2. Segundo aspecto da questão .
O materialismo e a acção: Se é verdade que o verdadeiro materialista é aquele que aplica a fórmula que é a
base desta filosofia, em toda a parte e em todos os casos, deve prestar atenção em aplicá-la bem.
Como acabamos de ver, é preciso ser consequente, e, para ser um materialista consequente, transpor o
materialismo para a acção.
Ser materialista na prática é agir em conformidade com a filosofia, tomando por factor primeiro, e o mais
importante, a realidade, e por segundo, o pensamento.
Vamos ver que atitudes assumem os que, sem hesitar, tomam o pensamento pelo factor primeiro, e são,
portanto, nesse momento, idealistas sem o saber.
1. Como se chama o que vive como se estivesse só no mundo? Individualista. Vive curvado sobre si mesmo;
o mundo exterior só existe para ele. Para ele, o importante é ele, é o seu pensamento. É um puro idealista, ou
o que se chama um solipsista. (Ver explicação desta palavra, primeira parte, cap. II.)
O individualista é egoísta, e ser egoísta não é uma atitude materialista. O egoísta limita o universo à sua
própria pessoa.
2. O que aprende pelo prazer de aprender, como diletante, por ele, assimila bem, não tem dificuldades, mas
guarda isso só para si. Concede uma importância primeira a ele próprio, ao seu pensamento.
O idealista é fechado ao mundo exterior, à realidade. O materialista é sempre aberto à realidade; é por isso
que aqueles que seguem cursos de marxismo, e que aprendem facilmente, devem tentar transmitir o que
aprendem.
3. O que raciocina em todas as coisas relacionando-as consigo mesmo sofre uma deformação idealista.
Dirá, por exemplo, de uma reunião onde foram ditas coisas desagradáveis para ele: «É uma reunião
maldizente». Não é assim que as coisas devem ser analisadas; é preciso julgar a reunião relacionando-a com
a organização, a sua finalidade, e não em relação consigo mesmo.
4. O sectarismo também não é uma atitude materialista. Porque o sectário que compreendeu os problemas, e
está de acordo consigo próprio, pretende que os outros devem ser como ele. É dar ainda a importância
primeira a si ou a uma facção.
5. O doutrinário que estudou os textos, tirou definições, é ainda um idealista quando se contenta em citar
textos materialistas, quando vive somente com os seus textos, porque o mundo real então desaparece. Repete
essas fórmulas sem na realidade as aplicar. Dá a importância primeira aos textos, às ideias. A vida desenrolase
na sua consciência sob a forma de textos, e, em geral, constata-se que o doutrinário é também um sectário.
Crer que a revolução é uma questão de educação, dizer que explicando, «de uma vez para sempre», aos
operários a necessidade da revolução eles devem compreender, e que, se não querem compreender, não vale
a pena tentar fazer a revolução, é sectarismo, não uma atitude materialista.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
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