terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Os Novos Mestres

Os Novos Intelectuais
Não passa despercebido, a quem esteja atento, o trabalho silencioso dos intelectuais da moda ou do poder estabelecido, na procura de desintegrar tudo o que é ideologia. Procurando criar novos modelos culturais eles tentam esvaziar, por etapas, todo o conceito político,pilar da sociedade. conseguiram, nas ultimas duas ou três décadas, decapitar os partidos comunistas em muitos países da Europa. Os casos da França e da Itália, que nos anos 60 eram partidos de governo, são, hoje, uma manta de retalhos com a qual se procuram cobrir.
Mas não são só os partidos comunistas que eles têm em mira. Outros partidos: sociais democratas, democratas cristãos ou socialistas, estão a sofrer a mesma erosão.
O caso do Partido Socialista Francês, estudado por dois sociólogos franceses é o exemplo do efeito de desintegração produzida pela nova estratégia educativa do país.
A divisão do partido em níveis culturais sobrepostos conduziu-o a eliminar, no seu interior, a representação popular e a se transformar num partido de eleitos largamente desligados da estrutura social global.
Este fenómeno podemos transporta-lo para outros partidos e também para Portugal que, tirando o Partido Comunista Português, todos os outros estão estruturados à volta de umas centenas de intelectuais, pequenos burgueses, e de doutores que se julgam senhores de todo o saber e de toda a verdade.
É de toda a oportunidade deixar, aqui, a opinião de uma militante socialista francesa que faz parte dessa casta dita superior.
Diz ela. "Eu penso que é um pouco caricatural mas no entanto na nossa secção de intelos, de empregados superiores e de professores, não o podemos negar. Eu, os militantes populares,pouco os conheço e poucos há na minha secção. Mas quando os vejo ao trabalho imagino logo como deve ser noutras secções. Há três ou quatro muito servi- entes, disponíveis, sempre lá... são um pouco as pequenas mãos da secção mas são eles de verdadeiros militantes? Quando se trata de fazer numero, de dizer àmen, de fazer sandes ou de abrir garrafas, podemos contar com eles, mas no debate,quando se trata de refletir, é como se não estivessem lá. É certo que eles estão no terreno, mas o terreno não é o importante, é preciso ter ideias, ter qualquer coisa para dizer...para mim o militante é aquele que pensa, que fala, escreve, discute, dá a sua opinião,faz avançar as coisas, não é o que sabe só abrir garrafas."
Resta que a descrição da mutação do militantismo é exacta, mas na França este militante ideal abriu o caminho à extrema direita em esperando o sarkozismo.
O antigo militante popular considerava que estava ao serviço do Partido, numa ligação passiva à doutrina. Mas ele estava activo na difusão e colagem da propaganda do partido, na organização de festas incluindo a confecção de sandes e abrir garrafas.
Felizmente que não é o caso no nosso Partido-O PCP-onde a militância está de perfeita saúde e se recomenda. Nada tem a ver com o que se passa noutros partidos e noutros países. Os nossos militantes, vindos da classe operária e popular continuam de mãos dadas com outros camaradas vindos de outras camadas da sociedade. Todos estão empenhados na construção de outro Portugal. Podemos encontrar um operário a escrever um texto para um panfleto e ao mesmo tempo ver um intelectual a pintar um cartaz ou cola-lo numa parede. Todos são operários da mesma construção...Construir um Mundo Melhor e um Portugal Novo.

Quelha Funda

Para este escrito servi-me de um livro de Emmanuel Todd (Après La Démocratie)

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