a nós próprios.
A política não é o contrário do egoísmo ( o que acontece com a moral), mas a sua expressão colectiva e conflituosa: trata-se de sermos egoístas colectivamente, pois é esse o nosso interesse, e o mais eficaz possível. Como? Em organizando convergências de interesses, o que se chama solidariedade (diferente da generosidade, que supõe ao contrário o desinteresse). Esta diferença é muitas vezes desconhecida; razão de mais para insistir. Ser solidário, é defender os interesses de outros, certo, mas porque eles são também - directamente ou indirectamente - os nossos. Agindo por eles estamos agindo por nós: porque temos os mesmos inimigos ou os mesmos interesses, porque somos expostos aos mesmos perigos e aos mesmos ataques.
Não basta esperar a justiça, a páz, a liberdade, a prosperidade... É necessário agir para as defender, para as fazer avançar, o que não se pode fazer com eficácia se não formos numerosos,e passa necessariamente pela política.
Quelha Funda
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Política
A Política - Segundo André Comte-Sponville
O homem é um animal sociável: ele não pode viver e aprender que no meio dos seus semelhantes.
Mas ele é também um animal egoísta. A sua "insociável sociabilidade" como diz Kant, faz que ele não pode se passar dos outros nem renunciar, por eles, à satisfação dos seus desejos.
É por isso que nós temos necessidade da política. Para que os conflitos de interesses se regulem de outra maneira que pela violência. Para que as nossas forças se juntem em vez de se oporem. Para escapar à guerra, ao medo e à barbaridade.
O que é a política? É a gestão, sem ser pela guerra, dos conflitos, das alianças e da relação de forças, não entre os indivíduos somente, mas à escala de toda a sociedade. É a arte de viver em conjunto, num mesmo país, numa mesma sociedade com pessoas que não escolhemos, pelas quais, muitas vezes, não temos algum sentimento e que por vezes são mais nossos rivais do que aliados. Isso supõe um governo, e mudanças de governos. Isso supõe de afrontamentos mais regulados, de compromissos, mas provisórios, enfim acordos de maneira a suprimir de desacordos. Não há que a violência e é a política que a deve impedir. A política começa onde guerra acaba.
Trata-se de saber quem comanda e quem obedece, quem faz a lei,como se diz, é o que chamam um soberano. Pode ser um rei ou um déspota (numa monarquia absoluta), pode ser o povo ( numa democracia ), pode ser um ou outro grupo de indivíduos (uma classe social, um partido, uma elite: uma aristocracia)... Poderá ser, e é muita vez, um misto singular destes três tipos de regime ou de governo. No entanto nunca haverá política sem esse poder, que é o maior de todos, pelo menos sobre a terra e o garante de todos os outros. "O poder é por todo o lado" como diz Foucault, ou dito de outra maneira, os poderes são enumeraveis; mas eles não podem coexistir que sob a autoridade reconhecida ou imposta do mais poderoso de entre eles. Multiplicidades de poderes, unidade do soberano ou do Estado: toda a política se joga lá. Mas vamos nós nos submeter ao primeiro bruto que aparece? Ao primeiro pequeno chefe que surge? De certeza que não! Nós sabemos muito bem que é necessário um poder, ou vários, nós sabemos bem que é preciso obedecer. Mas não a qualquer preço. Nós queremos obedecer livremente: nós queremos que o poder ao qual nos submetemos, não possa abolir o nosso, mas o reforce e o garanta.
Nem sempre se conseguirá mas nunca devemos renunciar. É por isso que fazemos, que nós fazemos política. É por isso que continuaremos a fazê-la. Para sermos mais livres. Para sermos mais felizes. Para sermos mais fortes.
Continúa
Quelha funda
O homem é um animal sociável: ele não pode viver e aprender que no meio dos seus semelhantes.
Mas ele é também um animal egoísta. A sua "insociável sociabilidade" como diz Kant, faz que ele não pode se passar dos outros nem renunciar, por eles, à satisfação dos seus desejos.
É por isso que nós temos necessidade da política. Para que os conflitos de interesses se regulem de outra maneira que pela violência. Para que as nossas forças se juntem em vez de se oporem. Para escapar à guerra, ao medo e à barbaridade.
O que é a política? É a gestão, sem ser pela guerra, dos conflitos, das alianças e da relação de forças, não entre os indivíduos somente, mas à escala de toda a sociedade. É a arte de viver em conjunto, num mesmo país, numa mesma sociedade com pessoas que não escolhemos, pelas quais, muitas vezes, não temos algum sentimento e que por vezes são mais nossos rivais do que aliados. Isso supõe um governo, e mudanças de governos. Isso supõe de afrontamentos mais regulados, de compromissos, mas provisórios, enfim acordos de maneira a suprimir de desacordos. Não há que a violência e é a política que a deve impedir. A política começa onde guerra acaba.
