sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Política e Religião

As convulsões do Capitalismo

No Manifesto do Partido Comunista (1843), K. Marx e F. Engels caracterizaram o sistema capitalista com traços que permanecem completamente actuais. No seu percurso político e social a burguesia do dinheiro atinge inevitavelmente uma etapa em que «em lugar da exploração velada por ilusões religiosas e políticas, impõe uma exploração aberta, descarada, directa e brutal».
Nenhuma outra análise poderia sintetizar tão claramente o que hoje se passa no mundo, quase 170 anos volvidos sobre a publicação do Manifesto.
Ferozmente, sem período de transição, banqueiros e ditadores ignorados abandonam as teses do «sucesso» e do «milagre» e mostram aquilo que realmente são: autómatos sedentos do saque e obcecados pela ideia fixa da acumulação do lucro e do poder. Nada mais. Sem ideais, sem noção dos deveres colectivos, sem princípios nem respeito pelos direitos dos povos.
A fase que atravessamos é, no entanto, de eventual duplo sentido na sua conclusão previsível. Pode significar o próximo esmagamento dos trabalhadores e de outras estruturas económicas, políticas e sociais. Mas também pode revelar-se como impulso necessário – o passo decisivo em frente – necessário para concretizar uma mudança radical, uma revolução irreversível que lance o mundo nas vias de um verdadeiro socialismo. Basta que os trabalhadores o queiram firmemente e que olhemos o presente e o futuro com determinação e com coragem. Para isso é necessário organização e espírito de luta.

A «Santa Aliança» da reacção
Escondida na sombra, a hierarquia da Igreja assiste a estas convulsões sociais, encantada com o que vê passar-se à sua volta. Os bispos não deixam de tecer teias de intrigas e combinações nos corredores das catedrais e na comodidade das poltronas dos banqueiros. Porque a Igreja é talvez a única força (para além da banca) que mais tem a ganhar com a crise profunda do capitalismo. Contrariamente às grandes fortunas, nada arrisca. Contrariamente ao universo dos políticos, nada tem a perder. Contrariamente à informação mais íntima dos factos, dispõe de dianteiras que vão muito à frente daquelas que os seus sócios e amigos podem utilizar. A «grande crise» permite reforçar a sua influência junto das massas e das elites. No nosso país, quando milhões de cidadãos estiverem prestes a morrer à fome, a Igreja será a única instituição que poderá fazer chegar a cada português «uma malga de sopa e um naco de pão». Quando os desempregados famintos desistirem de lutar, a caridade da Igreja garantirá a sua sobrevivência, com «uma malga de sopa e um naco de pão».
A Igreja tem as suas ONG, as suas IPSS, as suas escolas, as suas Misericórdias, os seus refeitórios, os seus lares para crianças e os seus lares para idosos. Também por aí pode funcionar a regra de oiro da «malga de sopa e do naco de pão». Quanto maior for a crise tanto maior serão os lucros alimentados pelos subsídios do Estado. Quanto maiores forem as dificuldades na concessão do crédito pessoal, dos subsídios de desemprego, do abono de família, etc., mais à-vontade estarão os tecnocratas católicos ligados à banca confessional. Este campo de acção será ilimitado.
Mas as mais-valias que afluem aos cofres do Patriarcado e aos «nichos» dos offshores do mundo católico não ficam por aqui. A Igreja universal dispõe de um gigantesco sector financeiro apoiado numa rede «não-lucrativa» que se situa à margem de quaisquer danos que a crise possa ocasionar. Segurança que resulta em grande parte das concordatas entre o Vaticano os diversos estados mundiais. O Banco do Santo Espírito está presente em toda a rede financeira do mundo capitalista e os principais lobbies bancários ligam-se ao capital eclesiástico. Tudo somado, a Igreja pode dar-se ao luxo de se abster ou de intervir nos graves problemas que agitam o mundo e a humanidade.
A nível nacional e à escala das dimensões do Estado português, é a uma situação deste tipo que estamos a assistir. São evidentes, a caminhada da sociedade para o desastre final, o agravamento brutal da pobreza e dos desníveis sociais, a riqueza escandalosa das elites e o descalabro de uma ética do conhecimento que acompanhe os progressos das tecnologias. A noção de todos estes desequilíbrios está contida nos vários capítulos da doutrina da Igreja, mas «em abstracto». Nada obriga a hierarquia eclesiástica à luta, a acções coerentes que apoiem as massas no combate à tirania e à marginalização. O objectivo da Igreja é a «salvação das almas». Mesmo quando o povo anónimo for em boa parte constituído por classes médias maioritariamente católicas.
Especialistas em «humanidades» e nas «filosofias do milagre», como reza a tradição, os bispos católicos decerto que já se aperceberam das convulsões do capitalismo, recamado de oiro mas enredado nas malhas das suas insuperáveis contradições. Mas perante a realidade fica paralisada.
Por nós, lutemos firmes e mantenhamos os nossos ideais. O desenlace deste enredo será Socialista!...

