Um livro, recentemente editado em França, trata de uma realidade que ultrapassa as fronteiras deste país e mesmo da Europa. Podemos,assim, transporta-la para Portugal sem lhe tirar uma vírgula. Basta mudar os nomes dos personagens já que o cenário é o mesmo. O livro tem como titulo: Os "Éditocratas" conhecidos em Portugal como Editorialistas.
Estes personagens entram em nossas casas sem pedir licença; fazem parte da nossa paisagem como os cartazes publicitários das nossas ruas ou as árvores à beira das estradas. Com uma diferença de fundo, é que os cartazes e as árvores não falam e os "Éditocratas" sim.
Eles falam mesmo todo o tempo, da manhã à noite e da noite ao amanhecer, da Segunda-Feira ao Domingo e em todo o lado: nos jornais, na televisão, na rádio e mesmo na Internet. Todos nós os conhecemos bem. As suas caras e as suas vozes nos são familiares.
Eles assinam, todos os dias, editoriais nos jornais; eles nos trazem, todas as manhãs, crónicas na rádio; eles ocupam a televisão ao longo do ano; os seus livros são bem visiveis nas bancadas das livrarias.
Estes "Éditocratas" não são especialistas em nada mas têm sempre coisas a dizer sobre tudo e, ao longo do dia eles levam auditor-leitor-telespectador-cidadão os seus comentários vagos e delirantes sobre o mundo, como ele vai e como devia ir. Sentenciósos, eles recontam, mais ou menos, a mesma coisa e em (quase) todos os domínios, seja a vida política, a crise económica, os problemas da sociedade,as questões internacionais etc, etc,. Arrogantes e jurando que não estão ao serviço de qualquer partido ou ideologia, eles são os mais ilustres representantes do conformismo intelectual
Quelha Funda
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
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