Trata-se de saber quem comanda e quem obedece, quem faz a lei,como se diz, é o que chamam um soberano. Pode ser um rei ou um déspota (numa monarquia absoluta), pode ser o povo ( numa democracia ), pode ser um ou outro grupo de indivíduos (uma classe social, um partido, uma elite: uma aristocracia)... Poderá ser, e é muita vez, um misto singular destes três tipos de regime ou de governo. No entanto nunca haverá política sem esse poder, que é o maior de todos, pelo menos sobre a terra e o garante de todos os outros. "O poder é por todo o lado" como diz Foucault, ou dito de outra maneira, os poderes são enumeraveis; mas eles não podem coexistir que sob a autoridade reconhecida ou imposta do mais poderoso de entre eles. Multiplicidades de poderes, unidade do soberano ou do Estado: toda a política se joga lá. Mas vamos nós nos submeter ao primeiro bruto que aparece? Ao primeiro pequeno chefe que surge? De certeza que não! Nós sabemos muito bem que é necessário um poder, ou vários, nós sabemos bem que é preciso obedecer. Mas não a qualquer preço. Nós queremos obedecer livremente: nós queremos que o poder ao qual nos submetemos, não possa abolir o nosso, mas o reforce e o garanta.
Nem sempre se conseguirá mas nunca devemos renunciar. É por isso que fazemos, que nós fazemos política. É por isso que continuaremos a fazê-la. Para sermos mais livres. Para sermos mais felizes. Para sermos mais fortes.
Continúa
Quelha funda
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Higiene e Saúde Pública
Tenho por hábito,todas as manhãs, dar uma volta pelas ruas do Tortosendo; e não posso deixar de verificar que o Tortosendo é uma vila cada vez mais suja e mal cheirosa.
Não sei se os vidros dos meus óculos são de cor diferente dos que usam os responsáveis da autarquia ou se aquilo que vejo é diferente do que vêem tão ilustres senhores? É possível que o que eu vejo como lixo, esses senhores o vejam como flores. É possível que o cheiro nauseabundo que me chega ao nariz, ao deles seja um perfume de rosas ou de alecrim, mas se sou eu que estou enganado tenho a dizer que há muita gente que me acompanha. Há muita gente indignada de ver o abandono em que muitas ruas se encontram. A rua Nova dos Olivais é o exemplo mais flagrante desse abandono, permite-se que haja pocilgas em lojas de prédios abandonados.
No momento que uma campanha de higiene pública está em marcha devido à epidemia gripal que afecta todos os países do Mundo, no Tortosendo continuamos a assobiar para o ar.
Há uma coisa que o povo do Tortosendo e os eleitores, em particular, não pode e não deve esquecer. O Senhor Presidente da Junta de Freguesia, e futuro candidato à mesma, tem como profissão: Médico. O que significa que as suas responsabilidades são acrescidas
Quelha Funda
Tenho por hábito,todas as manhãs, dar uma volta pelas ruas do Tortosendo; e não posso deixar de verificar que o Tortosendo é uma vila cada vez mais suja e mal cheirosa.
Não sei se os vidros dos meus óculos são de cor diferente dos que usam os responsáveis da autarquia ou se aquilo que vejo é diferente do que vêem tão ilustres senhores? É possível que o que eu vejo como lixo, esses senhores o vejam como flores. É possível que o cheiro nauseabundo que me chega ao nariz, ao deles seja um perfume de rosas ou de alecrim, mas se sou eu que estou enganado tenho a dizer que há muita gente que me acompanha. Há muita gente indignada de ver o abandono em que muitas ruas se encontram. A rua Nova dos Olivais é o exemplo mais flagrante desse abandono, permite-se que haja pocilgas em lojas de prédios abandonados.
No momento que uma campanha de higiene pública está em marcha devido à epidemia gripal que afecta todos os países do Mundo, no Tortosendo continuamos a assobiar para o ar.
