sábado, 9 de janeiro de 2010

Como devemos começar o estudo da filosofia? (Politzer)

Na nossa introdução, dissemos, várias vezes, que a filosofia do materialismo dialéctico era a base do

marxismo.

O fim a que nos propomos é o estudo dessa filosofia; mas, para chegar a ele, é preciso avançarmos por

etapas.

Quando falamos do materialismo dialéctico, deparam-se-nos duas palavras:

materialismo
e dialéctico, o

que

quer dizer que o materialismo é dialéctico. Sabemos que antes de Marx e Engels o materialismo existia já,

mas que foram estes, com a ajuda das descobertas do século XIX, que o transformaram e criaram o

materialismo «dialéctico».

Examinaremos, mais tarde, o sentido da palavra «dialéctico», que designa a forma moderna do materialismo.

Mas, visto que, antes de Marx e Engels, houve filósofos materialistas (por exemplo, Diderot, no século

XVIII), e visto que há pontos comuns em todos os materialistas, é-nos, pois, necessário estudar a

história

do

materialismo, antes de abordar o materialismo dialéctico. É-nos preciso conhecer, igualmente, as concepções

que se opõem ao materialismo.

II. — Duas maneiras de explicar o mundo.

Vimos que a filosofia é o «estudo dos problemas mais gerais», e que tem por fim explicar o mundo, a

natureza, o homem.

Se abrirmos um manual de filosofia burguesa, ficamos espantados com o grande número de filosofias

diversas que aí se encontram. São designadas por múltiplas palavras, mais ou menos complicadas,

terminando em «ismo»: o criticismo, o evolucionismo, o intelectualismo, etc, e esta quantidade cria a

confusão. A burguesia, aliás, nada fez para esclarecer a situação, antes pelo contrário. Mas, podemos já fazer

a triagem de todos esses sistemas, e distinguir duas grandes correntes, duas concepções nitidamente opostas:

a)

A concepção científica.

b)

A concepção não científica do mundo.

III. — A matéria e o espírito.

Quando os filósofos tentaram explicar o mundo, a natureza, o homem, tudo o que nos rodeia, enfim, foram

levados a fazer distinções. Nós próprios constatamos que há coisas, objectos que são materiais, que vemos e

tocamos. Depois, outras realidades que não vemos e não podemos tocar, nem medir, como as nossas ideias.

Classificamos, portanto, assim as coisas: por um lado, as que são materiais; por outro, as que não o são, e

pertencem ao domínio do espírito, do pensamento, das ideias.

Foi assim que os filósofos se encontraram em presença da

matéria
e do espírito

Quelha Funda

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