sábado, 31 de outubro de 2009

POLITICA

O marxismo-leninismo e as religiões

Revolução é ruptura, transformação e progresso. Socialismo é democracia, aprendizagem em todos os campos do saber, promoção da justiça e da igual distribuição justa da riqueza. Todos estes valores e relações entre valores se incluem no ideário e na prática marxista-leninista.Naturalmente que a filosofia de acção transformadora dos comunistas é laica, baseia-se no conhecimento racional e não na fé. Distancia-se permanentemente de qualquer atavismo religioso e procura expurgar as marcas teológicas da nova sociedade em criação e educar as actuais gerações e as vindouras como militantes da razão. «O comunista» - escreveu Lénine - «não passaria de um fanfarrão se não reelaborasse na sua consciência todos os conhecimentos adquiridos e se limitasse a aprender dogmaticamente conclusões já estabelecidas, sem antes ter realizado um trabalho muito sério, muito grande e muito difícil: analisar os factos perante os quais é preciso que adopte uma atitude crítica». Estes princípios lógicos conduzem o pensamento comunista em qualquer área onde a reflexão crítica se exerça: na política, na investigação, na literatura, na análise social ou na caracterização do papel das religiões. Jamais será aceitável para um comunista acreditar que a construção do homem ou da sociedade depende de uma fonte única, sobrenatural. Mas também, invariavelmente, considerará inaceitável admitir que qualquer Estado use do poder para violar os direitos dos cidadãos à opinião e à fé. O «homem novo» constrói-se passo a passo, pelo trabalho e pela educação. Com a ressalva de que a qualquer igreja ou credo não poderá ser consentido o uso da religião como fachada da acção conspirativa ou como instrumento de expansão dos mercados. É este o necessário equilíbrio entre direitos e deveres de cidadania numa sociedade, primeiro socialista e depois comunista, numa sociedade emergente e criadora. Dizia Engels: « A nossa doutrina não é um dogma mas uma doutrina para a acção».

A paz passa pelo comunismo

O actual mapa político mundial caracteriza-se pela presença de estados imperialistas que se digladiam entre si. Entre os impérios das grandes fortunas que geram continuamente gigantescas manchas de pobreza. Sobre as ruínas dos princípios de honra e com a acelerada degradação dos níveis de conhecimento acessíveis às massas populares, em contraste e contradição com as brilhantes aquisições tecnológicas reservadas às elites. O capitalismo neoliberal, mais do que em qualquer outra época anterior, revela a sua identidade de métodos e objectivos com as tácticas e estratégias do capital que desencadeia as guerras, a exploração do homem pelo homem, a fome e a miséria e com as grandes religiões organizadas que pregam a reconciliação mas agem como diligentes activos do mesmo capital. E não é só à igreja católica (ainda que a a sua responsabilidade seja enorme) que se devem apontar tremendos crimes. Todas as grandes religiões do mundo moderno incorrem nos mesmos comportamentos: acenam com Deus e com os santos enquanto fornecem o indispensável suporte aos tiranos e aos senhores do dinheiro. Elas próprias especulam e intervêm activamente nos mercados. Disfarçam-se de santas para recolherem os lucros dos off-shores, dos negócios da exploração das classes pobres, das drogas, do petróleo, dos armamentos ou do tráfico humano. Necessariamente, quando assim procedem, descrevem uma rota de colisão com o pensamento e a acção marxista-leninista.Acentue-se, porém, que a construção do «homem novo» e de uma nova sociedade, é trabalho operário. Decorre da acção, do esclarecimento e da educação das massas populares e não do discurso político. Por isso mesmo, o comunista precisa de trabalhar humildemente, acumulando materiais e construindo o novo edifício, da base ao topo. Deve recusar as grandes e redundantes polémicas que a nada conduzem. A nossa oficina não se situa nos areópagos mas nas ruas, nas casas onde vive gente, nas fábricas, nas escolas, nos locais onde mora a juventude. Aí, sim ! Aí estamos nós, comunistas, e germinam as sementes da igualdade e da justiça social. A tudo isto acresce o facto de que os comunistas não precisaram de Fátima, nem dos Anjos do Apocalipse. A Jerusalém futura há-de ser construída com as suas próprias mãos. Connosco, ao nosso encontro, virão milhões de crentes nas religiões ou noutras formas de fé, explorados e oprimidos.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Política

