Viva a Crise
No ultimo boletim da LAT vem um artigo do senhor Mário Raposo, que não pode deixar ninguém indiferente.
Diz ele, ou melhor escreve, sem que a mão lhe trema, que "os grandes avanços da humanidade estão sempre ligados a épocas de crise". Sem corar escreve ele: "Para alguns a crise é somente um estado de ânimo, do mesmo modo que o sucesso e as circunstâncias do meio envolvente são unicamente o campo de jogo onde se joga uma partida e há que dar o melhor de si mesmo".
Não sei a quem se dirigia, o autor destas linhas, mas de certeza não era aos mais de 200 milhões de crianças com menos de cinco anos que passam fome neste mundo onde vivemos.( Dados da UNICEF ). Se atendermos que estas crianças têm pais e irmãos,poderemos, facilmente, multiplicar por 4 ou 5 estes 200 milhões. Será isto um estado de ânimo ou uma partida que se desenrola num campo de jogo?
O senhor Mário Raposo faria bem em procurar outras leituras e autores mais credíveis, como, por exemplo, Robert Castel, director à Escola dos Altos Estudos em Ciencias Sociais de França que há poucos dias, numa entrevista dizia: O coração da transformação se situa, primeiro, ao nível da organização do trabalho e se traduz por uma degradação do estatuto profissional. A precariedade se desenvolve no interior do emprego e vem se juntar ao desemprego de massas. Não é mais possível de pensar a precariedade como o fizemos durante anos, como se fosse um mau momento a passar antes de encontrar um emprego durável. Existe, mesmo, um numero crescente de pessoas que se instalam na precariedade. Esta transforma-se, por paradoxal que pareça, num estado permanente... Os operários menos qualificados, os jovens que procuram entrar pela primeira vez no mercado do trabalho são sempre, em termos quantitativos, as categorias mais tocadas pelo crescimento da precariedade. No entanto não podemos esquecer que a precariedade do trabalho é uma linha de fractura".
Isto deixa-nos ver o sistema capitalista está caduco e atrás de uma crise outra virá que não será menor, e por muitos jogos que se façam o resultado será sempre o mesmo: cada vez maior o numero de famintos em todo o Planeta.
É certo que haverá sempre aqueles que conseguem tirar as castanhas do fogo e por isso procuram defender o sistema sem olhar à sua volta e, muitos, para o seu passado.
Quelha Funda
sábado, 14 de novembro de 2009
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