segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O Ocidente

O Ocidente Está Doente...

O Ocidente vê-se como um animal encurralado por inimigos que o assaltam por todo o lado: pela crise, que destrói o seu próprio modelo; pelo relativo declínio do império americano,que se sente ameaçado na sua liderança; pela China, descrita como a super-potência de amanhã; pelos integristas islâmicos, que sonham de tirar o pêlo ao "Grande Satã"; pela Rússia, saída da longa noite pós-soviética; pelos países latinos americanos, que procuram se emancipar da tutela dos Estados-Unidos; enfim, por todos aqueles que contestam, de maneira justificada ou não, a pretensão que eles guiem o Mundo como Moisés guiou o seu povo.
O Ocidente será uma sorte de cidadela sitiada, uma ilha de opulência perpétuamente tomada de assalto, um jardim de Éden atirando as cobiças dos que são excluídos, vindos de um desconhecido incerto, e por isso inquietante. A ler uma certa prosa, temos a impressão que o mundo nasceu com o Ocidente todo poderoso, encontrando-se ameaçado na sua existência e que poderá desaparecer em caso de partilha do poder e das responsabilidades.
Constantemente repetido, o discurso se ocidentaliza e impregna uma literatura que inspira os grandes meios de informação e não só. Ele tem os seus mestres pensadores, que são no debate intelectual o que os mestres de escola são nas classes primárias. Por todo o lado que eles exerçam o seu talento, eles fazem reinar o terrorismo intelectual, colando a pior das infamas a quem recuse venerar a sua palavra sagrada.
Para esses Reis do simplismo,há os bons (Estados-Unidos e os seus aliados) e os maus (todos os outros). Há o campo ocidental (forçosamente portador de valores emancipadores) e o resto do mundo (mais ou menos inclinado para o barbarismo). Há as regras do capitalismo (que nos asseguram que farão a felicidade da humanidade uma vez a crise resolvida) e o nada. Ninguém tem o direito de procurar outra alternativa, já que as regras da lei do mercado são de essência divina.
Singular reescritura do passado e do presente. Esquecem que o Ocidente é só uma pequena parte do Planeta, e que a outra tem o direito de bater à porta da história contemporânea. Esquecem de lembrar que a dominação ocidental não tem nada de eterna e que ela não se explica pelos méritos exclusivos dos países reunidos nesta etiqueta improvável. Ignoram as mudanças perpétuas entre civilizações, entre culturas, entre povos,entre o Ocidente e o Oriente, que deram os os fundamentos da humana civilização onde ninguém pode reivindicar o monopólio.
O Ocidente continua agarrado ao seu modelo com o seu chefe de fila (a América), seu exército (a OTAN), o seu sistema económico (o capitalismo), os seus tribunais de excepção (o OMC, o FMI o Banco Mundial) a sua moral (o direito do humanismo). Os outros são considerados, no melhor, como selvagens que devemos fazê-los entrar no bom caminho ou como inimigos a combater ou de espíritos perdidos que é preciso reeducar, à maneira dos selvagens que era preciso evangelizar ao bom tempo da colonização

Estas linhas foram escritas baseando-me no livro "O Ocidente Doente Do Ocidente"
de Martine Bulard e Jack Dion

Quelha Funda

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