sábado, 21 de novembro de 2009

Filosofia

Filosofia de Politzer


III. — O que é a filosofia?
Vulgarmente, entende-se por filósofo: ou àquele que vive nas nuvens, ou o que toma as coisas pelo lado bom,
aquele que nada faz. Ora, muito ao contrário, o filósofo é aquele que quer, a certas perguntas, dar respostas
precisas, e, se se considerar que a filosofia quer dar uma explicação aos problemas do universo (de onde vem
o mundo? para onde vamos? etc), vê-se, por conseguinte, que o filósofo se ocupa de muitas coisas, e, ao
contrário do que dizem, trabalha muito.
Diremos, portanto, para definir a filosofia, que ela quer explicar o universo, a natureza, que é o estudo dos
problemas mais gerais. Os menos gerais são estudados pelas ciências. A filosofia é, pois, um prolongamento
das ciências, no sentido em que se apoia nas ciências e delas depende.
Acrescentaremos, em seguida, que a filosofia marxista utiliza um método de resolução de todos os
problemas, e que tal método depende do que se chama o materialismo.
IV. — O que é a filosofia materialista?
Também aí existe uma confusão, que devemos denunciar imediatamente; é vulgar entender-se por
materialista aquele que só pensa em gozar com os prazeres materiais. Jogando com a palavra materialismo -
que contém a palavra matéria -, chegou a dar-se-lhe um sentido completamente falso.
Vamos, estudando o materialismo - no sentido científico da palavra -, restituir-lhe o seu verdadeiro
significado; ser materialista, não impede, iremos vê-lo, de ter um ideal e de lutar para o fazer triunfar.
Dissemos que a filosofia quer dar uma explicação aos problemas mais gerais do mundo. Mas, no decurso da
história da humanidade, esta explicação não foi sempre a mesma.
Os primeiros homens procuraram, na verdade, explicar a natureza, o mundo, mas não o conseguiram. O que
permite, com efeito, explicar o mundo e os fenómenos que nos rodeiam são as ciências; ora, as descobertas
que permitiram às ciências progredir são muito recentes.
A ignorância dos primeiros homens era, pois, um obstáculo às suas investigações. Por isso é que no decurso
da História, por causa desta ignorância, vemos surgir as religiões, que querem explicar, também elas, o
mundo, mas por forças sobrenaturais. É esta uma explicação anticientífica. Ora, como, pouco a pouco, no
decurso dos séculos, a ciência se vai desenvolver, os homens vão tentar explicar o mundo através de factos
materiais, a partir de experiências científicas, e é daí, desta vontade de explicar as coisas pelas ciências, que
nasce a filosofia materialista.
Nas páginas seguintes, vamos estudar o que é o materialismo, mas, desde já, devemos fixar que o
materialismo não é mais do que a explicação científica do universo.
Estudando a história da filosofia materialista, veremos quanto foi áspera e difícil a luta contra a ignorância. É
preciso, aliás, constatar que, mesmo nos nossos dias, esta luta não terminou ainda, uma vez que o
materialismo e a ignorância continuam a subsistir juntos, lado a lado.
É no coração desta luta que Marx e Engels intervieram. Compreendendo a importância das grandes
descobertas do século XIX, permitiram à filosofia materialista fazer enormes progressos na explicação
científica do universo. Foi assim que nasceu o materialismo dialéctico. Depois, os primeiros, compreenderam
que as leis que regem o mundo permitem também explicar a evolução das sociedades; formularam, assim, a
célebre teoria do materialismo histórico.
Propomo-nos estudar, nesta obra, primeiramente, o materialismo, depois, o materialismo dialéctico e, por
fim, o materialismo histórico. Mas, antes de mais, queremos estabelecer as relações entre o materialismo e o marxismo.

Quelha Funda

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