Jorge Messias (Jornal Avante)

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

POLÍTIca

GUY MOQUET


O oportunismo político não tem limites. Há políticos que, para conseguirem os seus fins
não hesitam a se cobrir de ridículo. Foi o que aconteceu com Benjamin Lancar, chefe de fila da juventude UMP, o partido de Sarkozy.
Querendo seguir as pegadas do seu chefe que em em Abril de 2007 após ser eleito Presidente da República, e tomar posse, fez ler nos colégios de França, uma carta de de Guy Moquet enviada a seus pais antes de ser fuzilado pelas tropas de Hitler, que ocupavam a França. Quis o energúmeno se servir da heroicidade de Guy Moquet, jovem comunista de 17 anos, para apelar aos jovens lhes seguissem o exemplo para aceitarem a nova lei sobre a reforma que lhes está a ser imposta. O ridículo não mata, o que permite a este indivíduo de continuar a dizer ordinarices como a de louvar Pierre Laval, ministro de Vichy e colaborador do nazismo. Para ele, Lancar, "O Laval de 1932 é o Sarkozy de 2010.
Por vezes a verdade sai da boca sem o querer.

Vale a pena contar a história de Guy Moquet: Um Herói da Resistência Francesa

Logo após a prisão do seu pai, deputado comunista, e deportado para um campo de concentração na Argélia em 1939, Guy moquet, então com 16 anos, decide aderir à juventude comunista. Preso um ano mais tarde quando fazia uma distribuição de panfletos em Paris. Apesar de ter sido absolvido pelo tribunal, foi enviado para o campo prisional de Chateaubriand no Loire-Atlantique.
Foi fuzilado a 22 de Outubro de 1941 com mais 26 companheiros de prisão, em represália da morte de um oficial alemão. Antes de morrer, escreveu uma carta a seus pais onde dizia que a sua morte pudesse servir a alguma coisa.
Uma estação do metro de Paris e um grande numero de vilas têm ruas com o seu nome.

A carta escrita a seus pais diz o seguinte:

Minha querida mamã, meu querido papá, meu querido pequeno irmão.Eu vou morrer! O que vos peço, tu, em particular minha querida mamã, é de seres corajosa. Eu sou e quero ser tanto como os que passaram antes de mim. Certo, eu queria viver. Mas o que desejo do coração, é que a minha morte sirva a alguma coisa. Eu não pude abraçar Jean. Abracei meus dois camaradas e irmãos Roger e Rino. Quanto ao verdadeiro não o posso fazer infelizmente. Espero que todos os meus haveres te serão enviados eles poderão servir a Serge, que espero será contente de os usar um dia. A ti querido papá, se eu te fiz, como à querida mamã, algumas penas, te saúdo uma ultima vez. Saibas que fiz o meu melhor para seguir o caminho que tu me traçaste.
Um ultimo adeus a todos os meus amigos, ao meu irmão que amo muito. Que ele estude bem para mais tarde poder ser um homem.
17 anos e meio, a minha vida foi curta, eu não tenho nenhum pesar, a não ser a de vos deixar a todos. Eu vou morrer na companhia de Tintin, de Michel. Mamã o que te peço e quero que me o prometas, é de ser corajosa e superar a tua pena.
Eu não posso escrever muito mais. Vou deixar-vos a todos, Mamã, Papá, Serge em vos abraçando com todo o meu coração de criança Coragem!
Vosso Guy que vos ama.

