Entrevista com Egon Krenz, ultimo presidente do Conselho de Estado da RDA.*
-O Senhor esteve preso durante vários anos, o que tem adizer?
Tenho a sorte de ter uma família intacta e amigos fieis. Tenho a esperança que os meu netos conseguirão o que nós tentámos construir. Em 1989, não foram as ideias socialistas que foram enterradas, mas antes um certo modelo de socialismo. Estes anos de prisão foram, principalmente para a minha família muito duros pois os ataques, que me eram feitos, visavam a minha honra. Eu sabia que não me ofereceriam flores. Por uma razão simples: desde a sua elaboração, a lei fundamental da RFA estipulava que os territórios alemães situados fora da RFA deviam ser recuperados; todos aqueles que exerciam uma função responsável eram considerados como criminosos e malfeitores. Eu sabia isso já à muito tempo mas recuso e recusarei sempre as acusações que foram levantadas contra mim. A história me libertará. A Minha sorte pessoal pouco importa. Ao contrário, o calvário vivido por numerosos cidadãos da RDA releva do inadmissível. Eu penso a todos, que foram marginalizados. A divisão da Alemanha não era uma coisa natural. Ela era contrária à nossa História.
-Mas o senhor apercebeu-se que os dirigentes da RFA tudo fizeram para evitar a prisão dos nazis?
-Eu respeitei escrupulosamente as leis da RDA.Não cometi nenhum crime.
-Como viveu os últimos dias da RDA?
-Eu não sou da geração dos que vieram dos campos de concentração, da guerra da Resistência ou de Moscovo.
No"bureau" político do SED,eu era o mais jovem. Eu sou um infante da RDA. Todos os outros tinham sobrevivido ao nazismo. Eu ocupei numerosas funções: de representante dos alunos no meu colégio, até à presidencia do Conselho de Estado. Com o desaparecimento da RDA, é uma boa parte da minha vida que eu enterrei.
-Passou algum acordo com o chanceler Kohl?
-Nós tinhamos dicidido de abrir avários pontos de passagem. A data foi fixada, pelo meu governo, a 10 de Novembro de 1989. Ora na vespera um membro do "bureau" político, Schabowski, anunciou publicamente,não a abertura das passagens," mas a destruição do muro".Nós tinhamos acordado com Kohl pela abertura em "doçura" das fronteiras.
-Pensou, em algum momento, a usagem da força?
-Posso jurar que nós nunca envisajámos uma tal decisão. Eu sabia que uma só morte teria consequências trágicas. O uso da força, e nós tinhamos os meios, teriam coduzido à castástrofe.
Num dos vossos livros, o senhor protésta contra a reescritura da história.
-Tantas coisas foram ditase escritas... É preciso voltar ao essencial: sem Hitler, o nazismo, a Segunda Guerra mundial e a reforma monetária de 1948, a história da Alemanha poderia se ter escrito de outra maneira. O mal do povo alemão, foi o facismo.
-Vinte anos depois do fim da RDA, o socialismo, no seu entender, é morto?
-A ideia socialista, os valores do socialismo vivem e viverão. Eu estou persuadido que o futuro será o socialismo ou a barbaridade. O antigo sistema é definitivamente morto. Eu considero que falhei. A outros de Construir o socialismo moderno e democrático. Um novo socialismo
* Egon Krenz vive com a família perto de Rostok
Entrevista feita por José Fort-----Humanité
Publicado por Quelh Funda
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
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