Há uma coisa que o povo do Tortosendo e os eleitores, em particular, não pode e não deve esquecer. O Senhor Presidente da Junta de Freguesia, e futuro candidato à mesma, tem como profissão: Médico. O que significa que as suas responsabilidades são acrescidas
Quelha Funda
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
dA Esquerda Caviar
Em período de eleições é de bom tom, os senhores que (des)governam o país virem lembrar, aos eleitores, que são homens de esquerda e que o P.S. é o único partido de esquerda e democrático do país. Não sei qual o conceito que estes senhores fazem da esquerda mas talvez seja por se sentarem à esquerda de outros nos grandes repastos do capital. E querendo passar por ofendidos vêm pela pena do transfuga, Vital Moreia, que afirma, no Público, no alto da sua arrogância, que: "É evidente que, para o P.C.P. e o BE, o principal objectivo é derrotar o P.S., mesmo à custa da entrega do poder à direita".
Gostaria que ele explicasse qual a diferença entre a política de esquerda do P.S. e a política de direita do P.S.D.? Para o povo e em particular para os trabalhadores, a única diferença, é os tachos mudarem de mão e é este o receio de Vital Moreira e seus amigos.
Ser de esquerda é estar ao lado de quem trabalha, de quem sofre, dos humildes, do povo. Ser de esquerda é criar uma sociedade que incarne os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Ser de esquerda é ter em conta os ensinamentos de Marx que a grande maioria dos socialistas meteram na gaveta.
Foi o filósofo francês, Michel Onfray, que muito bem descreveu esta esquerda caviar de que tanto se arroga Sócrates e seus amigos: " A esquerda que tradicionalmente se instalava do lado dos pobres, falava por eles, marchava ao seu lado, aquela que em virtude da sua mística e do seu génio colérico, se alimentava do povo, esta esquerda traiu vergonhosamente. Em se alinhando às teses liberais ela afirma uma visão do Mundo idêntica à dos predadores da direita".
Sócrates, Mário Soares, Sampaio como Vital Moreira, Pina Moura, José Magalhães e outros renegados que vieram do comunismo para poderem rapar no tacho do capitalismo, são, em Portugal os herdeiros dos Rocard, Jospin, Delors, Lamy e tantos outros que se aliando ao capital fizeram do P.S. francês a manta de retalhos que hoje é.
Todos portadores da tradição Judaica-Cristã que fez do ser humano um objecto de piedade e de caridade e não um ser Humano com direitos e deveres.
Não é por acaso que todos eles puseram em prática uma política que se desvia da sociedade solidária que eles tinham como mandato para construir .
A Europa que ajudaram a construir é o exemplo revelador da sua traição
Quelha Funda
Em período de eleições é de bom tom, os senhores que (des)governam o país virem lembrar, aos eleitores, que são homens de esquerda e que o P.S. é o único partido de esquerda e democrático do país. Não sei qual o conceito que estes senhores fazem da esquerda mas talvez seja por se sentarem à esquerda de outros nos grandes repastos do capital. E querendo passar por ofendidos vêm pela pena do transfuga, Vital Moreia, que afirma, no Público, no alto da sua arrogância, que: "É evidente que, para o P.C.P. e o BE, o principal objectivo é derrotar o P.S., mesmo à custa da entrega do poder à direita".
Gostaria que ele explicasse qual a diferença entre a política de esquerda do P.S. e a política de direita do P.S.D.? Para o povo e em particular para os trabalhadores, a única diferença, é os tachos mudarem de mão e é este o receio de Vital Moreira e seus amigos.
Ser de esquerda é estar ao lado de quem trabalha, de quem sofre, dos humildes, do povo. Ser de esquerda é criar uma sociedade que incarne os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Ser de esquerda é ter em conta os ensinamentos de Marx que a grande maioria dos socialistas meteram na gaveta.
Foi o filósofo francês, Michel Onfray, que muito bem descreveu esta esquerda caviar de que tanto se arroga Sócrates e seus amigos: " A esquerda que tradicionalmente se instalava do lado dos pobres, falava por eles, marchava ao seu lado, aquela que em virtude da sua mística e do seu génio colérico, se alimentava do povo, esta esquerda traiu vergonhosamente. Em se alinhando às teses liberais ela afirma uma visão do Mundo idêntica à dos predadores da direita".
Sócrates, Mário Soares, Sampaio como Vital Moreira, Pina Moura, José Magalhães e outros renegados que vieram do comunismo para poderem rapar no tacho do capitalismo, são, em Portugal os herdeiros dos Rocard, Jospin, Delors, Lamy e tantos outros que se aliando ao capital fizeram do P.S. francês a manta de retalhos que hoje é.
Todos portadores da tradição Judaica-Cristã que fez do ser humano um objecto de piedade e de caridade e não um ser Humano com direitos e deveres.
Não é por acaso que todos eles puseram em prática uma política que se desvia da sociedade solidária que eles tinham como mandato para construir .
A Europa que ajudaram a construir é o exemplo revelador da sua traição
Quelha Funda
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