quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Politzer

I. — Idealismo moral e idealismo filosófico.
Denunciámos a confusão criada pela linguagem corrente, no que se refere ao materialismo. A mesma
confusão encontra-se a propósito do idealismo.
Não é necessário confundir, com efeito, o idealismo moral e o idealismo filosófico.
O idealismo moral consiste em devotar-se a uma causa, a um ideal. A história do movimento operário
internacional ensina-nos que um número incalculável de revolucionários, de marxistas, se devotaram até ao
sacrifício da sua vida por um ideal moral, e, portanto, eram os adversários deste outro idealismo que se
chama idealismo filosófico.
O idealismo filosófico é uma doutrina que tem por base a explicação do mundo pelo espírito.
É a doutrina que responde à pergunta fundamental da filosofia, dizendo: «é o pensamento o elemento
principal, o mais importante, o primeiro». E o idealismo afirmando a importância primeira do pensamento,
afirma que é ele que produz o ser, ou, por outras palavras, que: «é o espírito que produz a matéria».
Tal é a primeira forma do idealismo; encontrou o seu pleno desenvolvimento nas religiões, afirmando que
Deus, «espírito puro», era o criador da matéria.
A religião, que pretendeu, e pretende ainda estar fora das discussões filosóficas, é, na realidade, pelo
contrário, a representação directa e lógica da filosofia idealista.
Ora, a ciência, intervindo no decurso dos séculos, em breve se tornou necessária para explicar a matéria, o
mundo, as coisas, de outro modo que apenas por Deus. Porque, desde o século XVI, a ciência começou a
explicar os fenómenos da natureza sem ter em conta Deus e abstendo-se da hipótese da criação.
Para melhor combater estas explicações científicas, materialistas e ateias, foi preciso, pois, levar mais longe
o idealismo e negar a existência mesmo da matéria.
Foi ao que se dedicou, no princípio do século XVIII, um bispo inglês, Berkeley, considerado o pai do
idealismo.

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