As Palavras Têm Um Conteúdo
Na campanha eleitoral que se está desenrolando, seja para as legislativas, seja para as autárquicas, deparamos com cartazes, de todos os partidos, com palavras de ordem que na maioria não sabemos 0 que querem dizer.
Começando pelo P.S.: " CICLO de MUDANÇA"! Mudança para onde? Para melhor? Com as mesmas personagens? Ou para pior? O que com os mesmos intérpretes nos leva a crer que será o caso.
No P.S.D. é. "VAMOS PARA A FRENTE"! O que é arriscado pois se não baterem com a cabeça numa parede, só têm duas soluções: ou invadem a Espanha, o que é um grande risco, ou mergulham no Oceano, o que não deixa de ser um perigo.
No B.E. é mais bombástico e demagógico: "JUSTIÇA NA ECONOMIA"! Gostaria de saber se a grande maioria dos trabalhadores e dos reformados sabem o que isto quer dizer? Será que "JUSTIÇA NA ECONOMIA" serão melhores salários e melhores reformas?Se é isto que querem dizer então seria uma melhor repartição da riqueza.
Resta a C.D.U. com a palavra de ordem: "PARA UMA VIDA MELHOR"! Aqui compreendemos melhor; pois quem a não deseja? Quem não deseja melhores salários e melhores reformas, melhor ambiente; com mais lazer mais cultura e melhor acesso à saúde e à educação? É tudo isto que o povo deseja e que todos os partidos que nos têm governado passam ao lado e mesmo em campanha eleitoral não se ousam abordar.
Por isso o meu voto não será um voto imbecil. Não será um voto no mesmo. Será um voto de esperança com a certeza que se a C.D.U. se fortalecer essa esperança será maior.
É POR ISSO QUE EU VOTO NA C.D.U.
Quelha Funda
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Política
A Política - Segundo André Comte-Sponville (segunda parte)
Não temos razão de ver a política como uma actividade subalterna ou desprezivel. É o contrário que é verdade: Ocuparmo-nos da vida comum, dos problemas comuns, do destino comum é um dever essencial, para todo o ser humano e ninguém não se poderá isentar. Vais tu deixar o campo livre aos fascistas, aos racistas, aos demagogos? Vais tu deixar os burocratas decidir no teu lugar? Vais tu deixar que os tecnocratas ou carreiristas te imponham uma sociedade à sua conveniência? De que direito, então, te podes queixar de tudo o que vai mal? Como, se tu não fazes o teu dever para o impedir, não serás cúmplice do medíocre ou do pior? A inacção não é uma desculpa. A incompetência não o é também. Não fazer política, é renunciar a uma parte do nosso poder, o que é sempre perigoso, mas também a uma parte das nossas responsabilidades, o que é sempre condenável. O anti-político é um erro e uma falta; é ir contra aos nossos interesses e contra aos nossos deveres.
Há quem diga que no lugar da política se deve praticar a moral, a solidariedade ou a generosidade. É querer contar histórias quem assim pensa; é querer enganar os outros ou enganarem-se eles mesmos. Certo que a moral é necessária mas não podemos reduzir a política à moral. Se a moral reinasse, não tínhamos necessidade de polícia, de leis, de tribunais, do exército: não tínhamos necessidade de Estado nem de política. Contar com a moral para vencer a miséria ou a exclusão é viver na ilusão. Contar com o humanitário para fazer política estrangeira, de caridade para fazer política social e mesmo sobre o anti-racismo para fazer política de emigração é contar histórias que nada têm a ver com a realidade.
A moral não tem fronteiras; a política, sim. A moral não tem pátria; a política sim. A moral não defende os interesses de um país ou de um continente. A moral apenas conhece os indivíduos; a moral só conhece a humanidade, enquanto que a política, seja de direita ou de esquerda, serve para defender o povo, ou os povos, em particular- não contra a humanidade,que seria imoral e suicidário, mas no entanto em prioridade, o que a moral não saberá impor nem interdire absolutamente.
Poderemos preferir que a moral é suficiente, que o humanitário é suficiente: poderemos preferir não ter
necessidade de política mas será nos enganarmos sobre a história e mentir a nós próprios.
A política não é o contrário do egoísmo ( o que acontece com a moral), mas a sua expressão colectiva e conflituosa: trata-se de sermos egoístas colectivamente, pois é esse o nosso interesse, e o mais eficaz possível. Como? Em organizando convergências de interesses, o que se chama solidariedade (diferente da generosidade, que supõe ao contrário o desinteresse). Esta diferença é muitas vezes desconhecida; razão de mais para insistir. Ser solidário, é defender os interesses de outros, certo, mas porque eles são também - directamente ou indirectamente - os nossos. Agindo por eles estamos agindo por nós: porque temos os mesmos inimigos ou os mesmos interesses, porque somos expostos aos mesmos perigos e aos mesmos ataques.