Ultimo pensamento: Vós todos que ficais sejais dignos de nós dos 27 que vão morrer.


QUELHA FUNDA

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Política

as palavras são armas


Domingo, 24 de Outubro de 2010



Aos vacilantes


Texto publicado por Cid Simões
e copiado do blog: anónimo séc.xx1





O fascismo vem fazendo exercícios de aquecimento.

Um texto oportuno para os que se menosprezam.

A BICICLETA
Aderimos a uma causa impelidos pela emoção. A emoção é o húmus do nosso descontentamento e a injustiça a madre e o alimento que lhe dá consistência e impele à acção. A consciência vamo-la construindo e burilando na realidade onde nos movimentamos e, destarte passando à firmeza da acção consciente. É um processo delicado, moroso, que necessita de criterioso acompanhamento para impedir o individualismo latente em cada um de nós e, se não atentos, se instala facilmente inquinando as relações entre os que se nutrem dos mesmos ideais.
Vivíamos nos meados da década de sessenta. As preocupações corporizavam-se. Refractários e desertores engrossavam o fluxo migratório de um povo que fugia à repressão e às degradantes condições sociais. A guerra colonial começava a inquietar grande parte da população e, alguns por ignorância, cretinismo ou maldade supunham que iríamos aplicar um correctivo aos pretos, – era deste modo que se referiam aos autóctones africanos - e regressaríamos ajoujados de condecorações para exibir nas paradas de glorificação à lusitana valentia.
A CGTP dava os seus primeiros passos na clandestinidade. Nas cooperativas, clubes desportivos -- onde quer que se pudessem organizar mesmo sob uma legalidade vigiada -- os trabalhadores promoviam-se culturalmente realizando debates com escritores, actores, pintores, músicos, alguns padres progressistas, poetas e muitos outros intelectuais democratas que se opunham ao fascismo. As bibliotecas eram os núcleos de todas estas actividades onde se fomentava a leitura e se divulgava livros proibidos e outros que, embora passados pelos crivos da censura, continham ainda alguma substância.
Cada vez mais isolada a nível interno e internacional, acossada pelos movimentos de libertação das colónias e por uma população que despertava e um operariado industrial e agrícola cada vez mais politizado, a besta fascista abria as garras, rosnava: a repressão atingia o paroxismo e, desde sempre, o Partido Comunista era o seu principal alvo.
É neste clima de sufoco que sou abordado por um empregado da livraria onde me deslocava com frequência e com o qual mantinha uma relação de conivência, reservando-me ele livros colocados no índex ou em vias de o serem. Nunca nos havíamos tratado por tu, mas dando a ideia de falarmos de livros coloca-me de chofre a questão: “Precisamos da tua ajuda. Temos que encontrar urgentemente um lugar seguro para um camarada.”
A vida de qualquer um de nós encontra-se suspensa no imprevisível: uma palavra, uma frase, um encontro e o rumo que lhe damos faz de nós outro indivíduo para melhor ou pior, consoante a escala de valores por que nos regemos.
Até então as minhas tarefas eram semi-clandestinas, organizando, embora com forte vigilância da PIDE, sessões culturais, bibliotecas, contactos com intelectuais progressistas, ou no local de trabalho encabeçando reivindicações.
Tendo em conta as tarefas que desenvolvia e o local onde as exercia, não seria propriamente alguém que passasse despercebido ou não estivesse já referenciado.
Esta proposta elevava a um nível qualitativamente superior as tarefas que me eram confiadas, implicava riscos para os quais não me sentia suficientemente preparado e, além do mais, com uma dificuldade acrescida: tinha dois filhos e dependeria da minha mulher a decisão final.
Voltei com a urgência possível para confirmar a nossa disponibilidade e organizar o acolhimento do camarada. Uma satisfação contida e o sabor da adrenalina que noutras ocasiões já havia mastigado.
