quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Estejamos atentos

Respingos de um livro

O ultimo livro de Alain Badiou, "O Reveil De L'Histoire", Põe no seu preâmbulo questões que não
podem deixar-nos indiferentes. Elas são de actualidade e se ele se dirige mais ao seu país, a França, não deixa de incluir a Europa e por isso Portugal. Por esta razão decidi publicar alguns extratos com a esperança que eles sejam lidos por alguns amigos e não só.
Alain Badiou se interroga: O que se passa? O´que é que nos está acontecendo? Do que estamos a ser testemunhas meio fascinados, meio devastados? Continuação de um mundo fatigado? Crise benéfica do mesmo mundo, na procura do seu vitorioso alargamento? Fim desse mundo? Começo de um outro mundo? O que é que nos acontece, no começo de um novo século que parece não ter um nome claro dentro de alguma língua tolerada?
Consultamos nossos mestres: Banqueiros discretos , tenores mediáticos, gente incerta de grandes comissões, porta-vozes da "comunidade internacional" presidentes ricalhaços, novos filósofos, professores de fábricas e de domínios, homens da bolsa e dos concelhos de administração, políticos faladores da oposição, notáveis da cidade e da província, economistas do crescimento, sociólogos da cidadania, experto de crises em toda a espécie, profetas da "guerra das civilizações", grandes chefes da polícia, da justiça e da "penitência",avaliadores de benefícios, calculadores dos rendimentos, editariolistas de jornais, diretores de recursos humanos, gente que não são por eles mesmo gente de pouco, gente que não devemos ter por gente de nada. Que dizem eles, todos estes dirigentes, todos estes fazedores de opinião, todos estes responsáveis, todos estes "apanha-migalhas"?
Todos eles dizem que o mundo muda a uma velocidade vertiginosa, e que por isso, para evitar a ruína ou a morte (para eles, é a mesma coisa), temos de nos adaptar a essa mudança, ou não ser mais, dentro de tal mundo, que a sombra de nós mesmo. Que nos devemos adaptar energicamente, aceitando sem hesitação os sofrimentos inevitáveis,dentro da "modernização Incessante). É preciso, dizem eles, visto o terrível mundo concurrencial que todos os dias nos desafia, subir os escarpados obstáculos Dos montes da produção, da redução dos orçamentos, da inovação tecnológica, da boa saúde dos nossos bancos e harmonizar o trabalho. Toda a concorrência é desportiva nos seus princípios: nós devemos, para tudo resumir, participar à ultima escapada ao lado dos campeões do momento (um ás alemão, um outsider tailandês, um veterano britânico, um novo chinês, sem contar com o sempre vigoroso Yankee não mais ficar-mos em fim do pelotão. para isso, toda a gente deve pedalar: modernizar,reformar, mudar!
Rompamos com a rotina! Abaixo os arcaísmos! Temos que mudar.
Mas Mudar o quê? se a mudança deve ser permanente, a sua direção, parece ser constante.Convém de tomar de urgência toas as medidas que a conjuntura nos impõe para que os ricos continuem a se enriquecer continuando a pagar menos impostos; que os efectivos das empresas sejam diminuídos à causa de licenciamentos e de planos sociais; que tudo o que é público seja privatizado contribuindo assim,não ao bem público mas à riqueza dos ricos e dos meios ricos que, formando a barreira de segurança, são um apoio sempre prontos a servir a oligarquia financeira.
É esta a verdadeira linha da mudança, a actualidade da reforma, a dimensão concreta da modernização. É isto para os mestres a lei do mundo.


Quelha Funda

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