Não basta esperar a justiça, a páz, a liberdade, a prosperidade... É necessário agir para as defender, para as fazer avançar, o que não se pode fazer com eficácia se não formos numerosos,e passa necessariamente pela política.
Quelha Funda
Não temos razão de ver a política como uma actividade subalterna ou desprezivel. É o contrário que é verdade: Ocuparmo-nos da vida comum, dos problemas comuns, do destino comum é um dever essencial, para todo o ser humano e ninguém não se poderá isentar. Vais tu deixar o campo livre aos fascistas, aos racistas, aos demagogos? Vais tu deixar os burocratas decidir no teu lugar? Vais tu deixar que os tecnocratas ou carreiristas te imponham uma sociedade à sua conveniência? De que direito, então, te podes queixar de tudo o que vai mal? Como, se tu não fazes o teu dever para o impedir, não serás cúmplice do medíocre ou do pior? A inacção não é uma desculpa. A incompetência não o é também. Não fazer política, é renunciar a uma parte do nosso poder, o que é sempre perigoso, mas também a uma parte das nossas responsabilidades, o que é sempre condenável. O anti-político é um erro e uma falta; é ir contra aos nossos interesses e contra aos nossos deveres.
Há quem diga que no lugar da política se deve praticar a moral, a solidariedade ou a generosidade. É querer contar histórias quem assim pensa; é querer enganar os outros ou enganarem-se eles mesmos. Certo que a moral é necessária mas não podemos reduzir a política à moral. Se a moral reinasse, não tínhamos necessidade de polícia, de leis, de tribunais, do exército: não tínhamos necessidade de Estado nem de política. Contar com a moral para vencer a miséria ou a exclusão é viver na ilusão. Contar com o humanitário para fazer política estrangeira, de caridade para fazer política social e mesmo sobre o anti-racismo para fazer política de emigração é contar histórias que nada têm a ver com a realidade.
A moral não tem fronteiras; a política, sim. A moral não tem pátria; a política sim. A moral não defende os interesses de um país ou de um continente. A moral apenas conhece os indivíduos; a moral só conhece a humanidade, enquanto que a política, seja de direita ou de esquerda, serve para defender o povo, ou os povos, em particular- não contra a humanidade,que seria imoral e suicidário, mas no entanto em prioridade, o que a moral não saberá impor nem interdire absolutamente.
Poderemos preferir que a moral é suficiente, que o humanitário é suficiente: poderemos preferir não ter
necessidade de política mas será nos enganarmos sobre a história e mentir a nós próprios.
A política não é o contrário do egoísmo ( o que acontece com a moral), mas a sua expressão colectiva e conflituosa: trata-se de sermos egoístas colectivamente, pois é esse o nosso interesse, e o mais eficaz possível. Como? Em organizando convergências de interesses, o que se chama solidariedade (diferente da generosidade, que supõe ao contrário o desinteresse). Esta diferença é muitas vezes desconhecida; razão de mais para insistir. Ser solidário, é defender os interesses de outros, certo, mas porque eles são também - directamente ou indirectamente - os nossos. Agindo por eles estamos agindo por nós: porque temos os mesmos inimigos ou os mesmos interesses, porque somos expostos aos mesmos perigos e aos mesmos ataques.
Não basta esperar a justiça, a páz, a liberdade, a prosperidade... É necessário agir para as defender, para as fazer avançar, o que não se pode fazer com eficácia se não formos numerosos,e passa necessariamente pela política.
Quelha Funda
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Política
A Política - Segundo André Comte-Sponville
O homem é um animal sociável: ele não pode viver e aprender que no meio dos seus semelhantes.
Mas ele é também um animal egoísta. A sua "insociável sociabilidade" como diz Kant, faz que ele não pode se passar dos outros nem renunciar, por eles, à satisfação dos seus desejos.
É por isso que nós temos necessidade da política. Para que os conflitos de interesses se regulem de outra maneira que pela violência. Para que as nossas forças se juntem em vez de se oporem. Para escapar à guerra, ao medo e à barbaridade.