Trabalhos rotineiros nos primeiros tempos de adaptação, a aprendizagem envolta em cuidados novos e simulações diversas. A memorização de matrículas de automóveis da PIDE e uma atenção constante a comportamentos envolventes mantinham todos os sentidos em permanente alerta.
Só mais tarde e aos poucos fui sentindo que o trabalho clandestino acarretava enormes riscos e responsabilidades, exigindo um esforço constante, muita ponderação, um grande equilíbrio emocional como quem caminha no gume da faca para evitar a queda. Eram os cuidados a ter com a vizinhança, o afinar da linguagem atenuando a agressividade e temperando os nervos no fogo lento em que passámos a viver.
A nível profissional vivia sob um clima de repressão, em virtude da liderança em movimentos de contestação que não rejeitava sempre que necessário. Um outro emprego, a meio-tempo, para equilibrar o orçamento obrigava-me a um esforço suplementar. Eram as reuniões da secção cultural de que fazia parte, a procura de livros para a biblioteca, contactos para as realizações culturais e o apoio ao camarada que vivia no sótão da minha casa e, bem entendido, uma atenção redobrada com a família.
O cansaço condicionava a nossa actividade intelectual e a vida no lamaçal opressivo em que o fascismo nos mergulhava levava-nos a questionar se os riscos a que estávamos sujeitos se justificavam, face aos perigos constantes a que éramos submetidos na actividade clandestina.
É sob este estado de espírito que uma tarde saímos no meu Citroën 2CV a caminho de … eu não sabia onde. O funcionário transportava como bagagem duas tábuas atadas com um cordel. Claro que me apercebi que o nosso destino não seria nenhuma carpintaria e que as tábuas não eram mais que um disfarce, no meu entender bem conseguido.
Atento a alguma movimentação anormal, a viajem prosseguia como habitualmente e o diálogo, reduzido ao essencial, tornava o percurso ainda mais penoso. Frases obsessivas percorriam-me a mente: “justifica-se o risco que estou correndo?” “Servirá para quê o que estou fazendo”? “Que acontecerá à minha mulher e aos meus filhos se me prenderem?”.
Seguindo as indicações que ia recebendo, chegámos a um local na Quinta da Lomba onde o funcionário desceu e, dentro do estabelecido, depois de confirmarmos as horas em ambos os relógios, eu deveria estar nesse mesmo local, precisamente daí a dez minutos e, no caso de um de nós lá não estar, voltaríamos cinco minutos depois e não tornaríamos a aparecer se o encontro não se efectuasse.
Para não ficar parado e gastar esses dez minutos, fui andando pelas imediações do local de encontro, atento às horas e a todas as movimentações. Num caminhar firme, levando à mão uma velha bicicleta, um homem em fato-macaco chamou a minha atenção e aproximei-me ultrapassando-o, dado que se encontrava no meu caminho.
Percorreu-me uma emoção havia muito não sentida e, de olhos marejados, prossegui com dificuldade os poucos segundos que me restavam para o reencontro. No porta-bagagens da bicicleta, atadas com uma corda, seguiam as tábuas que sem mim dificilmente aí teriam chegado. Senti-me um elo dessa grande corrente revolucionária que é o meu Partido, recuperei, nesse breve mas decisivo instante, a vontade de continuar, a necessidade de avançar porque nessa luta estava o futuro dos meus filhos e o dos filhos de todos os oprimidos.
A imagem do camarada da bicicleta e a bagagem que eu lhe havia feito chegar para continuar pelos mais variados modos o seu caminho serviu para alimentar a minha perseverança nos momentos de grandes dificuldades e perigos em que a debilidade espreitava.
A opressão é um lodo onde o caminhar cansa e sufoca; nele germinam vermes que nos sugam a alma e corroem a vontade; os estímulos que recebemos surgem de imagens e encontros que nos marcaram e de rostos e exemplos que não nos é possível esquecer.
Saber controlar a revolta conduzindo-a de acordo com o espaço e o tempo é mérito do revolucionário; um passo em falso e perdem-se anos de organização e sofrimento.

