Sabemos que o mundo, no seu estado actual, é o resultado, em todos os domínios, de uma longa evolução e,
por consequência, de um movimento lento, mas contínuo. Precisamos, portanto, depois de ter demonstrado a'
existência da matéria, que
o universo é apenas matéria em movimento, e esta matéria em movimento só se pode mover no espaço e no
tempo28.
V. — Conclusão.
Resulta destas constatações que, a ideia de Deus, a ideia de um «puro espírito» criador do universo não tem
sentido, porque um Deus fora do espaço e do tempo é qualquer coisa que não pode existir.
É preciso participar da mística idealista, por consequência, não admitir nenhum controlo científico, para
acreditar num Deus existindo fora do tempo, isto é, não existindo em nenhum momento, e existindo fora do
espaço, ou seja, não existindo em parte alguma.
Os materialistas, seguros das conclusões das ciências, afirmam que a matéria existe no espaço e num dado
momento (no tempo). Por consequência, o universo não pôde ser criado, porque teria sido preciso a Deus,
para poder criar o mundo, um momento que não existiu em nenhum momento (uma vez que o tempo para
Deus não existe), e seria preciso, também, que de nada saísse o mundo.
Para admitir a criação, é preciso, pois, admitir, em primeiro lugar,, que houve um momento em que o
universo não existia, depois, que de nada saiu qualquer coisa, o que a ciência não pode admitir.
Vemos que os argumentos dos idealistas, confrontados com as ciências, não podem manter-se, enquanto que
os dos filósofos materialistas não podem ser separados das próprias ciências. Sublinhamos assim, uma vez
mais, as relações íntimas que ligam o materialismo e as ciências.
Politzer
quinta-feira, 29 de julho de 2010
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