Besson, Militar De Uma Ofensiva Ultra-reaccionária

A iniciativa do ministro da imigração sobre a "identidade nacional" e "o orgulho de ser francês", relança o debate, na França, sobre os fundamentos ideológicos do Sarkozysme.
Republica contra "identidade nacional", acolhimento e direito de asilo contra a "imigração escolhida", desenvolvimento contra Europa fortaleza, igualdade contra discriminação...
Depois do lamaçal provocado na campanha presidencial de Nicolas Sarkozy pelo ressurgimento da noção da identidade nacional arrancada aos baixos fundos da direita mais reaccionária, a criação inédita da Republica de um ministério para se ocupar desta questão parecia se banalizar com o tempo. Mas Eric Besson chega ao governo pela mão de Sarkozy, e de onde ele vem? Do partido socialista! Vendo que a caravana socialista não o podia levar ao lugar desejado não hesitou e montou outro cavalo. Hoje para retribuir os favores do chefe não hesita a fazer o sujo trabalho seguindo as ideias, durante anos defendidas por Lepen.
Dizem que a história não se repete mas Bessons há muitos por todo o lado e em Portugal não faltam.


QUELHA FUNDA

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Religião

Nomes de Deus De André Comte-Sponville (continuação)

"O materialismo", escreve em determinada altura, "sem ser sempre ateu, é inseparável da crítica da religião." No livro, Uma Educação Filosófica, não poupa a crítica em relação à religião, escrevendo: "A religião é uma ilusão. Pior, uma cobardia e uma renegação." É por isso uma falta. É duro, como afirmação".
-Sim,é duro. mas aí, é preciso entrar um pouco no detalhe. Porquê "uma ilusão"? Eu parti do texto de Freud, O Futuro de uma Ilusão, onde Freud explica que uma ilusão não é a mesma coisa que um erro, não é forçadamente um erro. Quando eu digo que a religião é uma ilusão, não quero dizer que Deus não existe,mesmo se é o que eu creio. Freud diz: "uma ilusão é um pensamento derivado dos desejos humanos". Se fazer de ilusões como dizem, é acreditar que é verdade o que se deseja, acreditar que é verdade o que esperamos. Dito de outra maneira, familiarmente: tomar os nossos desejos por realidade.
Que desejamos nós? Não morrer, ser amado. E o que nos diz a religião? Que nós não morremos e que nós somos amados para lá de toda a esperança... Por isso a religião é uma ilusão em si, pois é um pensamento derivado de um saber - pois não se trata de saber de Deus - mas dos nossos desejos! É portanto uma ilusão: acreditar em Deus, ´´e tomar os nossos desejos por realidade. Este é o primeiro ponto. Porquê , o segundo ponto, é uma cobardia ou uma renegação? Porque, me parece, ser religioso, é considerar que a verdade é já conhecida, já que ela é revelada. É portanto come ter a liberdade do seu espírito a um corpo de doutrina que é já constituído, independentemente de todo o exame.
E é verdade que nesse sentido, como intelectual, como racionalista, como livre pensador (não no sentido dogmático ou estreito que a palavra tem por vezes, mas no sentido literal),eu recuso que o meu pensamento, se some-ta, antes de todo o exame, a verdades pretensamente reveladas, sejam elas quais forem. Recuso os dogmas assim como as promessas.
-É a famosa frase de Renan!
-"É possível que a verdade fosse triste". É a isso que pensa? Sim, talvez que a verdade seja triste. Dito de outra maneira, quando procuro saber o que pode ser a verdade - não a conheço mais que os outros, mas como cada um, procuro ver qual é a verdade mais provável, o que me parece verdade, - não devo ter em conta as minhas esperanças. Nada prova que a verdade corresponde ao que eu espero. Se eu devo escolher em função das minhas esperanças, acredite que preferia que Deus existisse. Se isso não dependesse de mim! Mas a esperança não é um argumento. E é o que significa o ateísmo.
-Enfim, a "renegação".
-A renegação, justamente, porque é renegar esta liberdade de espírito, é renunciar a esse poder, e a esse dever, de livre-exame. Depois, terceiro ponto é também aceitar o horror. Aceitar o horror, porque o mundo tal como o conhecemos, a vida como a conhecemos, não são globalmente atrozes, mas contêm atrocidades. Há males onde os homens são responsáveis, como as guerras e a injustiça, mas há também muitos horrores de que eles não são responsáveis: os cataclismos,as doenças, o sofrimento de crianças...
Como, diante de uma criança que sofre, diante uma criança que morre, diante da mãe desta criança,como ousar celebrar a bondade e o todo poder de Deus ou as maravilhas da sua criação? Crer em Deus, crer em um Deus bom e todo poderoso, é tolerar o intolerável! É o que eu chamo a cobardia: aceitar o inaceitável. É violar, creio eu, o dever de compaixão, de solidariedade, com os que estão no horror, com os que estão em face da atrocidade. Ninguém, diante de uma criança que sofre e que morre, ninguém, diante da mãe dessa criança não poderá dizer:"Este mundo foi criado por um Deus bom e todo poderoso." E bem, o que não se pode dizer diante de uma criança que sofre, não se poderá dizer, nunca, porque há sempre em qualquer canto do mundo,crianças que sofrem atrozmente.
Não transigimos, mas nunca, com o horror.