QUELHA FUNDA

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Politica

Editorial Par Patrick Apel-Muller

Un président casseur

«J’en appelle à la responsabilité de l’ensemble des acteurs », a osé déclarer, hier, Nicolas Sarkozy. Comme si lui-même en faisait montre ! Que dire d’un président qui, au mépris de la souveraineté populaire qui fonde la République, tente de passer en force pour briser le droit à la retraite des salariés ? Que penser d’un chef d’État qui fait truquer les chiffres des manifestants ou des grévistes à la SNCF ? Comment qualifier un premier ministre qui prétend contre toute réalité que « le mouvement social plafonne » et qu’il « n’y a jamais eu plus d’un million de personnes dans les rues » ? Comment prendre au sérieux les bonimenteurs UMP qui prétendent qu’il n’y a pas de problème d’approvisionnement en carburant quand des centaines de milliers de Français galèrent pour faire un plein ?

Ce pouvoir a élevé la fausse nouvelle au rang d’industrie, la seule qui se développe sous son règne. Plus, il fait de la provocation à la violence un recours face à la puissance du mouvement de protestation. Là, il dépêche des hordes de CRS contre les salariés des raffineries. Ici, il fait donner la matraque et les lacrymogènes contre les lycéens qui pacifiquement manifestaient sur les Champs-Élysées. Partout, par sa fermeture aux préoccupations sociales, il fait naître de tristes vocations et donne du grain à moudre aux casseurs. Ne cherchez pas ces derniers dans les rangs des manifestants, vous n’en trouverez pas. Les salariés en grève démontrent un sang-froid que pourraient leur envier les snipers de l’UMP, tandis que les syndicats veillent à repousser hors des cortèges ceux qui veulent en découdre. C’est d’ailleurs la préoccupation constante des lycéens en lutte. Si, ici ou là, des élèves – exaspérés par l’absence d’écoute gouvernementale – se laissent entraîner par des groupes violents et sans doute par des provocateurs dépêchés par des officines coutumières du fait, ils sont une minorité qui ne peut cacher l’immense foule résolue et combative qui arpente les pavés. Hier encore, elle était plus nombreuse que la fois précédente. Nicolas Sarkozy a bien enrôlé Angela Merkel pour une séance de propagande, lundi soir sur France 2, rien n’y a fait. Sa cote de popularité plonge vers des abysses et même ses commanditaires du Medef s’inquiètent d’une dégradation de l’économie. Mme Parisot, qui a mis le feu aux poudres en réclamant cette contre-réforme, souhaite désormais que « le climat s’apaise le plus vite possible »…

Dans la comédie de la dramatisation, de grands médias jouent de piètres rôles, décrivant un pays en proie à la « guérilla urbaine ». La vieille ficelle de la peur est agitée. C’est toujours le recours ultime de la droite. L’honnêteté dans le traitement de l’information devrait conduire à constater que l’unité syndicale donne toujours le ton, que personne ne cède aux sirènes du conflit de générations qu’actionne Rama Yade et qu’au contraire salariés et jeunes se retrouvent puissamment solidaires. À chaque étape, le mouvement est décidé démocratiquement à la base. Ses formes s’adaptent au temps long imposé par le pouvoir et adoptent une plasticité nouvelle. Le temps passant et le pouvoir s’enfermant dans l’autoritarisme, la critique s’aiguise et se précise. Souvent, le rejet va au-delà du texte porté par Éric Woerth. Cette mobilisation va avoir des suites. Dans la rue. e dans las urnes

Patrick Apel-Muller (Jornal Humanitè)