quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Filosofia de Politzer


V. — Quais são as relações entre o materialismo e o marxismo?

Podemos resumi-las da seguintes maneira:

1. A filosofia do materialismo constitui a base do marxismo.
2.- Esta filosofia materialista, que quer dar uma explicação científica aos problemas do mundo, progride, no
decurso da História, ao mesmo tempo que as ciências. Por consequência, o marxismo tem origem nas
ciências, apoia-se nelas e evolui com elas.
3. Antes de Marx e Engels, houve, em várias etapas e sob formas diferentes, filosofias materialistas. Mas, no
século XIX, dando as ciências um grande passo em frente, Marx e Engels renovaram esse materialismo
antigo, a partir das ciências modernas, e deram-nos o materialismo moderno, a que se chama materialismo
dialéctico, e que constitui a base do marxismo.
Vemos, por estas breves explicações, que a filosofia do materialismo, contrariamente ao que dizem, tem uma
história. Esta está intimamente ligada à das ciências. O marxismo, baseado no materialismo, não teve origem
no cérebro de um só homem. É o resultado, a continuação do materialismo antigo, que estava já muito
avançado em Diderot. O marxismo é a manifestação do materialismo desenvolvido pelos Enciclopedistas do
século XVIII, enriquecido pelas grandes descobertas do século XIX. O marxismo é uma teoria viva, e, para
mostrar imediatamente de que maneira considera os problemas, vamos tomar um exemplo que toda a gente
conhece: o problema da luta de classes.
Que pensam as pessoas sobre tal assunto? Uns, que a defesa do pão isenta da luta politica. Outros, que basta
lutar na rua, negando a necessidade de organização. Outros, ainda, pretendem que só a luta política trará uma
solução a este problema.
Para o marxismo, a luta de classes compreende:
a. Uma luta económica.
b. Uma luta política.
c. Uma luta ideológica.
O problema deve, pois, ser posto, simultaneamente, nestes três campos;
a. Não se pode lutar pelo pão sem lutar pela paz, sem defender a liberdade e todas as ideias que servem a luta
por tais objectivos.
b. O mesmo acontece na luta política, que, depois de Marx, se tornou uma verdadeira ciência: é-se obrigado
a ter em conta, ao mesmo tempo, a situação económica e as correntes ideológicas para conduzir essa luta.
c. Quanto à luta ideológica, que se manifesta pela propaganda, deve ter-se em consideração, para que seja
eficaz, a situação económica e política.
Vemos, pois, que todos estes problemas estão intimamente ligados e, assim, que não é possível decidir face a
qualquer aspecto deste grande problema que é a luta de classes - numa greve, por exemplo -, sem tomar em
consideração cada dado do problema e o conjunto do próprio problema.
É, portanto, aquele que for capaz de lutar em todos os campos que dará ao movimento a melhor direcção.
É assim que um marxista compreende este problema da luta de classes. Ora, na luta ideológica que devemos
conduzir todos os dias, encontramo-nos perante problemas difíceis de resolver: imortalidade da alma,
existência de Deus, origens do mundo, etc. É o materialismo dialéctico que nos dará um método de
raciocínio, que nos permitirá resolver todos estes assuntos e, de igual modo, descobrir todas as campanhas de
falsificação do marxismo, que pretendem completá-lo e renová-lo.


Quelha Funda

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