quarta-feira, 8 de julho de 2009

Política

O Espectáculo da Crise

A crise planetária da finança, tal como nos é apresentada, assemelha-se a um mau filme fabricado por uma empresa de sucéssos e que lhe dão o nome de cinema. Nada falta: o espectáculo progressivo do desastre, a imcerteza depressiva, o exotismo do identico -A bolsa de Djakarta alojada ao mesmo nivel que New- York, a diagonal de Mosvovo a São Paulo, por todo o lado o mesmo fogo posto aos mesmos bancos-,os acontecimentos que terrorisam: Ai, ai, ai, eis que os planos mais estruturados não impedem a Sesta-Feira negra onde tudo se vai afundar. A esperança demora: desvairados e concentrados como nos filmes catastróficos, a pequena esquadra de poderosos, os bombeiros do fogo monetário, os Sarkozy, Paulson, Merkel, Brown e outros Trichet, afundam no buraco central milhões de milhões de euros. Mais tarde se há-de perguntar (serão os episódios seguintes) de onde eles sairam porque, ao mais pequeno pedido dos pobres, eles respondem, revirando os bolsos, que não têm um centimo. Por momento pouco importa . "Salvar os bancos!" Este nobre grito humanista e democrático sai de todos os peitos políticos e mediáticos. Salva-los a todo o preço! É caso para dizer, por este preço não é nada. No fim de contas os bancos serão mais grossos que antes, e alguns de pequeno ou médio talho, não podendo sobreviver que à custa da benevolência dos Estados, serão oferecidos aos mais grossos por uma cõdea de pão.
Afundamento do capitalismo? Dá para rir. Quem o deseja? Quem sabe o que isto quer dizer? Salvem-se os bancos e o resto seguirá. Para os actores directos do filme ou sejam os ricos, os seus serventes, os parasitas, os que os invejam estão disponiveis para todas as patifarias para que o mundo assim continue.
Virados para este espetáculo a multidão aturdida que, vagamente inquieta, compreende pouca coisa, completamente alheia de todo o engajamento activo, ouve como uma gritaria, ao longe, os alaridos dos banqueiros, adevinha os fins de semana verdadeiramente cansativos, do glorioso pequeno exército de chefes de governo, vê passar os numeros astronómicos e obscuros e compara maquinalmente os recursos que são os seus,ou mesmo, para uma parte muito considerável da humanidade que fáz o fundo amargo e corajoso da sua vida. Falou-se bastante, estes ultimos meses, da "economia real",(a produção e a circulação de bens) e de economia- como dizer, irreal?- de onde vem todo o mal, visto que os seus agentes vieram todos de "irresponsáveis","irracionais","predateures", consumindo na sua rapacidade a massa informe de acções e de dinheiro.
Não há nada mais "real" no paiol da produção do capitalismo que o seu compartimento mercantil e especulativo. Numa sala de cinema o " real" não é o filme mas a sala e o público. Na vida política e económica o "real" não é a burguesia que gosa de todos os privilégios mas sim o Povo que sofre em todo o Universo.
O capitalismo não é que um bandido, irrascional na sua essência e devastador no seu futuro. Ele fez sempre pagar certos momentos de prosperidade selvaticamente inegal por de crises onde desaparecem quantidades astronómicas de valeur, de expedições punitivas sangrentas em todas as zonas julgadas estratégicas ou ameaçadoras, e de guerras mundiais onde se procura fazer uma saúde.
Querem nos fazer crer que é impossivel tapar o buraco da Segurança Social mas que se deve tapar o buraco, sem contar os milhões, dos bancos falidos. Não devemos aprovar que alguém queira nacionalisar uma fábrica, posta em dificuldade pela concorrência, fábrica onde trabalham centenas ou milhares de operários, mas torna-se evidente de o fazer por um banco que a espéculação pôs em falência.
É preciso fazer caír o velho veredicto segundo o qual nós estamos no " fim das ideologias". Vê-se claramente que o pretendido não é outra realidade que a palavra de ordem " Salve-se o capitalismo". Nada é mais importante que reencontrar a paixão das ideias, e de opor ao mundo tal que ele é uma hipótese geral, a certeza antecipada de outro rumo das coisas. Ao espectáculo desacreditado do capitalismo, as massas populares devem impor a realidade dos povos, a vida das pessoas no movimento próprio das ideias. O motivo da emancipação da humanidade nada perdeu da sua força. A palavra "comunismo" que durante muito tempo simbolizou esta força, foi aviltada e prostituida. Mas hoje o seu desaparecimento apenas serve os senhores da ordem. Nós vamos ressucita-la na sua nova clareza. Que é também sua antiga virtude, quando Marx dizia do comunismo que ele "rasgava da maneira mais radical com as ideias tradicionais" e que ele fazia surgir "uma associação onde o livre desenvolvimento de cada um é a condição do livre desenvolvimento de todos.


Publicado por Quelha Funda





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