segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Politica

POLITZER


CAPÍTULO II
QUE SIGNIFICA SER MATERIALISTA?
I. — União da teoria e da prática.
II. — Que significa ser adepto do materialismo, no domínio do pensamento?
III. — Como se é materialista na prática?
a) Primeiro aspecto da questão.
b) Segundo aspecto da questão.
IV. — Conclusão.
I. — União da teoria e da prática.
O estudo que prosseguimos tem por fim fazer conhecer o que é o marxismo, ver como a filosofia do
materialismo, tornando-se dialéctica, se identifica com o marxismo. Sabemos já que um dos fundamentos
desta filosofia é a estreita ligação entre a teoria e a prática.
É por isso que, depois de ter visto o que é a matéria para os materialistas, em seguida, como ela é, é
indispensável dizer, após estas duas questões teóricas, o que significa ser materialista, isto é, como age o
materialista. É o lado prático destes problemas.
A base do materialismo é o reconhecimento do ser como origem do pensamento. Mas basta repetir isso
continuamente? Para ser um verdadeiro adepto do materialismo consequente, é preciso sê-lo:
1. no domínio do pensamento;
2. no domínio da acção.
II. — Que significa ser adepto do materialismo, no domínio do pensamento?
Ser adepto do materialismo, no domínio do pensamento é, conhecendo a fórmula fundamental do
materialismo - o ser produz o pensamento -, saber como se pode aplicar essa fórmula.
Quando dizemos: o ser produz o pensamento, temos uma fórmula abstracta, porque as palavras: ser e
pensamento são abstractas. O «ser», é do ser em geral que se trata; o «pensamento», é do pensamento em
geral que se quer falar. O ser, assim como o pensamento em geral, é uma realidade subjectiva (ver primeira
parte, capítulo IV, a explicação de «realidade subjectiva» e de «realidade objectiva»); isso não existe: é o que
se chama uma abstracção. Dizer: o «ser produz o pensamento» é, pois, uma fórmula abstracta, porque
composta de abstracções.
Assim, por exemplo: conhecemos bem os cavalos, mas se falamos do cavalo, é do cavalo em geral que
queremos falar; pois bem, o cavalo em geral é uma abstracção.
Se pomos, no lugar do cavalo, o homem ou o ser em geral, são ainda abstracções.
Mas se o cavalo em geral não existe, que é que existe? São os cavalos em particular. O veterinário que
dissesse: «Trato do cavalo em geral, mas não do cavalo em particular» seria ridículo; tal como o médico
que mantivesse os mesmos propósitos acerca dos homens.
O ser em geral não existe, portanto; o que existe são seres particulares, que têm qualidades próprias.
Acontece o mesmo com o pensamento.
Diremos, pois, que o ser em geral é qualquer coisa de abstracto e que o ser particular é qualquer coisa de
concreto; assim como o pensamento em geral e o pensamento particular.

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