quarta-feira, 1 de julho de 2009

Política

Divagar sobre um livro de Badiou llº

Depois de quarenta anos comemora-se, ainda, o Maio de 68. Livros , artigos, emissões e discussões de todo o género servem para o relembrar perguntando-se: Porquê? Primeiro porque comemorar, hoje, uma coisa que está morta há tanto tempo? Nós somos num outro mundo, tudo mudou; nada do que se passou tem , hoje, algum significado a não ser nostalgia e folclore.
Uma segunda questão, esta mais positiva,nos interroga: Comemora-se o Maio de 68 porque o verdadeiro beneficiádo foi o capitalismo liberal moribundo? As ideias de liberdade de 68, a transformação dos costumes, o individualismo, os prazeres da vida, encontram a sua realização no capitalismo post-moderno e no universo matizado de consumação em todo o género. Finalmente, o produto de Maio de 68 é ter, hoje, nos comandos do Mundo Ocidental, pessoas como Sarkozy, Merkel, Berlesconi, Sócrates e agora o ídolo dos democratas e não só, Obama. Como diz o reaccionário Glucksman, "celebrar o Maio de 68 é celebrar o Ocidente liberal defendido corajosamente contra os bárbaros pelo exército americano".
Podemos,também,opor a tais visões deprimentes de hipóteses mais optimistas em relação às comemorações.
A primeira,é que este interesse por 68,em particular o de uma parte significativa da juventude, é, ao contrário da segunda questão, um sobressalto anti-Sarkozi e seus comparsas, retornando-se para Maio de 68 como uma fonte possivel de inspiração, como uma maneira de reagir quando se encontra ao fundo do poço?
E há ainda uma outra hipótese talves mais optimista. À volta destas comemorações, e também do lado oficial mercantil e deformado, se procure a ideia de que um outro mundo político e social é possivel; que esta grande ideia de mudança radical, que transportou durante dois séculos o nome de revolução e que tanto medo meteu aos senhores da Europa poder ser o prelúdio de uma falência completa do capitalismo

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