segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"Um Éditocrata"

Num pequeno escrito, há poucos dias, referi-me a um livro, acabado de ser editado, e que tinha como titulo: "Os Éditocratas". Deste grupo, entre outros, faz parte um senhor (Bernard-Henri Levi, Bernard para os amigos), que se diz ser"escritor, romancista,,ensaiador, jornalista e também, sobre tudo, filósofo. Ele, não só dá opinião sobre tudo, como, em tudo, ele julga ter razão. Vejamos algumas das suas diatríbes: Em 2006, muito tempo depois da sua odisseia na Jugoslávia e gostando de mostrar a guerra, embarca para Israel, no momento em que as forças militares deste país, fazem, no Líbano,um autêntico massacre na população civil. Na sua modéstia, o filósofo, reconhece não ser um perito militar e por isso não pode julgar a desproporção numa guerra onde o balanço humano será de 1300 vítimas civis do lado libanês (onde um terço de crianças) contra 48 do lado de Israel.
Pouco tempo depois de ter chegado a Israel, o nosso "amigo"Bernard, monta a Manara, tomada pelos israelitas e onde montaram uma base de artelharia, e logo três coisas lhe chamam a curiosidade: Foi a extrema juventude dos artilheiros: vinte anos; talvez dezoito; o ar estupefacto quando o tiro parte, como se fosse sempre a primeira vez; as brincadeiras de jovens quando o colega não tem tempo de tapar as orelhas e que a detonação os torna surdos; e depois o lado grave ao mesmo tempo, penetrados de quem sabe se encontrar nas primeiras linhas de um drama imenso e que os ultrapassa.
Os libaneses sobre quem tombam os tiros do campo de artelharia de Manara, como se fosse sempre a primeira vez, (Bernard não diz uma palavra) sabem da gravidade do momento e que duvidam que as suas crianças e jovens tenham nesse momento o prazer de se juntar ao amigo que não teve tempo de tapar as orelhas antes que o obus, lançado pelos jovens israelitas, não rebente e os matem a maior parte das vezes.
Estes militares israelitas, jovens alegres e republicanos, fazendo parte de um exército mais simpático que guerreiro; mais democrático que dominador, um exército que nada tem a ver com os brutos, exterminadores sem princípio nem piedade e que são obrigados a combater.
Dum lado, os brutos e os cruéis mas onde os civis são mortos às centenas,do outro, jovens alegres republicanos, simpáticos, sábios e democratas equipados com armas mas que evitam os inocentes. Como a guerra é bela quando Bernard a descreve.
Em 2008, surge o conflito entre a Geórgia e Rússia e lá vai o nosso filósofo verificar , sobre o terreno, se era bem uma guerra entre o bem(Ocidente) e o mal.
Mal põe pé em terra encontra logo um oficial russo que longe de ser simpático,como os artilheiros de Manara, "tem ar de ter bebido muito". continuando o seu caminho encontra um outro oficial, sempre russo, "cheio de importância e de vodka e que para cumulo ainda urla.
Continuando a sua viagem diz ele: "Chegámos a Gori, não estamos no centro da cidade mas podemos constatar os incêndios a perder de vista". E de concluir dramatizando: "Gori é queimada, pilhada, reduzida a cidade fantasma, despojada pelos russos onde a selvageria não conhece limites".
Problema; há sempre um problema, de fonte segura, Bernard nunca entrou em Gori e os russos não queimaram a cidade.
O testemunho é de Marie-Anne Isles Beguin que fazia parte do grupo e que conhece bem a região. "mas não, não estivemos em Gori" corrige ela. "Fomos bloqueados a um quilômetro e meio da cidade; só os campos ardiam. Os exércitos queimam, por vezes, os campos para evitar as emboscadas". Mais tarde, Bernard viu-se obrigado a rever a sua cópia e vir dizer que o que viu era "essencialmente os campos que ardiam".

Poderia continuar com muitas outras histórias, mas tornar-me-ia longo. Só direi que Bernards como este é que por aqui mais há e em Portugal também não faltam.
Termino prefaciando uma canção de Gainsbourg: " QUE GRANDE CANALHA."


QUELHA FUNDA

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