O que é a política? É a gestão, sem ser pela guerra, dos conflitos, das alianças e da relação de forças, não entre os indivíduos somente, mas à escala de toda a sociedade. É a arte de viver em conjunto, num mesmo país, numa mesma sociedade com pessoas que não escolhemos, pelas quais, muitas vezes, não temos algum sentimento e que por vezes são mais nossos rivais do que aliados. Isso supõe um governo, e mudanças de governos. Isso supõe de afrontamentos mais regulados, de compromissos, mas provisórios, enfim acordos de maneira a suprimir de desacordos. Não há que a violência e é a política que a deve impedir. A política começa onde guerra acaba.
Trata-se de saber quem comanda e quem obedece, quem faz a lei,como se diz, é o que chamam um soberano. Pode ser um rei ou um déspota (numa monarquia absoluta), pode ser o povo ( numa democracia ), pode ser um ou outro grupo de indivíduos (uma classe social, um partido, uma elite: uma aristocracia)... Poderá ser, e é muita vez, um misto singular destes três tipos de regime ou de governo. No entanto nunca haverá política sem esse poder, que é o maior de todos, pelo menos sobre a terra e o garante de todos os outros. "O poder é por todo o lado" como diz Foucault, ou dito de outra maneira, os poderes são enumeraveis; mas eles não podem coexistir que sob a autoridade reconhecida ou imposta do mais poderoso de entre eles. Multiplicidades de poderes, unidade do soberano ou do Estado: toda a política se joga lá. Mas vamos nós nos submeter ao primeiro bruto que aparece? Ao primeiro pequeno chefe que surge? De certeza que não! Nós sabemos muito bem que é necessário um poder, ou vários, nós sabemos bem que é preciso obedecer. Mas não a qualquer preço. Nós queremos obedecer livremente: nós queremos que o poder ao qual nos submetemos, não possa abolir o nosso, mas o reforce e o garanta.
Nem sempre se conseguirá mas nunca devemos renunciar. É por isso que fazemos, que nós fazemos política. É por isso que continuaremos a fazê-la. Para sermos mais livres. Para sermos mais felizes. Para sermos mais fortes.
Continúa
Quelha funda
O homem é um animal sociável: ele não pode viver e aprender que no meio dos seus semelhantes.
Mas ele é também um animal egoísta. A sua "insociável sociabilidade" como diz Kant, faz que ele não pode se passar dos outros nem renunciar, por eles, à satisfação dos seus desejos.
É por isso que nós temos necessidade da política. Para que os conflitos de interesses se regulem de outra maneira que pela violência. Para que as nossas forças se juntem em vez de se oporem. Para escapar à guerra, ao medo e à barbaridade.
O que é a política? É a gestão, sem ser pela guerra, dos conflitos, das alianças e da relação de forças, não entre os indivíduos somente, mas à escala de toda a sociedade. É a arte de viver em conjunto, num mesmo país, numa mesma sociedade com pessoas que não escolhemos, pelas quais, muitas vezes, não temos algum sentimento e que por vezes são mais nossos rivais do que aliados. Isso supõe um governo, e mudanças de governos. Isso supõe de afrontamentos mais regulados, de compromissos, mas provisórios, enfim acordos de maneira a suprimir de desacordos. Não há que a violência e é a política que a deve impedir. A política começa onde guerra acaba.
Trata-se de saber quem comanda e quem obedece, quem faz a lei,como se diz, é o que chamam um soberano. Pode ser um rei ou um déspota (numa monarquia absoluta), pode ser o povo ( numa democracia ), pode ser um ou outro grupo de indivíduos (uma classe social, um partido, uma elite: uma aristocracia)... Poderá ser, e é muita vez, um misto singular destes três tipos de regime ou de governo. No entanto nunca haverá política sem esse poder, que é o maior de todos, pelo menos sobre a terra e o garante de todos os outros. "O poder é por todo o lado" como diz Foucault, ou dito de outra maneira, os poderes são enumeraveis; mas eles não podem coexistir que sob a autoridade reconhecida ou imposta do mais poderoso de entre eles. Multiplicidades de poderes, unidade do soberano ou do Estado: toda a política se joga lá. Mas vamos nós nos submeter ao primeiro bruto que aparece? Ao primeiro pequeno chefe que surge? De certeza que não! Nós sabemos muito bem que é necessário um poder, ou vários, nós sabemos bem que é preciso obedecer. Mas não a qualquer preço. Nós queremos obedecer livremente: nós queremos que o poder ao qual nos submetemos, não possa abolir o nosso, mas o reforce e o garanta.
Nem sempre se conseguirá mas nunca devemos renunciar. É por isso que fazemos, que nós fazemos política. É por isso que continuaremos a fazê-la. Para sermos mais livres. Para sermos mais felizes. Para sermos mais fortes.
Continúa
Quelha funda
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