QUELHA FUNDA

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Religião

Nomes de Deus ( De André Comte-Sponville )



Numa conversa com André Comte-Sponville, foi-lhe posta a seguinte questão: - Vós dizeis a propósito de Deus, "A sua existência, depois da sua não existência, foi sempre para mim a questão principal". Existência primeiro, não existência não existência de seguida? Como se operou em você a passagem da fé ao ateísmo?

-É bem a questão principal. Toda a nossa vida muda, me parece, ao menos na sua primeira parte - creio que é menos verdade no fim do percurso, - mas toda a nossa vida parece mudar segundo se acredita ou não, em Deus. Quero dizer que se acreditamos ou não, que a verdade é do lado dos nossos sonhos, que a verdade é do lado das nossas esperanças.

No fundo o que é acreditar-mos em Deus? Acreditar em Deus, é acreditar que o essencial dos nossos desejos, os nossos desejos mais fortes, serão satisfeitos, ou que já o sejam. O que é que nós desejaríamos, em primeiro? Não morrer, reencontrar todos os que perdemos, sermos amados... E o que nos diz a religião? Que nós não morremos, ou morrer verdadeiramente, que nós vamos ressuscitar; que nós reencontraremos os que tínhamos amado e perdemos; enfim que nós somos amados para lá de toda a esperança. Como eu amaria que isso fosse verdade! Você me pergunta:"Como é que passei da fé ao ateísmo?" Pois direi, que passei da fé ao ateísmo em passando da esperança ao desespero.

-Não é a escolha mais fácil. você escreveu no livro, O Mito de Ícaro: O difícil é de estar só, sem Deus, sem amigos,sem amor. O ateísmo è difícil." Você escolheu a dificuldade?

-Sim, porque é difícil renunciar às suas esperanças. Porque é difícil de afrontar o que há de desesperante na condição humana. E ainda mais quando renunciamos ao que eu chamo as "religiões de substituição", quer dizer estas outras esperanças que serviram durante muito tempo como produto de substituição da religião.

E na minha biografia, que você evocou, houve o que se chama hoje, o "messianismo marxista", o que quer dizer uma esperança, certo, valendo para esta Terra, uma esperança imanente,como dizem os filósofos, mas que tinha bem todos os caracteres do absoluto religioso.

Dito de outra maneira, é bom de esperar isto ou aquilo, seja por uma ou outra via; mas há uma realidade, a vida continua! A vida tal que ela é: a vida real. ora o que eu constato ( como toda a gente creio eu,) é que a vida, no fundo, é enganadora. Porque ela não corresponde às nossas esperanças. de maneira que, diante das decepções que a vida não deixa de lhes infligir, muita gente julga que, se a vida não satisfaz as suas esperanças, é porque a vida é madrasta. E elas se fecham assim, ainda com vida na amargura e no ressentimento.
- portanto a escolha, de alguma maneira filosófica, do que chamam o materialismo. Pode-se explicar assim, o que Lenine chamava "A Linha de Démocrite".
-Sim. A escolha do materialismo, é exactamente - antes de o dizer: "Se a vida não responde às minhas esperanças, é a vida que não tem razão",-deve-se dizer: "A vida faz o que pode!" A vida ou se aceita ou se recusa. Porque não há outra coisa. O real é a tomar ou a deixar. Deixamos de sonhar a vida, deixamos de esperar viver e vivamos! A linha de Démocrite, como dizia Lenine para definir o materialismo, e em primeiro o movimento que determina a escolher o mundo real,este mundo material ( de onde vem a palavra materialismo ), que consiste a pensar que não há outra vida que esta, corporal, material; que nada há a esperar da morte; que não há uma ultima esperança. Mas que, neste espaço, neste mundo, nesta vida, podemos esperar o prazer, o que é a experiência de todos nós, no dia a dia; podemos alcançar a felicidade.


Continua


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